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Stellantis aposta na condução sem mãos: o que a parceria com Mobileye pode mudar?

· · 4 min de leitura
Volante vazio, motorista relaxado com as mãos no colo, tela HUD exibindo ícones de assistência e logo Mobileye ao fundo
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Stellantis vai integrar a tecnologia Mobileye da Intel para habilitar condução nível 2 sem necessidade de manter as mãos no volante a partir de 2027. A parceria promete transformar a experiência de direção nos veículos das marcas Jeep, Chrysler, Dodge, Ram, Fiat e Peugeot, entre outras.

O que aconteceu

Na terça‑feira, Stellantis e Mobileye confirmaram que a primeira fase da colaboração terá início em 2027. A solução envolve o chip eyeq, responsável por processar dados de câmeras, radares e sensores, e o programa de crowdsourcing de dados chamado Road Experience Management (REM). Esse sistema coleta informações de veículos equipados com a tecnologia Mobileye para gerar um mapa 3d global em tempo real, permitindo que o carro mantenha a faixa e siga a estrada mesmo em trechos não demarcados, desde que as condições sejam adequadas.

Como chegamos aqui

O caminho até esse anúncio tem raízes em duas tendências principais: a corrida pela autonomia de nível 2 e a necessidade de infraestrutura de mapeamento que suporte veículos conectados. Desde 2016, a Mobileye vem evoluindo seu hardware, passando do primeiro EyeQ ao mais recente, que oferece maior capacidade de processamento e menor latência. A empresa também consolidou o REM, que já alimenta mapas de alta definição para vários fabricantes globais.

Para a Stellantis, a decisão chega em um momento de reestruturação de portfólio. Com a fusão que criou o grupo em 2021, a montadora passou a controlar um leque diversificado de marcas, mas ainda carecia de uma solução de condução autônoma própria. A alternativa de desenvolver internamente um sistema completo teria demandado bilhões de dólares e anos de P&D. Optar por licenciar a tecnologia da Mobileye permite acelerar a entrada no mercado de recursos avançados, alinhando‑se ao cronograma de lançamentos previstos para 2027‑2029.

O que vem depois

Com a integração planejada, os próximos passos incluem:

  • Teste em pista: protótipos equipados com EyeQ e REM serão avaliados em condições reais de tráfego, priorizando mercados onde a legislação permite condução nível 2.
  • Adaptação de modelos: as marcas Stellantis deverão adaptar suas linhas de produção para acomodar sensores adicionais, como câmeras frontais e laterais, além de lidar com requisitos de energia e conectividade.
  • Regulamentação: no Brasil, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) ainda não tem normas específicas para condução sem mãos. A expectativa é que, até 2026, haja um marco regulatório que abra caminho para testes controlados.
  • Experiência do consumidor: a promessa de “hands‑free, eyes‑on driving” será vendida como um diferencial de segurança, mas exigirá campanhas de educação para que motoristas compreendam limitações do sistema.

Para o público brasileiro, a novidade traz duas questões centrais: a disponibilidade de modelos equipados com a tecnologia e a adequação das vias urbanas a recursos como lane‑keeping em estradas sem marcações claras. Enquanto grandes centros como São Paulo e Rio de Janeiro ainda apresentam sinalização irregular, a capacidade de operar em “condições designadas” pode abrir espaço para uso em rodovias interestaduais, onde a demarcação costuma ser mais consistente.

Vale a pena?

Do ponto de vista do consumidor, a adoção de condução nível 2 pode representar um salto significativo em conforto e segurança, especialmente em tráfego intenso. No entanto, o valor agregado dependerá da implementação prática – se o sistema for robusto o suficiente para lidar com buracos, obras e clima tropical, e se a experiência de usuário for intuitiva.

Para a Stellantis, a parceria reduz riscos tecnológicos e posiciona o grupo como concorrente direto de outras montadoras que já oferecem recursos semelhantes, como a Tesla (Autopilot) e a Volkswagen (ID.4 com assistência de nível 2). O diferencial pode estar na amplitude de marcas sob o mesmo guarda‑roupa, permitindo que a tecnologia seja distribuída em diferentes faixas de preço.

Para ficar no radar

Se você acompanha o mercado automotivo, fique atento a três indicadores nos próximos meses:

  1. Data de início dos testes piloto em mercados regulados – anúncios da Stellantis sobre locais de teste podem sinalizar onde a tecnologia chegará primeiro.
  2. Atualizações de firmware da Mobileye – versões que ampliam a capacidade de reconhecimento de sinalização e condições climáticas serão críticas para o sucesso no Brasil.
  3. Reação da concorrência – movimentos de outras montadoras podem acelerar a corrida por padrões de mapeamento aberto, influenciando a interoperabilidade dos sistemas REM.

Em resumo, a aliança Stellantis‑Mobileye tem potencial para mudar a forma como dirigimos, mas a realidade brasileira ainda dependerá de infraestrutura, legislação e adaptação dos modelos ao terreno local.

Perguntas frequentes

Quando a Stellantis começará a usar a tecnologia Mobileye nos veículos?
A integração está prevista para iniciar em 2027, com testes em pista antes do lançamento comercial.
O que é o sistema EyeQ da Mobileye?
EyeQ é um chip de processamento que combina dados de câmeras, radares e sensores para habilitar recursos de condução autônoma nível 2.
Como o Road Experience Management (REM) funciona?
REM coleta dados de veículos equipados com a tecnologia Mobileye em tempo real, criando um mapa 3D global que auxilia na navegação e na manutenção de faixa.
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