Andy Weir, autor de Project Hail Mary, admitiu que queria apagar duas das cenas mais aclamadas pelos fãs: o momento em que Ryland Grace flutua entre nuvens de astrofagos rosa e o improvisado karaoke da diretora Eva Stratt.
O que aconteceu
O filme chegou às telonas em 2026 com Ryan Gosling no papel de Ryland Grace, dirigido por Chris Lord e Phil Miller. A produção recebeu elogios por humor, visual e trilha sonora, mas, segundo o próprio Weir, nem tudo foi perfeito nos bastidores de edição.
Weir contou ao /Film que, durante o processo de corte, ele sugeriu eliminar duas sequências que, ironicamente, se tornaram favoritas do público:
- A sequência em que Grace realiza um caminhar espacial enquanto a nave atravessa a Linha de Petrova, rodeado por uma nuvem de astrofagos que brilham em rosa e uma música épica ao fundo.
- O momento em que Eva Stratt (interpretada por Sandra Hüller) solta o microfone e canta karaoke, revelando sua tensão interna.
Weir justificou as sugestões com argumentos de narrativa: "não avança a trama" e "não faz sentido ele ver o astrofago, ele não vê infravermelho". Os diretores, porém, mantiveram ambas as cenas, que hoje são citadas como "fan‑favorites".
Como chegamos aqui
O corte inicial de Project Hail Mary chegou a quatro horas de duração, recebendo feedback severo por ser "bruto" e pouco enxuto. Depois de várias revisões, a versão final ficou em 2 horas e 36 minutos – ainda considerável, mas muito mais digerível.
Durante esse processo, Weir tentou exercer um papel de "consultor de corte", mas acabou percebendo que sua vocação é escrever, não dirigir. "Aprendi que devo ficar no romance e deixar a edição para quem entende de cinema", declarou ele.
Os diretores explicaram que a cena do astrofago foi filmada com luzes infravermelhas reais e truques de set, o que a tornou visualmente impressionante. Já o karaoke de Stratt foi inserido depois que a equipe percebeu que precisava de um momento de alívio cômico e de aprofundamento de personagem.
Curiosamente, Weir já tinha sido surpreendido antes: ele não curtiu a arte da capa de The Martian (2015), mas o filme acabou ganhando prêmios e elogios. Essa experiência parece ter reforçado sua convicção de que decisões visuais não são seu forte.
O que vem depois
Com o filme já em cartaz e a comunidade geek fervilhando nas redes, a discussão sobre as escolhas de edição continua. Alguns fãs defendem a permanência das duas cenas, citando a beleza da sequência dos astrofagos como um dos pontos altos da experiência IMAX. Outros, mais críticos, concordam que a cena do karaoke pode ser vista como um "cortezinho" desnecessário.
O que fica claro é que Weir reconheceu seu papel na produção: ele é o escritor, não o diretor. Essa admissão pode abrir portas para que ele participe de futuras adaptações como consultor de roteiro, mas sem interferir na montagem final.
Enquanto isso, o público pode aproveitar o filme nas salas de cinema ou nas plataformas de streaming que o distribuíram – a Amazon MGM Studios ainda detém os direitos, mas ainda não há confirmação de lançamento em serviços de streaming.
Para ficar no radar
Se você ainda não assistiu, vale a pena marcar uma sessão com a galera e observar os detalhes que geraram tanto debate:
- Observe a coreografia da nuvem de astrofagos – a combinação de luz infravermelha e efeitos práticos é um caso de estudo de produção.
- Preste atenção ao karaoke de Eva Stratt – a escolha da música e a performance de Hüller revelam camadas psicológicas da personagem.
- Compare a duração final (2h36) com o corte de quatro horas mencionado em entrevistas – dá uma ideia da quantidade de material que foi descartado.
E, claro, compartilhe suas teorias nos fóruns. Quem sabe a próxima entrevista não traga mais revelações sobre o que poderia ter sido cortado?


