WhatsApp Instagram YouTube
Culpa do Lag CULPA DO LAG
Games

Roman Sands RE:Build: review da experiência surreal

· · 4 min de leitura
Cena do jogo Sylvia
Compartilhar WhatsApp

TL;DR: Roman Sands RE:Build transforma o tédio de um trabalho de serviço em uma experiência surreal dividida em duas realidades – a rotina de um resort esotérico e um pesadelo psicológico – que agradam jogadores que buscam algo fora do comum.

Primeira realidade: rotina do resort esotérico

Ao despertar na praia de um resort misterioso, o protagonista sem nome é imediatamente confrontado por quatro adultos exigentes – Sylvia, Bunk, Betty e Harold – que o tratam como um simples funcionário. A mecânica central gira em torno de tarefas repetitivas: buscar remédios, entregar mensagens, carregar bagagens. Embora a ação pareça monótona, o jogo recompensa a otimização do fluxo de trabalho. Cada ciclo concluído permite ao jogador refinar sua estratégia, antecipando pedidos e reduzindo o tempo gasto.

O visual desta metade do jogo é fortemente inspirado no estilo Y2K, com paletas neon, paisagens vaporwave e estátuas de vacas que reforçam a sensação de um limbo digital. Os personagens tratam o jogador de maneira quase despersonalizada, alternando entre gêneros e ignorando sua identidade, o que reflete a desumanização frequente em empregos de atendimento.

Além da estética, a narrativa sutilmente critica a cultura de serviço: os clientes despejam suas bagagens emocionais e exigem atenção total, enquanto o trabalhador permanece invisível. Essa camada de crítica social é um dos pontos fortes da primeira realidade, pois cria empatia para quem já vivenciou situações semelhantes.

Segunda realidade: narrativa sombria e psicológica

Depois de estabelecer uma rotina, o jogador conhece Kara, uma colega que parece saber como escapar. A partir daí, surgem puzzles criativos que exigem raciocínio fora da caixa. Ao resolver esses enigmas, o protagonista descobre uma segunda camada da história, que muda drasticamente de tom.

Esta realidade adota um visual mais rígido, com influências de ficção científica moderna e homenagens claras a Neon Genesis Evangelion. O humor negro substitui o vaporwave, e a trilha sonora se torna frenética, lembrando uma selva sonora. O foco se desloca da rotina para uma exploração psicológica profunda: sobrevivência, sacrifício e a validade de lutar contra um sistema opressor.

Embora visualmente menos chamativa, essa parte oferece uma reflexão intensa sobre o que significa persistir em um ambiente hostil. No entanto, alguns jogadores podem achar a transição abrupta e o gameplay menos envolvente, já que o design parece servir mais ao tema do que à diversão pura.

Aspecto Primeira realidade (Resort) Segunda realidade (Sombria)
Estilo visual Vaporwave, Y2K, cores neon, estátuas de vaca Ficção‑sci rígida, paleta mais escura, referências a Evangelion
Tom narrativo Satírico, crítico ao trabalho de serviço Psicológico, humor negro, horror sutil
Jogabilidade Rotina de tarefas, otimização de processos Puzzles ocasionais, exploração de história
Impacto emocional Identificação para quem já trabalhou em retail Reflexão sobre sacrifício e sobrevivência

Vereditos: o melhor pra cada perfil

Se você curte jogos que simulam rotinas e gostam de otimizar processos repetitivos, a primeira realidade do resort será o ponto alto. A estética Y2K e a crítica social proporcionam uma experiência que ressoa com quem já sentiu o peso de um trabalho de atendimento.

Para quem busca uma narrativa mais densa, com temas existenciais e humor negro, a segunda realidade oferece a profundidade psicológica necessária, ainda que o gameplay seja mais leve.

Jogadores que preferem experiências lineares podem achar a primeira metade mais satisfatória, enquanto os aficionados por histórias fragmentadas e atmosferas perturbadoras encontrarão valor na segunda parte.

Qual escolher

Roman Sands RE:Build não se encaixa em uma única categoria; ele é, antes de tudo, uma experiência dividida. Se sua prioridade é a imersão visual e a crítica ao mundo do serviço, mergulhe na rotina do resort e aproveite a sensação de dominar um ciclo repetitivo. Se, ao contrário, você procura uma história que desafie sua percepção de realidade e explore temas sombrios, siga Kara e encare a segunda realidade.

Em resumo, o jogo vale a pena ser jogado duas vezes – uma para absorver a crítica social da primeira metade e outra para decifrar o simbolismo da segunda. Mesmo que não agrade a todos, sua originalidade garante que ficará na memória de quem se aventurar por esse limbo digital.

Perguntas frequentes

Qual a duração média de Roman Sands RE:Build?
O jogo pode ser concluído em cerca de 6 a 8 horas, dependendo do tempo gasto otimizando as tarefas e resolvendo os puzzles da segunda realidade.
É necessário ter experiência prévia com jogos indie para aproveitar Roman Sands?
Não é obrigatório, mas quem está acostumado a narrativas experimentais e mecânicas não convencionais tende a aproveitar mais a proposta do jogo.
Roman Sands RE:Build está disponível em quais plataformas?
Até o momento, o título está disponível exclusivamente para PC via Steam.
Culpa do Lag
Curtiu? Recebe as próximas no WhatsApp.

Games, animes, filmes e tech — as notas quentes direto no nosso canal, sem depender de algoritmo.

Seguir no canal

Veja tambem

Compartilhar WhatsApp