John Buccigross, veterano da narração esportiva, revelou que a EA está usando IA generativa (genai) para criar sua voz dentro do próximo nhl 27.
O que aconteceu
No episódio mais recente do Chirpin Zebras, Buccigross contou que recebeu uma demonstração interna da EA onde seu próprio timbre foi reproduzido por um algoritmo de IA. "Eles estão usando IA agora; tocaram algo com a minha voz", afirmou, ainda rindo da frase "Score! And the crowd gets out of the chairs!" – um glitch que ele mesmo apontou, já que o termo correto seria "seats".
O relato chegou ao público via IGN e foi inicialmente avistado por Mike Straw, editor executivo da Insider Gaming. A partir daí, a notícia ganhou força nas redes, gerando debates sobre o futuro da narração esportiva nos games.
Como chegamos aqui
A EA tem apostado pesado em IA nos últimos anos. Em 2024, o CEO Andrew Wilson declarou que 60% dos processos de desenvolvimento poderiam ser impactados por genAI, chamando a tecnologia de "parte muito central" do negócio. No final daquele mesmo ano, durante uma apresentação a investidores, Wilson reforçou que a IA não era apenas um "buzzword", mas uma alavanca estratégica.
Em 2025, a empresa firmou uma parceria com a stability ai para co‑desenvolver modelos, ferramentas e fluxos de trabalho baseados em IA. O objetivo era "reimaginar como o conteúdo é construído", segundo comunicado da EA. Essa colaboração abriu caminho para experimentos como o que foi apresentado ao comentarista de hockey.
Entretanto, a comunidade de desenvolvedores tem sido cética. Artigos recentes apontam que um terço dos profissionais de games já usa genAI, mas metade acredita que a tecnologia pode ser corrosiva para a indústria. O medo é que a automação substitua criatividade humana ou que erros de IA – como o famoso "chairs" – prejudiquem a imersão.
Mesmo com esse clima, a EA parece estar avançando. O comentário de Buccigross indica que a empresa já tem um protótipo funcional que, segundo ele, "é bem bom". Ele ainda brincou que, se isso significar menos trabalho para ele sem perder a qualidade, ele aceita.
- EA demonstra IA reproduzindo voz de John Buccigross em NHL 27.
- Andrew Wilson afirma que genAI será parte de 60% das etapas de produção.
- Parceria com Stability AI em 2025 para criar ferramentas internas.
- Comunidade de devs ainda dividida quanto ao impacto da IA.
O que vem depois
Até o momento, a EA não confirmou oficialmente o uso da tecnologia em produção ou se outras vozes serão tratadas da mesma forma. O portal Game Developer entrou em contato para buscar esclarecimentos, mas ainda não recebeu resposta.
Se a EA decidir levar adiante o uso de genAI para narrações, podemos esperar algumas mudanças:
- Escalabilidade: Comentadores poderão ser gerados para diferentes idiomas sem precisar contratar novos talentos.
- Personalização: Jogadores podem escolher entre diferentes estilos de narração ou até mesmo usar sua própria voz, caso a IA aprenda a partir de amostras.
- Correções automáticas: Como o próprio Buccigross sugeriu, erros como "chairs" podem ser ajustados por meio de feedback de usuários, tornando a IA mais precisa ao longo do tempo.
Mas há riscos. A IA ainda pode gerar frases sem sentido, o que pode virar meme instantâneo ("Score! And the crowd gets out of the chairs!"). Além disso, questões de direitos de voz e consentimento podem gerar processos se a reprodução não for devidamente licenciada.
Para quem acompanha a cena, o próximo passo será observar se a EA inclui a narração IA na versão final do NHL 27 ou se a mantêm como experimento interno. Também será interessante ver como outras franquias esportivas (FIFA, Madden) reagirão – será que a IA vai invadir o microfone de todos os comentaristas?
Para ficar no radar
Fique de olho nos próximos comunicados da EA, especialmente durante as conferências da game developers conference (GDC) e nos patches de pré‑lançamento de NHL 27. Caso a IA se torne padrão, isso pode abrir caminho para novas oportunidades (e novos memes) no universo dos games esportivos.


