Cinco westerns que moldaram o gênero, mas arrecadaram menos de US$ 6 milhões nos cinemas norte‑americanos, são agora estudados como obras‑primas cult.
O que aconteceu
O primeiro filme da lista, Once Upon a Time in the West (1968), chegou aos EUA em 1969 e recebeu apenas US$ 5,4 milhões, muito abaixo da bilheteria europeia. A versão americana foi cortada em quase 20 minutos pela Paramount Pictures, o que prejudicou a narrativa original de Sergio Leone.
Em 2007, The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford estreou em cinco salas, depois que a Warner Bros. retirou o filme por considerá‑lo “sem tiroteios”. O orçamento de US$ 30 milhões resultou em um retorno global de US$ 15,3 milhões, considerado um flop.
The Furies (1950), dirigido por Anthony Mann, arrecadou US$ 1,55 milhão nos EUA, ficando em 70º lugar no ranking anual de 1950, bem abaixo de sucessos como Broken Arrow, que chegou a US$ 3,55 milhões.
The Ox‑Bow Incident (1943), de William A. Wellman, recebeu US$ 750 mil nos EUA, número que o executivo Darryl F. Zanuck descreveu como “não pagou o próprio caminho”.
Por fim, The Big Trail (1930), estrelado por John Wayne em sua primeira função de protagonista, foi exibido em apenas duas salas equipadas com o formato “Fox Grandeur” de 70 mm, o que limitou drasticamente sua arrecadação e o transformou em um fracasso de bilheteria.
Como chegamos aqui
Os cinco títulos compartilham fatores comuns que explicam o desempenho financeiro ruim, apesar da importância artística.
- Distribuição limitada: tanto The Big Trail quanto The Assassination of Jesse James foram exibidos em número reduzido de salas, impedindo que o público amplo tivesse acesso.
- Cortes e formatos incompatíveis: a versão americana de Once Upon a Time in the West perdeu quase 20 minutos; The Big Trail exigia o raro equipamento “Fox Grandeur”.
- Temas sombrios: The Ox‑Bow Incident e The Furies abordam violência coletiva e moralidade ambígua, afastando o público que buscava westerns mais tradicionais como os de John Wayne.
- Expectativas de mercado: nos anos 1940‑50, o público preferia heróis claros como John Wayne; filmes revisionistas ou com protagonistas anti‑heróis eram vistos como arriscados.
Apesar desses obstáculos, críticos e cineastas reconheceram a relevância dos trabalhos. Sergio Leone, com Once Upon a Time in the West, redefiniu a estética sonora e visual do western; Andrew Dominik, em The Assassination of Jesse James, aprofundou a psicologia do mito do fora‑da‑lei; Anthony Mann, em The Furies, misturou noir e western, criando um híbrido que influenciaria diretores posteriores.
O que vem depois
O legado desses filmes se consolidou em listas de “melhores westerns que deveriam ter sido sucessos”. Eles são estudados em cursos de cinema, citados em documentários e frequentemente reavaliados em retrospectivas de festivais. O reconhecimento tardio gerou restaurações em formatos digitais e lançamentos em plataformas de streaming, permitindo que novas gerações descubram seu valor.
Para quem deseja compreender a evolução do western, assistir a esses cinco títulos oferece perspectiva sobre como a indústria pode subestimar obras que, embora não tenham gerado lucro imediato, moldaram a linguagem cinematográfica. A tendência atual de revisitar clássicos obscuros sugere que esses westerns continuarão a aparecer em curadorias de serviços como The Criterion Collection e em análises especializadas.
Para ficar no radar
Se você acompanha críticas de cinema ou curadoria de filmes clássicos, vale observar os seguintes pontos:
- Restauradores estão lançando edições 4K de Once Upon a Time in the West sem cortes, permitindo a experiência original de Leone.
- Plataformas de streaming como MUBI e Criterion Channel adicionaram The Assassination of Jesse James ao catálogo, facilitando o acesso ao filme completo.
- Documentários recentes sobre westerns revisionistas citam The Furies como precursor de narrativas anti‑heroicas.
- Reexibições em cinemas de arte têm incluído The Ox‑Bow Incident como parte de retrospectivas sobre justiça popular.
- John Wayne’s The Big Trail recebeu um novo master em 2024, oferecendo a chance de avaliar a estreia do “Duke” em alta definição.
Essas iniciativas garantem que, embora a bilheteria inicial tenha sido baixa, o impacto cultural desses westerns continue crescendo.


