TL;DR: Nintendo afirmou que tem estoque suficiente de memória para o switch 2, mesmo com a crise global de componentes, e garante que o preço atual do console permanecerá estável no curto prazo.
O que aconteceu
Durante a divulgação do relatório financeiro trimestral, o presidente da Nintendo, Shuntaro Furukawa, declarou que a empresa não está sofrendo com a chamada "crise de memória" que tem pressionado todo o setor de tecnologia. Segundo a declaração, a companhia conseguiu assegurar quantidades adequadas de chips de RAM para a produção do Switch 2, seu console de última geração.
O comentário foi publicado pela Reuters e reforçado por um documento interno da Nintendo que alerta que, embora o preço dos componentes tenha subido, a empresa não vê risco imediato de novos aumentos de preço para o console. Ainda assim, o Switch 2 teve seu preço elevado nos Estados Unidos em setembro, passando de US$ 450 para US$ 500, reflexo direto do aumento do custo da memória.
O mesmo relatório aponta uma queda de 32,7% nas vendas de hardware do Switch 2 em relação ao trimestre anterior, totalizando 2,67 milhões de unidades vendidas. O modelo anterior, o switch 1, registrou 610 mil unidades, número que deve diminuir ainda mais quando a Nintendo encerrar as vendas do console de 2017 na Europa em fevereiro.
Apesar da queda, a empresa mantém a meta de vender 16 milhões de unidades ao longo do ano fiscal, e o Switch 2 continua sendo o console mais rápido a atingir tal volume na história da Nintendo. No portfólio de software, mario kart 8 deluxe chegou a 72 milhões de cópias vendidas, enquanto a nova versão de the legend of zelda: ocarina of time foi lançada simultaneamente ao relatório, embora seu impacto nas finanças só seja mensurado no próximo trimestre.
Como chegamos aqui
A escassez de memória começou a ser notada em 2020, quando a demanda de data centers e IA impulsionou os preços dos chips DRAM e NAND. Fabricantes como Samsung, SK Hynix e Micron aumentaram seus preços em torno de 30‑40% ao ano, forçando consoles e smartphones a repensarem suas cadeias de suprimento.
Para a Nintendo, o desafio foi duplo: garantir que a produção do Switch 2 – que utiliza memória LPDDR5 de alta velocidade – não fosse interrompida, e ao mesmo tempo evitar repassar custos ao consumidor final. A estratégia adotada incluiu:
- Contratos de longo prazo com fornecedores de memória, assegurando lotes reservados antes do pico de demanda.
- Diversificação de fornecedores, incluindo opções de segunda fonte para reduzir risco de dependência.
- Otimização do design interno do console, permitindo que a mesma quantidade de memória entregue desempenho comparável ao de modelos concorrentes.
Essas medidas foram suficientes para que a Nintendo mantivesse a produção estável, ao contrário de concorrentes como a Sony, que tem adiado o lançamento do PlayStation 6 devido à falta de componentes críticos.
Entretanto, o aumento de preço nos EUA demonstra que a pressão ainda existe. A Nintendo já alertou, em comunicados anteriores, que não descartaria novos ajustes caso a situação de mercado se agrave. O fato de o Switch 2 ter sido lançado com um preço base mais alto que o Switch 1 (US$ 500 vs US$ 299) já indica que a empresa está preparada para absorver parte do custo adicional.
Do ponto de vista de software, a queda nas vendas de hardware tem sido atribuída à falta de lançamentos de grandes franquias. Analistas citados pela Bloomberg apontam que, fora os títulos próprios da Nintendo, poucos lançamentos de peso chegaram ao Switch 2 no período analisado.
O que vem depois
O próximo relatório financeiro, previsto para janeiro, trará os números de vendas do Ocarina of Time e de outros títulos de outono. Se a performance desses jogos for forte, a Nintendo pode compensar a queda de hardware com um impulso nas receitas de software.
Para o público brasileiro, alguns pontos são críticos:
- Disponibilidade: A garantia de suprimento de memória indica que o Switch 2 deve permanecer em estoque nas lojas brasileiras, evitando rupturas que já foram vistas em lançamentos de smartphones.
- Preço: Embora a Nintendo não tenha anunciado novos aumentos, o preço de US$ 500 equivale a aproximadamente R$ 2.800 com a cotação atual. Qualquer nova alta pode tornar o console menos acessível, especialmente fora dos grandes centros urbanos.
- Conteúdo local: A ausência de grandes lançamentos internacionais pode levar a Nintendo a apostar em títulos regionais ou parcerias com desenvolvedoras brasileiras para manter o fluxo de novidades.
- Fim do Switch 1: A retirada do modelo de 2017 da Europa em fevereiro significa que o mercado brasileiro pode perder a opção de adquirir um console mais barato, pressionando ainda mais a demanda pelo Switch 2.
Em termos de estratégia corporativa, a Nintendo parece focada em estabilizar a cadeia de suprimentos antes de investir em novos projetos de hardware. O próximo grande passo será o lançamento da sucessora do Switch 2, mas isso só deve acontecer depois de 2028, quando a empresa avaliará a evolução da tecnologia de memória.
Enquanto isso, a comunidade de fãs deve ficar atenta a:
- Promoções de bundles que incluam jogos como Mario Kart 8 Deluxe ou Ocarina of Time, aproveitando o estoque já garantido.
- Possíveis ajustes de preço nas revendedoras online, que podem reagir à variação cambial e à demanda local.
- Novas datas de lançamento de títulos de terceiros, que podem revitalizar as vendas de hardware.
Em síntese, a Nintendo está navegando em um mar de escassez de componentes sem afundar, mas o cenário ainda exige cautela dos consumidores, sobretudo no que tange ao preço final do console.
Para ficar no radar
Os próximos meses serão decisivos para medir o impacto da estratégia de suprimento de memória da Nintendo. Acompanhe os lançamentos de jogos, as variações de preço nas lojas brasileiras e as atualizações dos relatórios financeiros para entender se a empresa conseguirá manter a estabilidade que prometeu.
Fique atento às promoções de fim de ano, que costumam trazer bundles atrativos, e às notícias sobre a retirada do Switch 1 do mercado europeu, que pode reverberar no Brasil.


