A Microsoft moveu o estúdio Rare para sob a gestão da Activision nesta semana, alterando a estrutura de reporte do lendário desenvolvedor britânico. A mudança entrou em vigor imediatamente após o anúncio de reorganização do Xbox, que também incluiu cortes de 286 vagas em outros estúdios. O Rare continua sendo propriedade da Xbox, mas agora responde à liderança da Activision em vez do Xbox Game Studios diretamente.
O que muda para o Rare com a mudança para a Activision?
Na prática, o dia a dia de desenvolvimento não deve sofrer alteração imediata. O Rare segue como um estúdio first-party da Microsoft, recebendo financiamento e suporte da empresa. A diferença está na cadeia de comando: decisões de greenlight, alocação de recursos e direcionamento estratégico passarão pela liderança da Activision — que, desde a aquisição de 2023, opera como divisão semi-independente dentro da Microsoft Gaming. Para os funcionários, a estrutura de benefícios e contratos permanece inalterada, já que a entidade empregadora continua sendo a Microsoft.
Por que a Microsoft decidiu mover o Rare para a Activision?
A reorganização reflete a estratégia da Microsoft Gaming de consolidar estúdios sob lideranças com expertise em jogos como serviço (Gaas) e franquias de longa duração. A Activision tem histórico comprovado com Call of Duty, World of Warcraft e Overwatch — títulos que exigem pipelines de atualizações constantes, temporadas e monetização contínua. O Rare, com sea of thieves e o vindouro everwild, encaixa-se nesse perfil. A proximidade com equipes que dominam live ops pode acelerar a capacidade do Rare de sustentar jogos por anos.
Quais projetos o Rare está desenvolvendo atualmente?
O estúdio mantém Sea of Thieves como principal fonte de receita recorrente, com atualizações sazonais e expansões de narrativa. Em paralelo, Everwild — anunciado em 2019 e reiniciado internamente em 2021 — segue em desenvolvimento sem janela de lançamento definida. Rumores persistentes apontam para um novo perfect dark em colaboração com a The Initiative, mas a Microsoft não confirmou participação do Rare no projeto. O estúdio também apoia iniciativas de preservação de legado, como a coleção Rare Replay e ports de clássicos para Nintendo Switch Online.
O que isso significa para franquias como banjo-kazooie e Perfect Dark?
A propriedade intelectual permanece 100% da Microsoft. A mudança de reporte não altera direitos de publicação nem licenciamento. No entanto, a Activision tem histórico de reviver IPs adormecidos — crash bandicoot e spyro são exemplos recentes de remasters bem-sucedidos sob sua gestão. Se a liderança da Activision enxergar potencial comercial em reviver Banjo-Kazooie ou Conker, a estrutura atual facilita a aprovação de tais projetos. Por outro lado, o foco em Gaas pode priorizar jogos como serviço em detrimento de experiências single-player tradicionais.
Como a comunidade reagiu à notícia?
- Parte dos fãs vê a mudança com ceticismo, temendo que a cultura única do Rare — marcada por experimentação e humor britânico — seja diluída sob gestão focada em métricas de retenção e monetização.
- Outros apontam que a autonomia criativa do Rare já era limitada sob o Xbox Game Studios, e a Activision pode trazer expertise técnica em live ops que o estúdio carece.
- Desenvolvedores da indústria notaram que a movimentação é incomum: estúdios first-party geralmente reportam à divisão de publicação da plataforma, não a uma publisher terceirizada (mesmo que pertencente ao mesmo conglomerado).
O Rare continuará lançando jogos no game pass no dia do lançamento?
Sim. A estratégia de lançamento day-one no Game Pass é definida no nível corporativo da Microsoft Gaming, não no nível de reporte de estúdio. Phil Spencer e Matt Booty mantêm autoridade sobre a política de assinatura. O Rare seguirá lançando seus títulos no serviço no dia do lançamento, assim como estúdios da Bethesda e da própria Activision (pós-aquisição) já fazem.
O que falta saber sobre o futuro do Rare
A transição levanta mais perguntas do que respostas no curto prazo. A primeira é se Everwild terá seu escopo redefinido sob nova liderança — o projeto já sofreu reinícios e mudanças de direção criativa. A segunda é se a Activision imporá métricas de engajamento e monetização mais agressivas, alterando o DNA de jogos como Sea of Thieves, que historicamente evitou pay-to-win e battle passes predatórios. A terceira é o destino de colaborações externas: a parceria com a Nintendo para ports de clássicos do Rare no Switch Online depende de acordos de licenciamento que a nova estrutura pode complicar ou agilizar. Por fim, resta saber se a mudança é permanente ou etapa intermediária antes de uma integração total dos estúdios da Activision Blizzard King sob uma única divisão de publicação. O mercado acompanhará os próximos anúncios de jogos do Rare — e a recepção crítica e comercial deles — como termômetro real dessa reorganização.


