Neon Giant, com apenas 24 desenvolvedores, está lançando No Law, um RPG de mundo aberto que tenta dar a impressão de ter a mesma escala de Cyberpunk 2077.
O que aconteceu
Os trailers e a demo técnica exibida no Unreal Fest mostraram uma cidade costeira chamada Port Desire, que combina a atmosfera de Lisboa com a densidade de Kowloon Walled City. O visual impressionante fez muitos compararem No Law a Cyberpunk 2077, de CD Projekt Red, que também oferece um mundo aberto cyberpunk. No entanto, a própria equipe admitiu que, para alcançar esse nível de detalhe, precisou fazer escolhas drásticas.
Tor Frick, diretor criativo da Neon Giant, revelou que a equipe principal conta apenas 24 pessoas, sem contar parceiros externos de QA, arte e som. Essa limitação de recursos foi o ponto de partida para definir o que seria incluído ou descartado no projeto.
Entre as primeiras decisões: não haverá direção de veículos. carros podem aparecer estacionados nas ruas, mas o jogador nunca os conduzirá. Isso economiza tempo de desenvolvimento e reforça a ideia de que Port Desire foi concebida para ser percorrida a pé.
Além disso, a cidade foi projetada para ser compacta, mas vertical. Em vez de se espalhar por vários distritos como Night City, Port Desire concentra-se em torres altas, colinas íngremes e vielas estreitas, criando a sensação de um espaço maior do que realmente é.
Os desenvolvedores também limitaram o número de interiores acessíveis. Apenas locais-chave – como clubes subterrâneos, bares da zona vermelha e alguns apartamentos – podem ser explorados, evitando o trabalho de modelar cada prédio da cidade.
Como chegamos aqui
A estratégia de “optar por não fazer” começou nas fases iniciais de planejamento. Ao reconhecer que não poderiam reproduzir a magnitude de Cyberpunk 2077, a Neon Giant focou em criar densidade ao invés de extensão. A escolha por um mapa menor, porém vertical, permitiu que recursos fossem direcionados a detalhes como:
- Interatividade de objetos: combinações de itens que geram granadas de desaceleração temporal ou drones explosivos.
- Sistemas de IA reativos: magistrados que mudam suas patrulhas conforme o jogador elimina os prefeitos.
- Clima e ciclo dia/noite dinâmicos que afetam a população e a disponibilidade de missões.
Esses sistemas interligados dão ao jogador a sensação de um mundo vivo, mesmo que o mapa seja limitado. Por exemplo, o tempo e o clima influenciam diretamente o comportamento dos NPCs: em dias nublados poucos saem às ruas, enquanto a chuva mantém o movimento nos clubes, mas esvazia áreas residenciais.
Outra decisão importante foi eliminar paredes invisíveis. Port Desire é circundada por mares profundos e um muro fronteiriço visível, reforçando a ideia de “no man's land”. Essa abordagem não só simplifica a programação de limites de mundo, mas também cria um cenário narrativo coerente, inspirado na história real da Kowloon Walled City.
O resultado é um jogo que, embora limitado em escala física, oferece múltiplas camadas de gameplay que se cruzam, gerando experiências variadas a cada partida.
O que vem depois
Com o lançamento próximo, a comunidade brasileira de gamers está ansiosa para ver se as escolhas de design realmente entregam a sensação de um mundo tão grande quanto o de Cyberpunk 2077. A expectativa gira em torno de três pontos principais:
- Performance: um mapa menor sem carregamentos deve garantir taxas de frames estáveis, algo crucial para jogadores de PC e consoles de última geração.
- Replayability: a variedade de abordagens nas missões e a reatividade do mundo podem incentivar múltiplas playthroughs.
- expansões futuras: se a base for bem recebida, a Neon Giant pode ampliar Port Desire ou introduzir novas áreas, mantendo a mesma filosofia de “escolher bem o que incluir”.
Para o público brasileiro, a ausência de direção de veículos pode ser um ponto de discórdia, já que muitos esperam a liberdade típica dos jogos de mundo aberto. Contudo, a promessa de exploração a pé, verticalidade e interatividade profunda pode compensar essa limitação.
Em última análise, No Law demonstra que, ao reconhecer suas restrições e transformá‑las em oportunidades criativas, um estúdio pequeno pode entregar uma experiência que rivaliza visualmente com títulos de estúdios gigantes.
Para ficar no radar
Fique atento às datas de lançamento e às possíveis atualizações de conteúdo que podem expandir ainda mais Port Desire. Enquanto isso, acompanhe as análises da comunidade e os primeiros streams para entender como a teoria das restrições se traduz na prática.
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