O final da 4ª temporada de Star Trek: Strange New Worlds encerra o ano com uma viagem no tempo que transforma a morte mais clichê da franquia — o console explodindo na cara do tripulante — em homenagem deliberada a The Next Generation. No episódio "Tomorrow's enterprise", scotty (Martin Quinn) morre exatamente assim, mas a série usa o trope para comentar sobre a própria história de Star Trek.
O que acontece no final da 4ª temporada de Strange New Worlds?
O episódio "Tomorrow's Enterprise" coloca a Enterprise a observar um "buraco branco" — fenômeno cósmico real, oposto teórico do buraco negro. A nave do futuro, já sob comando do Capitão kirk (Paul Wesley), observa o buraco negro do outro lado, entrelaçando as duas linhas temporais. Quando a Uhura do futuro (Celia Rose Gooding) e Scotty investigam, são atingidos por uma luz ofuscante. Uhura acorda de volta no presente e descobre que Scotty está morto há um ano.
Como Scotty morre no episódio?
Nos minutos finais, vemos a morte: Scotty está sentado em uma estação na ponte da Enterprise quando um console explode em seu rosto, matando-o instantaneamente. A cena é intencionalmente cômica para fãs veteranos, pois consoles explodindo são a marca registrada das mortes de "redshirt" — os oficiais de segurança de camisa vermelha tratados como descartáveis na série original.
Por que a morte de console explodindo é um clichê em Star Trek?
Desde A Série Original, oficiais de segurança usavam camisas vermelhas e morriam com frequência absurda. O termo "Redshirt" virou gíria pop para personagem descartável. O trope "Instrumentação Explosiva" (Explosive Instrumentation) cataloga eletrônicos que explodem para efeito dramático. Em batalhas espaciais, consoles faíscam e arremessam tripulantes pelo ar — mas quase nunca matam protagonistas. Scotty usar camisa vermelha e morrer assim é a piada interna perfeita.
Qual a referência a "Yesterday's Enterprise" de The Next Generation?
O título "Tomorrow's Enterprise" já sinaliza a homenagem. No clássico de TNG, a Enterprise-D de um futuro alternativo perde para klingons e Riker (Jonathan Frakes) morre quando um console explode em seu rosto. A morte brutal e sem cerimônia sublinha o desespero daquela linha temporal — que acaba apagada. Scotty morre da mesma forma, mas sua morte também é reescrita: aliens avançados vivendo no buraco branco/negro o ressuscitam a pedido das duas Uhuras.
Quem são os aliens que ressuscitam Scotty?
Entidades vivendo no interior do buraco branco/negro, apresentadas como seres superiores que manipulam o tempo. A solução funciona como deus ex machina — intervenção divina para resolver o enredo — algo que Star Trek já fez antes com os Profetas do buraco de minhoca em Deep Space Nine e o próprio Ben Sisko.
O que isso muda para a série?
O episódio brinca com a expectativa do público: fãs sabem que Scotty não morreria permanentemente (o personagem existe na linha do tempo original). Ao matar o engenheiro da forma mais ridícula possível e depois revertê-la com seres cósmicos, Strange New Worlds assume o absurdo do trope e o transforma em metalinguagem. Não é apenas fanservice — é crítica ao próprio histórico da franquia de tratar tripulantes secundários como carne para canhão.
Datas e o que vem depois
A 4ª temporada de Star Trek: Strange New Worlds está disponível no Paramount+. A renovação para uma 5ª temporada já foi confirmada pelo streaming, mas data de estreia ainda não foi anunciada. O final deixa a tripulação intacta e a Enterprise pronta para novas missões — agora com um Scotty que sabe, melhor que ninguém, o perigo de sentar perto de um console durante combate.


