A SM Entertainment, uma das maiores agências de K-pop da Coreia do Sul, protocolou queixas-crime contra autores de deepfakes pornográficos da integrante do Girls' Generation Lim Yoona e declarou tolerância zero a campanhas de ódio direcionadas a Winter, do grupo aespa. O anúncio ocorreu em 28 de setembro de 2026 e cita leis coreanas que criminalizam a criação e o compartilhamento de conteúdo sexual fabricado por inteligência artificial.
O que aconteceu
Em comunicado oficial, a agência confirmou ter identificado novos casos de imagens manipuladas por IA usando o rosto de Lim Yoona — artista veterana do Girls' Generation, grupo feminino lendário do K-pop — circulando em redes sociais e comunidades online. A SM Entertainment já apresentou denúncias criminais baseadas em evidências coletadas por monitoramento interno e denúncias de fãs via canal "KWANGYA 119", plataforma oficial de proteção aos artistas da empresa.
Paralelamente, a agência emitiu alerta severo contra posts maliciosos que atingem Winter (nome artístico de Kim Min-jeong), vocalista e dançarina do aespa, girl group de quarta geração debutado em 2020. Segundo o texto, há disseminação contínua de informações falsas, difamação, insultos, ataques pessoais e assédio sexual em plataformas como X (antigo Twitter), Instagram, YouTube, TheQoo, Instiz, DC Inside, Women's Generation e Nate Pann.
Como chegamos aqui
O problema de deepfakes não-consensuais envolvendo celebridades coreanas escalou nos últimos anos com a popularização de ferramentas de IA generativa acessíveis. A legislação sul-coreana endureceu: a Lei de Casos Especiais sobre Punição de Crimes Sexuais agora prevê pena de prisão para quem edita ou distribui vídeos fabricados com conteúdo sexual, mesmo que a vítima não tenha posado nua. A SM Entertainment cita explicitamente essa lei, além da Lei de Rede de Informação e Comunicação (difamação) e direitos de imagem.
O canal "KWANGYA 119" — referência ao universo ficcional "KWANGYA" que conecta narrativas dos grupos da SM — funciona como central de denúncias onde fãs enviam links e prints de violações. A agência afirma que monitora continuamente e coleta provas para embasar processos, adotando política de "zero tolerância" sem acordos ou indulgência.
- Deepfakes de Lim Yoona: queixas-crime já protocoladas; compartilhar ou republicar também configura crime.
- Posts contra Winter: ação legal em etapas, incluindo denúncias criminais; abrange fóruns anônimos e plataformas internacionais.
- Identificação de autores: a SM promete rastrear responsáveis dentro e fora da Coreia, solicitando investigação às autoridades competentes.
O que vem depois
A SM Entertainment reforçou que continuará monitorando e fortalecendo a resposta jurídica. Para fãs e público geral, o recado é claro: não criem, não compartilhem, não repostem — mesmo em "quote posts" ou artigos que embedem o material ilegal. A simples redistribuição pode enquadrar o usuário como coautor na esfera penal.
O caso expõe como a indústria do entretenimento coreana tem usado o arcabouço legal recente para combater a violência digital de gênero, fenômeno que atinge desproporcionalmente mulheres idols. Outras grandes agências (HYBE, JYP, YG) adotaram posturas semelhantes nos últimos meses, sinalizando mudança de paradigma: de remoção reativa para persecução penal proativa.
Para ficar no radar
Os desdobramentos dependem da velocidade do sistema judiciário coreano e da cooperação internacional para identificar autores fora do país. A eficácia do rastreamento em fóruns anônimos e plataformas descentralizadas será teste decisivo. Enquanto isso, a SM mantém o canal KWANGYA 119 ativo para novas denúncias e promete atualizações conforme os processos avançarem.


