Hoje comemoramos 11 anos de super mario maker, o título que, ao colocar as ferramentas de criação nas mãos dos fãs, transformou a dificuldade dos níveis e mudou para sempre a forma como os speedruns são feitos. Desde o seu lançamento para Wii U, o jogo tem sido palco de desafios que beiram o impossível, gerando uma cultura de competição tão feroz quanto criativa.
Por que Super Mario Maker ainda é considerado o jogo mais difícil?
A resposta não está apenas nos chefões ou nas fases clássicas; está na liberdade que o jogo oferece. Quando a Nintendo entregou um editor de níveis simples, poucos imaginaram que jogadores usariam essa simplicidade para criar armadilhas mortais, combinações de blocos e padrões de inimigos que exigem timing milissegundo. Diferente dos títulos originais, que eram testados para serem desafiadores mas completáveis, os níveis de Mario Maker são tão cruéis quanto a imaginação dos criadores permite.
Além disso, a ausência de limites claros – como vidas ou tempo – fez com que os criadores pudessem focar exclusivamente na perfeição técnica. O resultado são cursos que exigem reflexos sobre-humanos, memorização de sequências de pulo e, muitas vezes, a paciência de quem tenta centenas de vezes antes de conseguir avançar.
Como o modo de criação de níveis mudou os speedruns?
Antes de Super Mario Maker, speedruns eram essencialmente corridas por jogos lançados oficialmente. A partir de 2015, a comunidade passou a buscar "world records" em níveis criados por outros usuários, criando uma subcultura de "speedrun de fan‑made". Essa mudança trouxe duas consequências importantes:
- Variedade infinita: cada nível pode introduzir mecânicas novas ou combinações inesperadas, forçando os speedrunners a adaptar estratégias em tempo real.
- Competição de criação: não basta ser rápido; é preciso ser engenhoso. Muitos criadores projetam níveis que só podem ser batidos por jogadores que dominam técnicas avançadas, como o "wall‑jump" em blocos de gelo ou o "shell‑skip" em áreas repletas de Koopas.
Esses fatores elevaram o patamar das maratonas de speedrun, tornando-as eventos de espetáculo onde a criatividade dos criadores e a habilidade dos corredores se encontram.
Quais foram os momentos mais marcantes de dificuldade nos 11 anos?
Alguns níveis se tornaram lendas dentro da comunidade, quase como "chefões" invisíveis. Entre eles, destacam‑se:
- “The Gauntlet of Death” – um percurso de 6 minutos repleto de plataformas que desaparecem a cada segundo, exigindo precisão absoluta.
- “Flame Fury” – um labirinto onde bolas de fogo giram em padrões que só podem ser evitados com timing de milissegundos.
- “Invisible Staircase” – combinações de blocos invisíveis que só são revelados ao pular, testando a memória espacial do jogador.
Esses níveis não só desafiaram speedrunners, mas também inspiraram criadores a ultrapassar os limites do que um nível “justo” pode ser. Vídeos de jogadores finalmente completando esses cursos são assistidos milhões de vezes, provando que a frustração pode se transformar em celebração.
O que o futuro reserva para a série?
Apesar de o Wii U ter sido um fracasso comercial, Super Mario Maker sobreviveu e ganhou uma sequência para Nintendo Switch em 2019, trazendo novas ferramentas como blocos de serpente e superfícies escorregadias. A comunidade ainda está viva, e rumores de um Super Mario Maker 3 circulam, embora ainda não confirmados.
Se um novo título surgir, podemos esperar ainda mais liberdade criativa: talvez suporte a multiplayer de criação em tempo real, ou integração com plataformas de streaming para que espectadores influenciem o nível enquanto ele é jogado. Esses recursos poderiam transformar o ato de criar e competir em algo ainda mais interativo.
Onde isso pode dar
A aposta da redação é que Super Mario Maker continuará a ser o laboratório de experimentos de design de níveis dentro da cultura gamer. Enquanto os desenvolvedores de grandes estúdios ainda lutam para equilibrar acessibilidade e desafio, a comunidade de criadores demonstra que a dificuldade extrema tem seu público e pode gerar conteúdo viral por anos.
Se a Nintendo decidir apostar em um terceiro título, o potencial para inovar — seja com realidade aumentada, integração de IA para gerar obstáculos dinâmicos, ou modos cooperativos de criação — pode redefinir novamente o que significa “jogo difícil”. Até lá, os fãs continuam a subir a escada de blocos, a esquivar das chamas e a registrar novos recordes, mantendo viva a chama de um dos capítulos mais perversos da história dos Mario.
Super Mario Maker 2 Review: Creative and Cohesive


