TL;DR: Patrick Stewart faleceu em 28/10/2026, mas sua voz ainda ecoa em cinco jogos marcantes, desde o rei Richard em 1993 até o narrador de my memory of us. Cada papel demonstra como o ator elevou narrativas de jogos com seu peso teatral.
O que aconteceu
Sir Patrick Stewart, conhecido mundialmente por Star Trek e X-Men, também construiu uma carreira discreta porém impactante no universo dos videogames. Seu primeiro crédito foi em 1993, como o rei Richard no lands of lore: The Throne of Chaos, um crpg que ainda hoje é lembrado por sua narrativa densa. Ao longo das décadas, ele emprestou sua voz a personagens como Khelben Arunsun (Forgotten Realms: Demon Stone), o imperador Uriel Septim VII (The Elder Scrolls IV: Oblivion), o antagonista Zobek (Castlevania: Lords of Shadow) e, por fim, o narrador de My Memory of Us, um indie que trata da memória do Holocausto.
Essas cinco performances não são apenas curiosidades de elenco; elas mostram como a gravidade vocal de Stewart pode transformar um script comum em um momento memorável. Mesmo após sua morte, a comunidade gamer continua celebrando esses papéis, reconhecendo que a presença do ator trouxe um nível de sofisticação raramente visto em jogos.
Como chegamos aqui
A trajetória de Stewart nos games reflete a evolução da própria indústria. No início dos anos 90, Lands of Lore era um dos pioneiros dos CRPGs de PC, competindo com Fallout e Baldur's Gate. A escolha de Stewart para o rei Richard deu ao título um ar de teatro renascentista, como se o jogador estivesse assistindo a uma peça da Royal Shakespeare Company. O personagem, líder da Aliança Branca, guiava o jogador através de intrigas políticas, e a voz de Stewart conferia autoridade e dignidade ao enredo.
Avançando para 2007, Forgotten Realms: Demon Stone trouxe o lendário mago Khelben Arunsun ao console PS2. Embora o gameplay fosse criticado, a escrita de R.A. Salvatore e a interpretação de Stewart criaram um mentor carismático que lembrava o Professor X, mas dentro do universo de dungeons & dragons. A voz profunda e calma de Stewart ajudou a legitimar o mundo de Waterdeep, oferecendo ao jogador um guia confiável em meio ao caos.
Em 2006, a Bethesda lançou The Elder Scrolls IV: Oblivion, e aqui Stewart alcançou talvez seu papel mais icônico nos games: o imperador Uriel Septim VII. O ator recebeu mais de 90 páginas de lore para estudar, o que ele descreveu como "um deleite". Sua performance teatral, repleta de referências a Shakespeare, deu ao personagem uma presença majestosa, mesmo que sua aparição fosse curta – ele é assassinado logo no tutorial, desencadeando a crise de Oblivion. Ainda assim, a voz de Stewart ecoa por toda a série, reforçando a importância da narrativa em RPGs de mundo aberto.
O salto para a era moderna ocorreu em 2010, quando Stewart assumiu o papel de Zobek em Castlevania: Lords of Shadow. Diferente dos papéis de mentor, Zobek evolui para um antagonista complexo, revelado como a própria Morte. A interpretação sombria de Stewart contrastou com seu histórico de personagens nobres, mostrando sua versatilidade. O fato de que o jogo não contou com Drácula exigiu que Zobek carregasse o peso da expectativa dos fãs, e Stewart entregou uma performance que se tornou um dos vilões mais lembrados da franquia.
Por fim, em 2015, o indie My Memory of Us ofereceu a Stewart seu papel mais emotivo: o narrador de um relato sobre a sobrevivência durante o Holocausto, apresentado de forma acessível a crianças por meio de robôs e arte em estilo cartoon. A voz do ator balança entre ternura e gravidade, permitindo que o jogo trate temas pesados sem perder a sensibilidade. Essa performance, para muitos, representa o ápice da capacidade de Stewart de usar a voz como instrumento de storytelling.
Essas cinco performances formam um arco que demonstra como a indústria passou de jogos de PC de nicho a títulos AAA e, finalmente, a experiências indie focadas em narrativa. Em cada etapa, a presença de Stewart elevou o material, provando que um ator de teatro pode ser tão essencial quanto um designer de níveis.
O que vem depois
Com a partida de Stewart, os jogos que ainda carregam sua voz se tornaram relíquias digitais. A comunidade já começou a criar homenagens, como fan projects que inserem suas falas em mods de Elder Scrolls ou remixes de cenas de Castlevania. Além disso, o legado de Stewart pode influenciar futuros projetos de voice acting, encorajando estúdios a buscar talentos de teatro para dar mais profundidade a personagens.
Alguns desenvolvedores já expressaram interesse em usar gravações de arquivo para incluir o ator em novos títulos, mas questões de direitos autorais e consentimento da família ainda são barreiras. Enquanto isso, a melhor forma de preservar seu impacto é revisitar os jogos originais, apreciando como sua performance ainda ressoa.
- Rejogar Lands of Lore para sentir a atmosfera de um CRPG clássico.
- Explorar o legado de Khelben em campanhas de Dungeons & Dragons inspiradas no jogo.
- Assistir a cutscenes de Oblivion para entender a importância da introdução narrativa.
- Revisitar Castlevania: Lords of Shadow e analisar a transição de herói a vilão.
- Jogar My Memory of Us para experimentar o storytelling sensível que só Stewart poderia entregar.
Em última análise, a voz de Patrick Stewart permanece como um lembrete de que o teatro e os videogames podem se encontrar de forma poderosa. Seu legado nos jogos é, sem dúvida, tão duradouro quanto seus papéis nas telas.
Onde isso pode dar
A presença de Stewart nos games abriu caminho para que outros atores de renome considerem o videogame como um meio legítimo de atuação. Isso pode levar a mais colaborações entre estúdios de cinema e desenvolvedores, resultando em narrativas mais ricas e performances de alto nível. Por outro lado, a dependência de vozes icônicas pode criar expectativas difíceis de atender quando novos talentos surgem.
Se a indústria continuar a valorizar a qualidade vocal tanto quanto a jogabilidade, podemos esperar um futuro onde personagens de jogos sejam tão memoráveis quanto protagonistas de filmes. O que Patrick Stewart deixou nos games é, portanto, um convite para que desenvolvedores invistam em atores que tragam gravidade, emoção e, sobretudo, autenticidade.


