TL;DR: Poor Things (2023) combina humor ácido, estética steampunk e a atuação vencedora de oscar de Emma Stone, garantindo seu lugar entre os melhores filmes da década. A adaptação do romance de Alasdair Gray traz um frescor inesperado ao gênero de ficção científica, enquanto o diretor Yorgos Lanthimos oferece uma visão única que divide críticos.
Por que Poor Things merece estar entre os melhores da década?
- Humor irreverente que escapa ao padrão de Lanthimos. Diferente das comédias sombrias habituais do diretor, o filme abraça uma comicidade vibrante que equilibra o grotesco com o encantador, tornando a experiência mais acessível sem perder a assinatura autoral.
- Adaptação ousada do romance de Alasdair Gray. Ao transpor a história de 1992 para um cenário vitoriano londrino, Lanthimos cria um contraste cultural que amplia o alcance temático, ao mesmo tempo em que preserva a essência post‑moderna da obra.
- Performance de Emma Stone que transcende o convencional. Stone entrega uma Bella Baxter que mistura a inocência de um bebê com a elegância de uma adulta, garantindo-lhe o Oscar de Melhor Atriz e provando sua versatilidade ao lado de papéis mais comerciais.
- Estética steampunk impecável. O design de produção mergulha o espectador em um universo retro‑futurista, onde máquinas a vapor e dispositivos elétricos criam um cenário visualmente rico que complementa a narrativa de reconstituição da vida.
- Temas universais de identidade e emancipação. A jornada de Bella, que aprende a viver com um corpo adulto e uma mente infantil, abre espaço para reflexões sobre autonomia, gênero e o que significa ser humano em um mundo artificial.
Os pontos que ainda geram debate
Apesar dos elogios, Poor Things não escapou das críticas. Alguns espectadores apontam que a mudança de cenário de Glasgow para Londres dilui a carga política original do romance escocês, reduzindo a presença da identidade nacional que Alasdair Gray tanto valorizava. Outros argumentam que o ritmo narrativo, por vezes, parece arrastado, especialmente nas sequências que exploram a gradual maturação de Bella.
- Remoção dos temas escoceses pode afastar fãs da obra original.
- Algumas cenas de desenvolvimento são excessivamente lentas.
- O tom híbrido entre comédia e drama pode confundir expectativas do público.
Como a parceria entre Lanthimos e Stone evoluiu
Desde The Favourite (2018), Lanthimos e Stone construíram uma química que se fortaleceu a cada projeto. Em Kinds of Kindness (2024) e Bugonia (2025), a atriz assumiu papéis ainda mais desafiadores, incluindo a encarnação de uma CEO farmacêutica desprovida de empatia. Essa trajetória demonstra que a colaboração deles não é apenas recorrente, mas também um laboratório de experimentação artística que eleva ambos os nomes.
O lado que ninguém está vendo
O sucesso de Poor Things vai além da crítica especializada. O filme conseguiu atrair um público que normalmente evita o cinema de autor, graças ao apelo visual e à presença de uma estrela de Hollywood. Essa ponte entre o mainstream e o experimental pode ser vista como um modelo para futuros projetos que buscam equilibrar integridade criativa e acessibilidade comercial.
Além disso, a escolha de Lanthimos de excluir as nuances políticas escocesas abre espaço para que a história seja reinterpretada globalmente, permitindo que espectadores de diferentes contextos encontrem significado próprio na narrativa de renascimento e libertação. Essa universalização, embora controversa, pode ser a chave para o legado duradouro do filme.
Em suma, Poor Things não é apenas um filme que agradou ao Oscar; ele representa um ponto de inflexão onde a ficção científica encontra o teatro de absurdos, tudo isso conduzido por uma das performances mais memoráveis da década.
FAQ
- Q: Por que Poor Things foi considerado um dos melhores filmes de ficção científica de 2023?
A: O filme combina humor ácido, visual steampunk e uma narrativa de identidade que se destaca entre os lançamentos de sci‑fi, além de contar com a atuação premiada de Emma Stone. - Q: A mudança de cenário de Glasgow para Londres prejudicou a adaptação?
A: Alguns fãs da obra original criticam a perda das referências escocesas, mas a decisão ampliou o apelo universal da história, facilitando a conexão com audiências internacionais. - Q: Qual foi o impacto da parceria entre Lanthimos e Emma Stone nos filmes posteriores?
A: A colaboração gerou projetos cada vez mais ousados, como Kinds of Kindness e Bugonia, consolidando a atriz como referência em papéis desafiadores e o diretor como inovador do cinema contemporâneo.


