Scarlett Johansson interpretou Olivia Wenscombe em O Truque (2006), único filme dela com Christopher Nolan, contracenando com Christian Bale — o Batman de Batman Begins — e Hugh Jackman — o Wolverine da Fox — em trama sobre mágicos rivais na Londres vitoriana.
7 motivos para rever O Truque e ver a Viúva Negra antes do MCU
- Elenco que antecipa dois universos de heróis — Christian Bale vive Alfred Borden, mágico metódico que mais tarde vestiria o manto do Batman na trilogia de Nolan. Hugh Jackman interpreta Robert Angier, o showman rival que já era Wolverine nos X-Men da Fox. A tensão entre os dois no palco espelha, anos depois, a rivalidade entre estúdios concorrentes.
- Scarlett Johansson como peça-chave, não coadjuvante decorativa — Olivia Wenscombe não serve apenas de interesse romântico; ela é assistente de palco, confidente e, em determinado momento, agente duplo que move a engrenagem da trama. A atriz já demonstrava, aos 21 anos, a capacidade de sustentar cenas de manipulação emocional que virariam marca registrada de Natasha Romanoff.
- Michael Caine fecha o trio de Batman Begins no mesmo set — O ator reprisa a parceria com Nolan e Bale como John Cutter, engenheiro de ilusões que funciona como a "Alfred" dos mágicos: voz da razão, guardião de segredos e única bússola moral num jogo onde todos mentem.
- David Bowie como Nikola Tesla transforma ficção científica em mito — A aparição do músico como o inventor sérvio eleva o filme de drama de época para ficção científica discreta. A máquina de clonagem/teletransporte que ele constrói para Angier é o ponto de virada que torna a obsessão dos protagonistas irreversível.
- Estrutura não-linear que ensina o espectador a assistir — Nolan usa diários cruzados (Borden lendo o diário de Angier lendo o diário de Borden) para espelhar a própria estrutura de um truque de mágica: promessa, volta, prestígio. Quem reassiste pega detalhes plantados no primeiro ato — como o pássaro na gaiola — que passam despercebidos na estreia.
- fotografia e direção de arte que envelheceram melhor que muito blockbuster atual — Wally Pfister (diretor de fotografia habitual de Nolan) ilumina teatros vitorianos com luz de gás e sombras duras, criando textura tátil que CGI nenhum replica. O design de produção de Nathan Crowley transforma Londres em labirinto de espelhos, antecipando a estética de Interestelar e Oppenheimer.
- Única colaboração Johansson–Nolan permanece como "e se?" cinematográfico — Após O Truque, a atriz entrou no MCU (2010) e Nolan seguiu com elenco rotativo (Caine, Murphy, Bale, Hathaway, Damon). Com Oppenheimer e A Odisseia feitos depois da saída dela da Marvel, a ausência de novo encontro vira curiosidade: como seria uma protagonista feminina num filme "de homem" do diretor?
O que falta saber sobre o legado do filme
O Truque mantém 77% no Rotten Tomatoes — nota respeitável, mas inferior a Interestelar (86%) e A Origem (87%). Para fãs brasileiros, o filme costuma aparecer no catálogo da HBO Max e Amazon Prime Video em rotação sazonal; vale checar a disponibilidade antes de programar a maratona Nolan. A edição em blu-ray 4k lançada lá fora traz comentário do diretor e documentário sobre os efeitos práticos da máquina de Tesla, material ainda inédito por aqui.
Se você conhece Johansson só como Viúva Negra, Bale só como Batman e Jackman só como Wolverine, O Truque funciona como cápsula do tempo: três astros antes de virarem ícones globais, dirigidos por um cineasta que ainda não tinha carta branca total. O resultado é um thriller de época que envelhece como vinho — e que, revisitado hoje, revela camadas que a pressa da estreia escondia.


