TL;DR: Os filmes Seventh Son (2014), Gods of Egypt (2016), Warcraft (2016) e Mortal Engines (2018) foram lançados como grandes blockbusters de fantasia, mas fracassaram por problemas de roteiro, ritmo e identidade visual. Em 2026, a indústria já demonstra interesse em revisitar propriedades esquecidas, tornando esses títulos candidatos ideais para um reboot.
Seventh Son (2014)
Baseado na série de livros de Joseph Delaney, Seventh Son traz Ben Barnes como Tom Ward, o sétimo filho de um sétimo filho, sob a tutela do caçador de monstros Master Gregory (Jeff Bridges). A produção contou com Julianne Moore como a bruxa Mother Malkin. Apesar de reunir os elementos clássicos de um épico – mentor, aprendiz, criaturas sobrenaturais – o filme falhou ao apresentar uma narrativa genérica que não conseguiu prender a atenção do público.
Principais falhas identificadas:
- Roteiro previsível, sem aprofundamento dos mitos do universo.
- Falta de desenvolvimento de personagens, especialmente do antagonista.
- Excesso de efeitos visuais em detrimento da construção de mundo.
Um reboot poderia focar na origem dos poderes de Tom, explorar a hierarquia dos caçadores de monstros e dar mais destaque às criaturas folclóricas presentes nos livros. O ritmo mais pausado e a fidelidade ao material original seriam diferenciais para atrair tanto fãs da obra quanto novos espectadores.
Gods of Egypt (2016)
Dirigido por Alex Proyas, Gods of Egypt tentou trazer a mitologia egípcia para o cinema de ação, com um elenco que incluía Gerard Butler (Set), Nikolaj Coster‑Waldau (Horus), Geoffrey Rush (Hórus em versão adulta) e Chadwick Boseman (Bes). O conceito de deuses combatendo entre si em um cenário contemporâneo era inovador, mas a execução resultou em um espetáculo visualmente carregado e narrativamente vazio.
Problemas críticos:
- Personagens divinos tratados como meros figurantes de ação.
- Ausência de profundidade cultural e histórica da mitologia egípcia.
- Roteiro que priorizou sequências de batalha em detrimento da trama.
Um reboot teria a oportunidade de recontextualizar os deuses como protagonistas com motivações políticas e pessoais, explorando alianças e rivalidades que já são parte do cânone egípcio. O uso de CGI poderia ser mantido, mas aliado a um storytelling mais denso, similar ao que funcionou em séries de sucesso recentes.
Warcraft (2016)
Adaptado da franquia de videogame da Blizzard Entertainment, Warcraft apresenta a invasão da Horde ao mundo de Azeroth, liderada por Gul'dan (Daniel Wu) e Durotan (Toby Kebbell). A produção tentou condensar um universo vasto em duas horas, resultando em um excesso de nomes, raças e locais que sobrecarregaram o espectador não familiarizado com o jogo.
Desafios enfrentados:
- Introdução abrupta de múltiplas facções e lore sem contextualização.
- Personagens secundários pouco desenvolvidos, reduzidos a funções de plot.
- Equilíbrio entre fãs de videogame e público geral não foi alcançado.
Para um reboot, a estratégia recomendada seria dividir a história em duas ou três partes, permitindo que cada filme estabeleça um bloco de construção – primeiro, a origem da guerra; segundo, a expansão da Horde; terceiro, a resolução do conflito. Esse formato daria tempo para aprofundar personagens como Medivh (Ben Foster) e Anduin Lothar (Travis Fimmel), além de criar pontes narrativas que facilitem futuras sequências.
Mortal Engines (2018)
Baseado na série de livros de Philip Reeve, Mortal Engines se passa em um futuro pós‑apocalíptico onde cidades-móveis caçam umas às outras. O filme segue Hester Shaw (Hera Hilmar) e Tom Natsworthy (Robert Sheehan) em uma conspiração que envolve a cidade de Londres. Embora a premissa fosse única, a execução priorizou efeitos grandiosos em detrimento da construção de personagens.
Pontos fracos:
- Ritmo acelerado que impede a empatia com Hester e Tom.
- World‑building superficial, sem explorar as implicações sociais da mobilidade urbana.
- Falta de foco nos temas de vingança e redenção presentes no livro.
Um reboot poderia adotar um tom mais intimista, dedicando tempo ao arco de vingança de Hester e ao desenvolvimento da relação entre os protagonistas. Além disso, a exploração das políticas das cidades‑máquinas traria relevância contemporânea, conectando o universo ao debate sobre recursos e sustentabilidade.
Vereditos: o melhor pra cada perfil
Considerando os diferentes perfis de público – fãs de literatura, entusiastas de mitologia, jogadores de videogame e amantes de ficção científica – a escolha do reboot ideal varia:
- Para quem busca fidelidade literária: Seventh Son oferece um terreno fértil para explorar a série de Delaney em profundidade.
- Para quem curte mitologia exótica: Gods of Egypt pode se transformar em uma saga épica ao aprofundar a cultura egípcia.
- Para gamers e fãs de world‑building: Warcraft tem o maior potencial, pois permite uma franquia em múltiplas fases.
- Para quem prefere ficção distópica com crítica social: Mortal Engines pode se destacar ao focar nas consequências da mobilidade urbana.
Em termos de viabilidade de mercado, Warcraft tem a vantagem de já possuir uma base de fãs consolidada e um universo que ainda gera receita em jogos. Contudo, Seventh Son e Gods of Egypt apresentam menos riscos de comparação direta com obras já estabelecidas, permitindo maior liberdade criativa.
Para ficar no radar
Os estúdios já demonstram interesse em reviver IPs negligenciadas, como evidenciado pelos projetos de reboot anunciados em 2026. Caso algum desses quatro títulos seja escolhido, os produtores deverão:
- Contratar roteiristas familiarizados com o material original.
- Investir em um plano de franquia que permita expansão gradual.
- Equilibrar efeitos visuais avançados com narrativa sólida.
- Considerar plataformas de streaming como ponto de partida para testes de aceitação.
Com essas premissas, o reboot tem maior chance de transformar um fracasso passado em um sucesso contemporâneo.
Did we miss one of your favorite forgotten fantasy movies? Let us know in the comments which one deserves a reboot.


