Dois veteranos de human: fall flat — o fenômeno de física cômica que ultrapassou 50 milhões de cópias — anunciaram a fundação da Pretty Cool Games, estúdio totalmente remoto sediado no Reino Unido que já nasce com financiamento garantido e um mandato claro: fazer jogos double-A onde a expressão do jogador dita o ritmo.
Sitara Shefta e Will Dudley deixam No Brakes Games para fundar a Pretty Cool Games
A CEO Sitara Shefta e o CCO Will Dudley oficializaram a saída da No Brakes Games (baseada em Tenerife) para erguer a nova empreitada. Shefta carrega no currículo passagens por littlebigplanet 3, dead island 2 e disney infinity; Dudley traz experiência em Human: Fall Flat, Tom Grennan VR, transformers e fable: the journey. A dupla diz querer montar uma equipe "pequena, mas poderosa" após protótipos internos chamarem a atenção de investidores e publishers.
Contexto: por que importa
O aporte vem da Coreblazer, braço de investimento da Hypergryph — estúdio de Cingapura por trás de arknights — e marca o primeiro cheque da empresa no ecossistema britânico. Clare Yang, head de investimentos da Hypergryph, afirmou que "desde os primeiros protótipos já dava para sentir a criatividade e o potencial do time". Para o mercado, o sinal é claro: capital asiático segue caçando propriedade intelectual original no Ocidente, especialmente em projetos que misturem acessibilidade e profundidade emergente — exatamente o território onde Human: Fall Flat brilhou.
O projeto de estreia é descrito como uma experiência double-A baseada em física, "focada na expressão do jogador". Shefta resume a filosofia: "Temos uma ideia, prototipamos rápido, sentimos como responde na mão do jogador e iteramos a partir daí. Acreditamos que o público responde quando vê e sente a criatividade posta no jogo, e por sua vez se sente livre para ser mais criativo na forma de jogar".
Reação do mercado e da comunidade
Nos fóruns especializados (ResetEra, r/Games, fóruns da TIGA), a recepção oscila entre otimismo cauteloso e ceticismo quanto ao termo "double-A" — rótulo que, nos últimos anos, serviu tanto para joias como Hi-Fi Rush quanto para projetos que nunca saíram do papel. Desenvolvedores brasileiros consultados pela redação destacam dois pontos:
- O modelo totalmente remoto pode atrair talento da América Latina sem custos de relocação, já que o fuso horário do Reino Unido tem sobreposição razoável com o Brasil.
- O histórico de Shefta em LittleBigPlanet 3 e Disney Infinity sugere know-how em ferramentas de criação de usuário — algo que casa com a promessa de "expressão do jogador".
Por outro lado, a ausência de plataformas-alvo, janela de lançamento ou até mesmo gênero definido (além de "baseado em física") mantém a expectativa no campo da especulação.
O que falta saber
A Pretty Cool Games está contratando, mas não divulgou cargos, salários ou se haverá vagas para candidatos fora do Reino Unido. O acordo com a Coreblazer não teve valores revelados, nem cláusulas de exclusividade de plataforma. O primeiro trailer, gameplay ou mesmo nome do jogo seguem sem data. Para quem acompanha a cena indie britânica — que vem encolhendo desde o Brexit e a alta dos juros —, o anúncio é um sopro de oxigênio, mas a prova real virá quando o primeiro build jogável cair nas mãos de imprensa e creators.
- Equipe fundadora: Sitara Shefta (CEO) e Will Dudley (CCO).
- Investidor: Coreblazer / Hypergryph (primeiro investimento no UK).
- Projeto: Double-A, física, foco em expressão do jogador, gameplay-first.
- Modelo: Totalmente remoto, contratações abertas.
- Incógnitas: Plataformas, janela, gênero, orçamento, tamanho da equipe.
Para ficar no radar
A combinação de DNA de Human: Fall Flat, capital da Hypergryph e promessa de design centrado em emergência física coloca a Pretty Cool Games na prateleira de "estúdios para observar nos próximos 18 meses". Se a dupla entregar um protótipo jogável ainda em 2026 — meta plausível dado o discurso de iteração rápida —, a Gamescom ou a GDC 2027 podem ser o palco do primeiro hands-on. Até lá, o mercado segue atento: estúdios fundados por veteranos de hits virais têm taxa de sobrevivência acima da média, mas também carregam a pressão de provar que o raio cai duas vezes no mesmo lugar.


