Ninja Baseball Bat Man, beat-'em-up de arcade da Irem lançado em 1993 e nunca portado oficialmente para consoles caseiros, será relançado no PS5 em 10 de dezembro. O jogo é conhecido por visual cartoon exagerado, jogabilidade caótica para até quatro jogadores e por ter passado décadas preso ao hardware original — até agora.
O que é Ninja Baseball Bat Man e por que ninguém jogou isso antes?
Lançado nos fliperamas em 1993, Ninja Baseball Bat Man — beat-'em-up da Irem onde quatro heróis temáticos de beisebol enfrentam vilões cartoon — nunca ganhou versão para mega drive, super nintendo ou PlayStation original. A Irem, já em declínio financeiro na época, priorizou outros títulos e o jogo ficou restrito a placas de arcade JAMMA. Quem jogou na infância lembra da estética "Ren & Stimpy" antes da hora: sprites gigantes, animações elásticas e humor nonsense que destoava da seriedade de Final Fight ou Streets of Rage.
Por que a Irem demorou trinta anos para relançar esse jogo?
A Irem original faliu em 1994. Os direitos de seu catálogo passaram por leilões, holdings obscuras e longos silêncios jurídicos. Diferente de R-Type — que virou franquia perene —, Ninja Baseball Bat Man não tinha "valor de marca" reconhecido fora do nicho de colecionadores de PCB. A Granzella, formada por ex-funcionários da Irem, só recuperou controle efetivo do acervo nos últimos anos. O relançamento no PS5 sinaliza que finalmente há estrutura legal e comercial para tirar esses títulos do limbo.
O que torna a jogabilidade diferente dos beat-'em-ups famosos?
Enquanto Streets of Rage aposta em precisão e Final Fight em gestão de espaço, Ninja Baseball Bat Man abraça o caos. Os quatro personagens — Captain Jose, Twinbats Ryno, Beanball Roger e Stick Straw — têm hitboxes enormes, golpes que cruzam a tela inteira e "super moves" que limpam hordas inteiras. O design incentiva spam de botões recompensado, não punido. Para quem cresceu decorando combos de Fighting Force, a sensação é de liberdade anárquica. O modo cooperativo local para quatro jogadores — raro no gênero — transforma partidas em festa de aniversário barulhenta.
Vale a pena comprar no day one ou esperar promoção?
Compre no lançamento se: você valoriza preservação de jogos obscuros, curte multiplayer local caótico ou quer apoiar a Granzella para que mais títulos da Irem voltem. Espere se: busca profundidade mecânica, progressão de RPG ou replay value além de créditos infinitos. O jogo tem cerca de 30 minutos de duração no arcade original — estendido apenas por dificuldade artificial. Não há modo online confirmado, o que limita o apelo longe do sofá com amigos.
Quais outros jogos da Irem ainda estão presos no passado?
- GunForce II (1994) — run-and-gun com veículos e sprites massivos, nunca portado.
- In the Hunt (1993) — shmup submarino com pixel art de referência, só teve versão saturn/PS1 ruim.
- Air Duel (1990) — shmup vertical com alternância avião/helicóptero, esquecido.
- Holy Diver (1989) — action-platformer famicom-only, caro no mercado de cartuchos.
A Granzella já avisou que o catálogo da Irem será explorado "aos poucos". Cada venda de Ninja Baseball Bat Man financia o próximo resgate. É voto com a carteira da forma mais direta possível.
O visual envelheceu bem ou parece feio em 4K?
O estilo "desenho animado dos anos 90" — contornos grossos, cores saturadas, expressões exageradas — escapa do problema do fotorrealismo datado. Em 4K, os sprites revelam artesanato: frames de animação desenhados à mão, backgrounds com parallax de três camadas, partículas de poeira em cada impacto. Filtros CRT opcionais (scanlines, curvatura, bloom) estão confirmados no menu. Quem odeia "pixels borrados" vai preferir o modo "pixel perfect" com integer scaling. A trilha sonora, composta por Hiroshi Kumida, mistura jazz-funk, surf rock e chiptune — soa fresca porque nunca foi copiada.
Por que a preservação de jogos ainda falha com títulos como esse?
Ninja Baseball Bat Man não é exceção — é a regra. Para cada Sonic ou Mario relançado a cada geração, existem dezenas de jogos de arcade, PC-98, FM Towns, WonderSwan que apodrecem em hardware frágil. Emuladores comunitários (MAME, FBNeo) mantêm a rom jogável há décadas, mas sem salvamento de estado oficial, leaderboards, filtros de acessibilidade ou garantia legal. O relançamento comercial tardio expõe a falha: preservação não deveria depender de "valor de mercado" percebido por executivos. A Granzella faz o mínimo viável; a indústria grande ignora até que um viral no TikTok prove demanda.
O que a redacao aposta para o futuro da Granzella
Se Ninja Baseball Bat Man vender bem, a Granzella tem carta branca para resgatar GunForce II e In the Hunt com tratamento similar — filtros CRT, modo pixel-perfect, trilha original remasterizada. O risco é a precificação: se cobrarem preço de AAA por 30 minutos de conteúdo, a boa vontade evapora. A aposta da redação: lançamento a preço de orçamento (até R$ 50), DLCs cosméticos opcionais e anúncio do próximo título da Irem antes do fim de 2025. O lado que ninguém vê: cada compra financia a digitalização de documentação interna da Irem — design docs, sprites não usados, protótipos cancelados. Isso vale mais que o jogo em si.


