A Anbernic apresentou o RG DS Plus, uma versão atualizada do seu handheld portátil (console compacto feito para jogar em qualquer lugar) inspirado no Nintendo DS — o portátil de duas telas da Nintendo. O novo modelo mantém o visual flip (formato de concha que abre e fecha) do antecessor, mas troca componentes internos e redesenha a dobradiça. Nos vídeos divulgados pela empresa, o aparelho já aparece rodando títulos de Nintendo DS, Nintendo 64, PlayStation 1, Dreamcast e Saturn, cobrindo boa parte do catálogo retrô (jogos antigos) de quinta e sexta geração.
O que aconteceu
O RG DS Plus é um upgrade direto do RG DS, portátil da própria Anbernic inspirado no visual do Nintendo DS original. A principal mudança está nas duas telas: saem os displays menores do modelo anterior e entram dois painéis de 4,3 polegadas com resolução de 1.024x768 pixels. O console original do Nintendo, lançado em 2004, rodava a 256x192 em cada tela, então a nova versão oferece uma escala 4x (ou seja, quatro vezes mais pixels) "pixel-perfect" — termo usado quando cada pixel do jogo original é multiplicado de forma inteira, sem distorção.
Nos vídeos de divulgação, o RG DS Plus aparece executando jogos de plataformas bem diferentes entre si: Nintendo DS (portátil da Nintendo com duas telas e touch), Nintendo 64 (console de mesa 3D da geração 64 bits), PlayStation 1 (o primeiro PlayStation, da Sony), Dreamcast (o console da Sega lançado em 1998, pouco antes do PlayStation 2) e Saturn (o console de 32 bits da Sega que brigou com o PlayStation 1 nos anos 90). A lista não é pouca coisa: engloba desde jogos 2D mais leves até títulos 3D mais exigentes da era PS1 e N64.
Como chegamos aqui
O RG DS original chegou ao mercado com proposta clara: oferecer um portátil barato capaz de emular (rodar, via software, jogos de outros sistemas) o catálogo do Nintendo DS e, em menor escala, plataformas anteriores. O modelo chamou atenção justamente pelo formato flip, raro em handhelds modernos, e por trazer controles físicos completos no lugar do touch (no DS original, a tela de baixo era sensível ao toque).
Desde então, handhelds de emulação viraram uma categoria própria dentro do hardware gamer. Marcas como Anbernic, Miyoo e Retroid passaram a lançar aparelhos dedicados a rodar jogos antigos, e o ciclo de atualização ficou curto: um modelo novo a cada poucos meses, com ajustes pontuais de tela, processador e refrigeração. O RG DS se encaixou nesse movimento ao apostar em nostalgia visual do DS, enquanto concorrentes exploravam designs inspirados em Game Boy, Game Gear e PSP.
Para entender o que mudou no RG DS Plus, vale comparar com o antecessor em três pontos:
- Telas: o modelo anterior usava displays menores; o Plus traz dois painéis de 4,3 polegadas com resolução 1.024x768.
- Dobradiça: a do RG DS original foi alvo de críticas por folga com o tempo; o Plus adota um mecanismo de "liga dupla", conceito da Anbernic para uma peça mais resistente.
- Emulação: o Plus amplia a lista de sistemas suportados oficialmente, chegando até Saturn, que era problemático em hardwares mais simples.
Vale lembrar que "emular" significa rodar, por software, jogos de outro hardware — e a qualidade da emulação depende muito do processador e da memória do aparelho. A Anbernic ainda não detalhou o chip usado no RG DS Plus.
O que vem depois
A Anbernic ainda não divulgou preço, data de lançamento nem o processador que equipa o RG DS Plus. Os vídeos divulgados até agora mostram o aparelho em funcionamento, mas sem ficha técnica completa. Para quem pensa em comprar, o caminho é esperar o anúncio oficial com specs detalhadas.
Também não há, até o momento, lista oficial completa de sistemas compatíveis. O fato de rodar Dreamcast e Saturn nos testes é relevante porque esses consoles exigem mais poder de processamento do que DS ou PS1, mas a estabilidade em diferentes jogos pode variar — algo comum em handhelds de emulação.
Para ficar no radar
Três pontos merecem atenção antes de qualquer compra:
- Especificações: preço, processador, bateria e armazenamento ainda não foram anunciados pela Anbernic.
- Catálogo confirmado: DS, N64, PS1, Dreamcast e Saturn aparecem rodando, mas outros sistemas (PSP, Game Boy Advance, arcade) ainda não foram demonstrados oficialmente.
- Durabilidade da dobradiça: o mecanismo de "liga dupla" é descrito como redesenhado, mas só o uso no dia a dia vai dizer se resolve o problema clássico do formato flip.
Se você busca um portátil retrô com cara de DS e quer mais potência que o modelo original, o RG DS Plus é o sucessor natural a ser acompanhado. Se já tem o RG DS, vale esperar comparativos de tela, bateria e desempenho antes de decidir trocar.


