Um esboço original de Mario, desenhado por Shigeru Miyamoto em 2004, está em leilão por mais de US$ 10 mil.
O que aconteceu
Na edição de 2004 da Electronic Entertainment Expo (E3), Shigeru Miyamoto — o criador de franquias como Super Mario, The Legend of Zelda e Donkey Kong — produziu um desenho em formato shikishi, tradicionalmente feito sobre papel washi com bordas enfeitadas em ouro ou prata. O artefato retrata o encanador italiano, um cogumelo de fogo (Fire Flower) e a assinatura inconfundível de Miyamoto. Sem avaliação oficial, a peça permanece em estado de conservação excelente.
O desenho foi inserido no catálogo da Heritage Auctions, casa de leilões especializada em itens de cultura pop, e está listado com preço inicial próximo a US$ 10.500. A oferta atraiu atenção de colecionadores, investidores e fãs de Nintendo, que veem o objeto como uma convergência rara entre arte tradicional japonesa e história dos videogames.
Como chegamos aqui
Para entender o valor do shikishi, é preciso considerar três fatores interligados:
- Autoridade criativa: Shigeru Miyamoto é reconhecido como o "pai" da Nintendo moderna. Seu envolvimento direto em projetos garante que qualquer peça assinada carregue peso histórico.
- Contexto do evento: O E3 de 2004 marcou a estreia de títulos como "Mario Power Teams" e foi um dos últimos grandes momentos da convenção antes de seu declínio. O desenho, portanto, funciona como um relicário desse período.
- Formato artístico: O shikishi é valorizado no mercado de arte oriental. A combinação de técnica japonesa com um ícone ocidental cria um ponto de interseção colecionável.
Além disso, o impacto cultural de Super Mario Bros. permanece evidente. O nível 1‑1 do jogo original ainda serve de referência para design de plataformas 2D, influenciando milhares de títulos nas décadas seguintes. Essa relevância amplifica o interesse por objetos que representem o personagem.
O leilão também reflete a tendência crescente de monetização de memorabilia de videogames. Nos últimos anos, itens como consoles protótipos, artes originais e até consoles usados em eventos de lançamento têm alcançado cifras de seis dígitos. A Heritage Auctions tem sido a principal plataforma para esses negócios, oferecendo certificação e visibilidade internacional.
O que vem depois
Com o encerramento da edição de 2021, o E3 deixou de ser o epicentro das revelações da indústria. No entanto, a nostalgia associada ao evento ainda alimenta o mercado de colecionáveis. O leilão do shikishi de Miyamoto pode abrir caminho para novas vendas de arte original de desenvolvedores, especialmente de figuras que marcaram a história dos jogos.
Para os colecionadores, o próximo passo será monitorar leilões de itens semelhantes, como esboços de Legend of Zelda ou artes de Donkey Kong. A Heritage Auctions já anunciou que receberá mais peças de artistas da Nintendo, o que sugere que o interesse institucional está em alta.
Do ponto de vista institucional, a Nintendo ainda não divulgou planos de leilões próprios, preferindo manter suas obras dentro de museus corporativos ou exposições temporárias. Caso a empresa decida abrir seu acervo, o valor de mercado de peças assinadas pode subir ainda mais, impulsionado pela escassez e pela demanda de fãs.
O que falta saber
Embora o preço de partida já seja elevado, o valor final do leilão dependerá de fatores como número de lances, presença de compradores internacionais e avaliação pós‑leilão. Os interessados devem acompanhar o site da Heritage Auctions para atualizações em tempo real.
Além do preço, a autenticidade do desenho foi confirmada por especialistas em arte japonesa, que atestaram a técnica de shikishi e a assinatura de Miyamoto. Essa certificação aumenta a confiança dos compradores e reduz o risco de falsificações, que têm se tornado mais frequentes no mercado de memorabilia de videogames.
Em síntese, o shikishi de Mario representa um ponto de convergência entre arte tradicional, história dos games e mercado de colecionáveis. Seu sucesso no leilão pode redefinir benchmarks de preço para obras semelhantes e reforçar a importância de preservar artefatos digitais como parte do patrimônio cultural.


