Robert Englund, intérprete de freddy krueger na franquia A Hora do Pesadelo, declarou na abertura da exposição The Horror Show no Academy Museum of Motion Pictures que o gênero de terror conquistou legitimidade artística e comercial nas últimas quatro décadas, deixando de ser tratado como "lixo de baixo nível" para se tornar o pilar que sustenta a indústria cinematográfica atual.
Quem é Robert Englund e por que sua opinião pesa no terror?
Robert Englund é o ator que deu vida a Freddy Krueger, o assassino de sonhos da série A Hora do Pesadelo, criada por Wes Craven. Sua carreira começou nos anos 1970 com o neo-noir Buster and Billie (1974), passando por thrillers e séries como St. Ives, Eaten Alive e Police Woman. A fascinação pelo gênero vem da infância, quando assistia a filmes de monstros da Universal na TV e folheava o livro The Movies, do tio, com a seção dedicada a Lon Chaney Sr., o "Homem de Mil Faces" conhecido por maquiagens elaboradas. Englund credita essa exposição precoce à decisão de aceitar o papel de Freddy Krueger anos depois.
Como os cineastas de terror eram tratados nos estúdios antigamente?
Englund relatou que, no início da carreira, profissionais do terror eram marginalizados nos lotes dos estúdios. Ele lembrou que "a turma do terror pegava a pior mesa no refeitório, perto da porta da cozinha". O gênero era visto com desconfiança por uma cultura conservadora que o rotulava como lixo de baixo nível, apesar de sua longa história na literatura e outras mídias. Essa ostracização persistiu mesmo enquanto filmes de terror continuavam a gerar lucro.
O que mudou na percepção da indústria sobre o terror?
Segundo Englund, o terror "finalmente chegou" e agora ocupa o lugar que faroestes e filmes de gângster tinham no ciclo de gêneros lançados constantemente. Ele observou que "praticamente toda outra semana há um filme de terror, ou terror/ficção científica, ou fantasia no top 10". A exposição The Horror Show no Academy Museum, curada com rigor acadêmico, simboliza esse reconhecimento institucional. Não é apenas sucesso financeiro, mas respeito artístico e compreensão do gênero.
Que provas concretas Englund citou do novo status do terror?
Além da presença constante no top 10 de bilheteria, Englund e o autor do artigo citaram a vitória de Amy Madigan como Melhor Atriz Coadjuvante no Oscar 2026 por sua interpretação de Gladys em Weapons, de Zach Cregger. A premiação da Academia a um papel em filme de terror contemporâneo funciona como validação máxima. A curadoria cuidadosa da exposição The Horror Show também demonstra que o gênero é estudado e preservado com seriedade museológica.
O que é a exposição The Horror Show no Academy Museum?
The Horror Show é uma exposição inaugurada no Academy Museum of Motion Pictures em Los Angeles, dedicada à história e arte do cinema de terror. Englund discursou na abertura em 25 de setembro de 2026. A mostra reúne artefatos, maquiagens, roteiros e elementos visuais que traçam a evolução do gênero, dos monstros clássicos da Universal às produções contemporâneas. A curadoria busca tratar o terror com o mesmo rigor acadêmico aplicado a outros movimentos cinematográficos.
Qual a importância de Lon Chaney Sr. na formação de Englund?
Lon Chaney Sr., astro do cinema mudo conhecido como "Homem de Mil Faces", pioneiro em maquiagem de caracterização elaborada, foi uma influência decisiva. Englund viu as fotos das transformações de Chaney no livro The Movies do tio e afirmou que "todas aquelas maquiagens e imagens devem ter se entranhado no meu cérebro, e me fizeram dizer sim a Wes Craven todos aqueles anos depois". A tradição de atuação através de próteses e maquiagem pesada conecta Chaney a Freddy Krueger.
Por que o terror é considerado o gênero mais necessário para processar questões humanas?
O artigo original argumenta que o terror funciona como um "poço sem fundo de material" para ajudar humanos a processar "as inúmeras questões que nos assolam do útero ao túmulo". Diferente de outros gêneros, o terror confronta medos existenciais, mortalidade, o desconhecido e tabus sociais de forma direta, servindo como catarse coletiva. Essa função psicológica e cultural explica sua persistência e relevância contínua.
Datas e o que vem depois
A exposição The Horror Show está em cartaz no Academy Museum of Motion Pictures em Los Angeles desde sua abertura em 25 de setembro de 2026. A vitória de Amy Madigan no Oscar 2026 por Weapons consolida a tendência de reconhecimento em premiações maiores. Com filmes de terror dominando o top 10 semanal de bilheteria, a expectativa da indústria é que o gênero mantenha espaço privilegiado no calendário de lançamentos dos grandes estúdios. Para fãs e pesquisadores, a mostra oferece raro acesso a materiais de arquivo que documentam a evolução técnica e narrativa do terror ao longo de um século.


