Já se perguntou como seria a vida de Sophia antes de salvar Amícia? Em Resonance: A Plague Tale Legacy a Asobo Studio troca a famosa furtividade da série por combates mais diretos, e deixa de lado as hordas de ratos que eram a marca registrada.
O que aconteceu
O jogo se situa dezesseis anos antes dos eventos de A Plague Tale: Requiem. Em vez de acompanhar os irmãos Amícia e Hugo, o jogador controla Sophia, uma jovem que será a salvadora da família da protagonista. O enredo gira em torno de um misterioso "chave" que deve ser recuperada em Veneza e levada a uma ilha cheia de armadilhas, onde o líder dos contrabandistas, Faro, busca respostas para as visões envenenadas de Sophia.
Ao contrário dos títulos anteriores, que privilegiavam o uso de sombras e ratos para evitar confrontos, Resonance coloca a espada e a faca nas mãos de Sophia. O combate é ágil: bloqueios, esquivas e golpes de chute que podem empurrar inimigos uns contra os outros ou fazê‑los cair de penhascos. A mecânica de pegar objetos do cenário – garrafas, facas, até peças de metal – para interromper combos inimigos também faz parte do repertório.
O objetivo central é chegar ao coração da ilha antes que o exército veneziano, que persegue o grupo, os alcance. Ao longo de aproximadamente doze horas de gameplay, o jogador resolve puzzles, explora salas cheias de símbolos enigmáticos e enfrenta soldados e criaturas sombrias que habitam o subsolo da ilha.
Como chegamos aqui
A mudança de foco não aconteceu do nada. Depois do sucesso de A Plague Tale: Innocence e Requiem, a equipe da Asobo sentiu que precisava provar que o universo poderia sustentar histórias diferentes. Em entrevistas, o lead level designer Valérian Robert explicou que o objetivo era dar a Sophia um caminho próprio, sem depender das mecânicas de furtividade que definiram os jogos anteriores.
Para isso, a desenvolvedora introduziu um sistema de "pontos de ressonância" espalhados pelo cenário. Ao coletá‑los, o jogador desbloqueia habilidades como um chute duplo, uma esquiva carregada ou um ataque perfurante. Existem ainda artefatos que concedem bônus passivos, como ampliar a janela de parry ou sobreviver a um golpe fatal. Contudo, essas recompensas são opcionais e, na prática, raramente alteram o rumo da ação principal.
O afastamento dos ratos foi outra decisão deliberada. Os roedores eram, até então, mais que um obstáculo: eram parte da identidade visual e sonora da série, criando tensão ao se moverem como ondas de água escura. Substituí‑los por um novo inimigo subterrâneo, que aparece em áreas de pouca luz, trouxe uma atmosfera diferente, mas não conseguiu replicar o impacto visceral dos enxames de ratos.
Mesmo com a nova abordagem, o jogo ainda carrega vestígios da sua origem. As fases são, em sua maioria, lineares, com sinais de caminho bem marcados. Se o jogador ignora a indicação de virar à esquerda em um templo em colapso, acaba caindo e reiniciando a sequência – um design que penaliza a exploração e reforça a sensação de trilha guiada.
O que vem depois
O futuro da franquia ainda está em aberto. Enquanto Resonance demonstra que a Asobo pode criar um combate decente, ele também evidencia que abandonar os elementos que diferenciaram a série pode alienar a base de fãs. Se a empresa decidir voltar ao estilo de furtividade e ratos, talvez em um próximo título, poderá reconquistar aqueles que sentiram falta da atmosfera única.
Por outro lado, há quem acredite que a série está pronta para evoluir para um formato mais orientado à ação, competindo diretamente com títulos como God of War ou Tomb Raider. Nesse cenário, os próximos lançamentos precisariam aprofundar o sistema de combate, oferecer mais variedade de inimigos e, quem sabe, reintegrar os ratos como um elemento opcional, ao invés de removê‑los completamente.
- Explorar mais caminhos alternativos sem punições severas.
- Reintroduzir os ratos como ameaça ambiental em níveis específicos.
- Aprimorar a narrativa para que o combate não contradiga a história de Sophia.
- Expandir o sistema de habilidades para que os pontos de ressonância tenham impacto real no gameplay.
Enquanto isso, os fãs podem revisitar os dois primeiros jogos da série para lembrar o que fez A Plague Tale se destacar: a combinação de história sombria, puzzles inteligentes e a constante presença de ratos como inimigos invisíveis.
Vale a pena?
Se você busca um título de ação sólido, com combates bem coreografados e uma história que enriquece o lore de A Plague Tale, Resonance: A Plague Tale Legacy entrega isso sem grandes falhas técnicas. Contudo, quem ama a mistura única de furtividade, atmosfera opressiva e enxames de ratos pode sentir que algo essencial foi sacrificado.
Em resumo, o jogo funciona como um spin‑off competente, mas deixa de lado a identidade que o tornou especial. Para quem quer experimentar a saga sob uma nova luz, vale a tentativa; para os puristas, talvez seja melhor aguardar o próximo capítulo que retome as raízes da série.


