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Roblox: regulador australiano impõe acordo legal e dá 3 meses para blindar contas de crianças

· · 4 min de leitura
Criança usando tablet com logo do Roblox, ao fundo ícone de cadeado e símbolo de privacidade
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O regulador de segurança online da Austrália deu ao roblox um prazo de três meses para fechar brechas que deixavam perfis de crianças visíveis e acessíveis a adultos sem consentimento dos pais. A plataforma assinou um acordo legalmente exigível que obriga contas de menores a serem privadas por padrão, bloqueia solicitações de conexão de estranhos sem aprovação dos responsáveis e exige a contratação de uma auditoria independente para verificar se as proteções funcionam na prática. Se a empresa descumprir, o caso vai à Justiça Federal australiana.

O que aconteceu

Uma investigação do eSafety Commissioner — o órgão australiano equivalente a uma agência de proteção digital — revelou que, apesar das medidas anunciadas pelo Roblox no ano passado, falhas persistiam. Adultos conseguiam visualizar contas de jogadores menores de idade, enviar pedidos de conexão e interagir em fóruns públicos fora dos jogos. Nomes de usuário, interesses declarados, perfis e listas de conexões de crianças permaneciam expostos. O relatório, divulgado pelo The Guardian, motivou a assinatura de um acordo juridicamente vinculante (enforceable undertaking), figura jurídica que permite ao regulador cobrar cumprimento na Justiça se a empresa não entregar o prometido.

Entre as exigências concretas estão:

  • Contas de jogadores abaixo de 16 anos devem ser privadas por padrão;
  • Adultos desconhecidos não podem contatar menores sem aprovação prévia dos pais;
  • Contratação de auditor independente para testar a eficácia das proteções, incluindo a tecnologia de estimativa de idade;
  • Prazo de 90 dias para implementação completa, sob risco de ação no Federal Court da Austrália.

Como chegamos aqui

Não é a primeira vez que o Roblox promete endurecer a segurança. Em 2024, a empresa anunciou que contas de menores de 16 anos passariam a ser privadas por padrão e que o chat direto exigiria verificação de idade. O teste australiano mostrou que essas barreiras não funcionaram como deveriam. A plataforma é, por desenho, uma rede social disfarçada de jogo: perfis, pedidos de amizade, fóruns e bate-papo por voz são partes centrais da experiência, e criadores chegaram a reclamar que os limites prejudicavam o boca a boca orgânico de seus jogos.

Em 19 de agosto, o Roblox tentou se antecipar às críticas liberando três ferramentas de segurança como código aberto: modelos para detectar compartilhamento de dados pessoais, conversas perigosas e violações no chat de voz. A iniciativa pode ajudar outras plataformas, mas o regulador australiano deixou claro: o que importa é a eficácia dentro do próprio ecossistema do Roblox.

A pressão não vem só da Austrália. Nos Estados Unidos, os senadores Josh Hawley (Republicano, Missouri) e Dick Durbin (Democrata, Illinois) abriram investigação congressional própria, exigindo registros sobre abusos e exploração financeira de jogadores jovens. O aviso foi direto: "O Congresso não vai olhar para o outro lado." O Roblox escapou da proibição australiana de redes sociais para menores de 16 anos argumentando que seu propósito principal é jogos, mas a comissária Julie Inman Grant já sinalizou que pode rever essa isenção se os recursos sociais continuarem crescendo.

O que falta saber

O acordo australiano é um marco porque tira do Roblox o poder de autoavaliar suas proteções. A auditoria independente será o teste real: se a tecnologia de estimativa de idade falhar ou se brechas nos fóruns persistirem, a empresa terá de responder na Justiça. Para pais brasileiros, o recado é prático: as configurações de privacidade padrão vão mudar, mas não existe substituto para supervisão ativa. Verifique se a conta do seu filho está no modo privado, revise a lista de contatos e converse sobre não aceitar pedidos de estranhos — mesmo que a plataforma prometa bloqueá-los.

Nos próximos 90 dias, três frentes merecem atenção:

  • Se a auditoria independente será de fato autônoma ou indicada pela própria empresa;
  • Se o Congresso dos EUA transformará a investigação em legislação federal de proteção a menores em jogos online;
  • Se a Austrália manterá a isenção do Roblox na lei de redes sociais ou estenderá a regra para plataformas com forte componente social.

O Roblox tem 70 milhões de usuários diários e uma base massiva de crianças. O que acontecer na Austrália e nos EUA ditou o ritmo para o resto do mundo — inclusive para o Brasil, onde o Marco Civil da Internet e a LGPD já preveem proteções especiais a menores, mas a fiscalização prática ainda engatinha.

Perguntas frequentes

O que o acordo australiano obriga o Roblox a fazer exatamente?
O acordo exige que contas de menores de 16 anos sejam privadas por padrão, que adultos desconhecidos não possam enviar solicitações de conexão ou contatar crianças sem consentimento dos pais, e que a empresa contrate um auditor independente para verificar se as proteções funcionam — tudo em até 90 dias.
Por que as medidas anteriores do Roblox não funcionaram?
O teste do eSafety Commissioner mostrou que, apesar das políticas anunciadas em 2024, perfis de crianças permaneciam visíveis, fóruns permitiam interação entre adultos e menores e a estimativa de idade não impediu contatos indesejados. A estrutura social da plataforma criou brechas que os controles não cobriram.
Isso afeta jogadores no Brasil?
Diretamente, o acordo vale apenas na Austrália. Mas a pressão regulatória global costuma forçar plataformas a padronizar proteções em todos os países. O Brasil tem LGPD e Marco Civil com regras para menores, então mudanças globais no Roblox tendem a chegar por aqui também.
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