Os diretores Jonathan Goldstein e John Francis Daley confirmaram que o próximo filme de Star Trek tem como referência dois thrillers clássicos, Training Day e Crimson Tide. A escolha indica que a nova produção pretende adotar um ritmo mais intenso e um conflito geracional dentro da frota estelar.
O que aconteceu
Em entrevista concedida ao site Inverse, Goldstein revelou que a dupla de diretores está usando Training Day (2001) – dirigido por Antoine Fuqua – e Crimson Tide (1995) – de Tony Scott – como “comparações” para o tom que desejam alcançar. Daley acrescentou que a narrativa será desenvolvida quase em tempo real, buscando uma experiência cinematográfica que se diferencie das séries de TV recentes.
Ambos os filmes compartilham um ponto central: um jovem idealista confronta a experiência cínica de veteranos mais endurecidos. Em Training Day, Denzel Washington interpreta um policial veterano que testa o limite moral de um novato; já em Crimson Tide, a tensão surge entre um comandante de submarino mais jovem e seu superior, interpretado por Gene Hackman, quando ordens ambíguas ameaçam desencadear um conflito nuclear.
"É um olhar sobre a instituição da Frota Estelar, reconhecendo que há 'maçãs podres' que podem influenciar todo o sistema", explicou Daley.
Segundo os diretores, o objetivo não é tornar o filme “cínico” ou “nihilista”, mas mostrar que, mesmo em um universo idealizado, há falhas humanas que podem gerar grandes consequências.
Como chegamos aqui
A franquia de Star Trek atravessou uma década de incertezas, com sucessos modestos nos cinemas e séries de TV que, embora bem recebidas, deixaram o público ansioso por um renascimento verdadeiramente cinematográfico. O sucesso de Dungeons & Dragons: Honor Among Thieves, dirigido pela mesma dupla, mostrou que Goldstein e Daley conseguem equilibrar humor, ação e narrativa de forma acessível.
Ao escolher thrillers de alta tensão como referência, eles sinalizam duas intenções claras para o público brasileiro:
- Ritmo acelerado: cenas que se desenrolam em tempo real prometem menos “filler” e mais ação contínua, algo que costuma agradar fãs de cinema de ação.
- Conflito interno: a disputa entre gerações dentro da Frota Estelar pode ressoar com debates atuais sobre tradição versus inovação, tema recorrente nas comunidades nerds.
Além disso, Daley enfatizou a necessidade de justificar a presença do filme nas telas grandes, algo que as séries de TV já não conseguem fazer da mesma forma. Ele menciona que a experiência deve ser “espetacular” e “visualmente imersiva”, indicando um investimento pesado em efeitos e design de produção.
Para o fã brasileiro, isso pode significar duas coisas: maior chance de ver o filme em 3D ou imax nos grandes centros urbanos, e a expectativa de que a narrativa ofereça algo que as séries de Star Trek: Discovery e Picard não conseguiram entregar plenamente – um thriller de alta tensão dentro do universo conhecido.
O que vem depois
Até o momento, a produção ainda está em fase de desenvolvimento, sem data oficial de estreia. Contudo, a estratégia de marketing já deixa claro que a Paramount Pictures pretende posicionar o filme como um evento “must‑see” nos cinemas, competindo diretamente com outros blockbusters de ação que chegam ao Brasil nos mesmos períodos.
Se a aposta nos thrillers clássicos se confirmar, podemos esperar:
- Um roteiro que privilegia diálogos carregados de tensão, similar ao confronto verbal entre os capitães em Crimson Tide;
- Sequências de ação que se aproximam da realidade “terrena” de Training Day, possivelmente mostrando treinamentos intensos da academia da Frota Estelar;
- Personagens mais humanos, com falhas e dilemas morais, que podem gerar discussões nas redes sociais brasileiras sobre liderança e ética.
Os fãs que acompanham as novidades nas redes sociais já especulam sobre quem poderá interpretar o jovem oficial que desafiará a hierarquia. Enquanto isso, a ausência de um elenco confirmado mantém o suspense – algo que pode ser usado a favor da divulgação, alimentando teorias e discussões em fóruns como o Reddit Brasil e grupos de Facebook.
Em resumo, a escolha de Training Day e Crimson Tide como inspirações não é apenas um detalhe de bastidores; é um indicativo de que o próximo Star Trek pretende ser mais do que um simples reboot visual. Ele quer ser um thriller que coloca a frota em risco interno, algo que pode renovar o interesse da base de fãs e atrair novos espectadores que buscam ação e drama.
O que falta saber
Embora a direção já tenha revelado suas referências, ainda há perguntas sem resposta que impactam diretamente o público brasileiro:
- Qual será o orçamento destinado aos efeitos especiais, considerando que o Brasil tem pouco acesso a versões em alta definição de filmes de ficção científica?
- Haverá versões dubladas em português do Brasil ou apenas legendas, considerando a tradição de dublagem para grandes lançamentos?
- Qual será a estratégia de lançamento nas salas de cinema independentes, que costumam ser o ponto de encontro dos fãs de sci‑fi?
Até que essas questões sejam respondidas, a comunidade geek brasileira permanece em estado de expectativa, pronta para analisar cada detalhe assim que a Paramount divulgar mais informações.


