Fato: Steve Hobbs propõe videogames como ferramenta de soft power na pax west 2026
Durante a edição de 2026 da PAX West e da Seattle Loves Indies and Creators Expo (SLICE), o secretário de Estado de Washington, Steve Hobbs, declarou que os videogames podem ser utilizados como "soft power" – um meio de influência cultural e econômica que complementa o poder militar tradicional.
Hobbs, veterano do Exército dos EUA e tenente-coronel da Guarda Nacional, destacou a importância de projetos culturais para reduzir tensões internacionais, citando sua própria experiência em Kuwait e Iraque. O discurso foi transmitido ao público presente nos estandes de desenvolvedores, incluindo a delegação "Games From Poland".
O conceito de soft power foi popularizado por Joseph Nye na década de 1980 e definido em 1990 como a capacidade de um país de atrair e co‑optar outros por meio de cultura, valores e políticas, ao contrário da coerção militar.
Contexto: por que importa
O argumento de Hobbs chega em um momento de intensificação da competição geopolítica, que ele descreveu como "uma nova Guerra Fria". Países como a China já utilizam estratégias de soft power para expandir sua influência cultural, enquanto a Arábia Saudita tem investido pesado em estúdios de videogame por meio do Public Investment Fund (PIF), visto como um esforço de diplomacia cultural.
Nos Estados Unidos, o financiamento de iniciativas culturais tem sido alvo de cortes recentes – o governo Trump, citado por Hobbs, reduziu recursos para a Voice of America, o Serviço Florestal, a NOAA e agências de pesquisa como NIH e NSF. Essa retração pode impactar a capacidade do país de projetar sua cultura globalmente.
Ao apontar o sucesso de cd projekt red e sua franquia the witcher como exemplo de exportação cultural polonesa, Hobbs reforçou que jogos são veículos eficazes para difundir narrativas nacionais e criar laços econômicos.
Além do aspecto diplomático, a indústria de videogames representa um dos setores de crescimento mais rápido da economia americana, com receitas superiores a US$ 200 bilhões em 2025. A adoção de políticas que incentivem o desenvolvimento local pode gerar empregos, atrair investimentos estrangeiros e fortalecer a cadeia produtiva regional.
Reação dos fãs/mercado
O discurso de Hobbs gerou respostas variadas entre desenvolvedores, analistas e o público geral:
- Desenvolvedores independentes — Muitos viram a proposta como reconhecimento da importância cultural de seus projetos, mas expressaram preocupação sobre possíveis pressões políticas ao conteúdo.
- Grandes estúdios — Alguns executivos enxergaram oportunidade de acesso a incentivos estaduais e federais, especialmente em estados com forte presença de produção de jogos, como Washington.
- Analistas de mercado — Observadores apontaram que a ideia de soft power pode atrair capital de investidores estrangeiros que buscam associar suas marcas a valores democráticos e criativos.
- Comunidade gamer — Reações nas redes sociais variaram entre apoio ao reconhecimento da indústria como agente cultural e ceticismo quanto à politização dos jogos.
Especialistas em política cultural, como a socióloga Katherine Cross, destacaram que a ênfase em soft power pode mudar a percepção de empregos criativos como estratégicos para a segurança nacional, criando novos caminhos de financiamento público‑privado.
O que esperar
Com base nas declarações de Hobbs, alguns desdobramentos podem surgir nos próximos meses:
- Políticas de incentivo — O governo de Washington pode propor créditos fiscais ou subsídios específicos para estúdios que desenvolvam projetos com potencial de exportação cultural.
- Parcerias internacionais — Expectativa de acordos de cooperação entre estúdios norte‑americanos e estrangeiros, semelhantes ao apoio a desenvolvedores poloneses na PAX West.
- Debate regulatório — Discussões sobre limites de conteúdo quando jogos são usados como ferramenta diplomática, possivelmente envolvendo órgãos como a FCC.
- Impacto nos investimentos — O PIF e outras entidades estrangeiras podem intensificar seus investimentos em estúdios norte‑americanos, buscando associar-se a narrativas de soft power.
Para os desenvolvedores, a mensagem central de Hobbs é clara: criar experiências que ressoem culturalmente pode gerar não apenas lucro, mas também relevância geopolítica. O desafio será equilibrar a expressão artística com possíveis expectativas de alinhamento político.
Para ficar no radar
Os próximos passos da administração de Washington ainda não foram detalhados, mas a comunidade deve ficar atenta a:
- Leis estaduais que incluam benefícios fiscais para projetos de jogos com foco internacional.
- Iniciativas de capacitação e incubadoras promovidas por agências de desenvolvimento econômico.
- Eventos de networking entre desenvolvedores e representantes diplomáticos nos próximos GDC e Game Developers Conference.
Enquanto isso, a discussão sobre o papel dos videogames na diplomacia continuará a evoluir, refletindo a crescente intersecção entre cultura digital e política internacional.
FAQ
- O que significa "soft power" no contexto dos videogames? Soft power refere‑se à capacidade de influenciar outros países por meio de cultura e valores, ao invés de coerção militar. Nos videogames, isso se traduz em usar narrativas e mecânicas para promover ideias e criar afinidades internacionais.
- Quais benefícios fiscais os desenvolvedores de Washington podem esperar? Ainda não há detalhes oficiais, mas a proposta de Hobbs sugere possíveis créditos fiscais, subsídios diretos e apoio a incubadoras para projetos com potencial de exportação cultural.
- Como a política dos EUA pode mudar o financiamento de projetos culturais? Se a iniciativa de soft power avançar, pode haver um aumento no orçamento destinado a artes digitais, ao contrário dos cortes recentes em programas como a Voice of America.


