Valve abriu as reservas da nova steam machine com preço inicial de US$1.049 (UK£879, €1.039) para o modelo de 512 GB e ainda mais caro para a versão de 2 TB. A empresa deixou claro que não há previsão de queda de preço, citando a escassez de componentes como principal obstáculo.
O que aconteceu
Na manhã de 22 de junho de 2026, a Valve anunciou oficialmente o lançamento da Steam Machine, um console‑PC de entrada projetado para rodar o SteamOS. O modelo base vem com 8 GB de RAM DDR5, um SSD NVMe de 512 GB e placa gráfica integrada, enquanto a versão premium oferece 2 TB de armazenamento. Ambas as opções podem ser complementadas com o steam controller, elevando o custo total para cerca de US$1.428.
Em entrevista concedida a Rock Paper Shotgun, o engenheiro Yazan Aldehayyat explicou que o preço "é muito mais alto do que esperávamos" por causa da alta dos componentes, especialmente da memória RAM, que tem sido alvo de um crise global de fornecimento. Lawrence Yang, designer responsável, reforçou que a escassez afeta toda a cadeia produtiva, tornando impossível oferecer o dispositivo a um valor mais acessível no momento.
A Valve ainda publicou um comunicado no blog oficial, detalhando que o cálculo de preço inicial foi feito em 2023, quando se esperava que os custos dos componentes diminuíssem gradualmente. "Nos últimos meses, o cenário mudou drasticamente, principalmente para RAM e storage", afirma o texto. O mesmo problema já afetou o steam deck OLED, que viu seu preço subir até 46% nos últimos seis meses.
Como chegamos aqui
A história da Steam Machine remonta a 2013, quando a Valve tentou criar um console híbrido que unisse a biblioteca de jogos de PC com a praticidade de um aparelho de TV. O projeto original falhou por falta de suporte de desenvolvedores e por preços pouco competitivos. Em 2024, a empresa anunciou um reboot, prometendo um dispositivo mais barato e focado no mercado de entrada.
Entretanto, dois fatores externos comprometeram essa estratégia:
- Escassez de RAM: A demanda por memória de alta velocidade explodiu em data centers e dispositivos móveis, reduzindo a oferta para PCs de consumo.
- Problemas de supply chain: A guerra comercial entre China e EUA, combinada com a crise de semicondutores pós‑pandemia, elevou os custos de chips, placas‑mãe e armazenamento.
Essas pressões de preço foram refletidas nas declarações da Valve. Aldehayyat admitiu que "algumas pessoas vão ficar fora do alcance" e que a empresa prefere não especular sobre quando ou se os preços irão baixar. O próprio Valve reconheceu que o preço atual ainda oferece "bom custo‑benefício" quando comparado a PCs de entrada disponíveis no mercado, mas o entusiasmo dos consumidores brasileiros pode ser limitado pelo valor final.
O que vem depois
Para o público brasileiro, a principal questão é se a Steam Machine será competitiva frente a opções como o próprio Steam Deck, PCs customizados ou consoles tradicionais (PS5, Xbox Series X). Considerando a taxa de câmbio atual (aprox. R$5,30 por US$1) e os impostos de importação, o modelo base pode ultrapassar R$5.500, enquanto a versão premium pode chegar a R$7.500.
Alguns analistas apontam que a Valve pode lançar promoções regionais ou bundles com jogos para amortizar o preço. Outros sugerem que o futuro da Steam Machine dependerá da estabilização dos preços de RAM e SSDs, algo que ainda não tem horizonte definido.
Enquanto isso, a comunidade de gamers brasileiros tem se organizado em fóruns para trocar experiências de montagem de PCs de baixo custo que podem oferecer desempenho similar ou superior por um valor menor, ainda que exijam mais conhecimento técnico.
Para ficar no radar
Mesmo sem garantias de redução de preço, a Steam Machine traz alguns pontos que valem atenção:
- Integração nativa com SteamOS: Atualizações automáticas, modo Big Picture otimizado para TV e suporte a controle remoto.
- Design compacto: Corpo em metal escovado, possibilidade de painéis de madeira opcional e ventilação silenciosa.
- Compatibilidade com Steam Controller: Controle projetado para jogos de PC, com trackpads e gatilhos analógicos.
- Expansibilidade limitada: Slots de SSD M.2 e portas USB‑C, mas sem possibilidade de upgrade de GPU.
Se você está disposto a pagar o preço premium e prefere uma solução pronta‑para‑usar, a Steam Machine pode ser uma escolha interessante. Caso contrário, aguardar uma possível queda de preço ou montar um PC de entrada ainda pode ser a estratégia mais econômica.
"É muito perigoso especular agora", disse Aldehayyat. "Precisamos observar o mercado e esperar que os custos dos componentes se estabilizem".
Em resumo, a Valve lançou um produto que cumpre a promessa de trazer o ecossistema Steam para a sala de estar, mas o preço atual coloca a Steam Machine em uma zona de risco para muitos gamers brasileiros. Fique atento às próximas atualizações de preço e às promoções regionais antes de fechar a compra.


