O filme supergirl estreou em 26 de junho de 2026 e dividiu opiniões: enquanto alguns elogiaram a atuação de Milly Alcock, críticos apontaram falhas narrativas e visuais que deixaram o público confuso. Três ideias presentes no arco "Woman of Tomorrow" da dc comics foram descartadas, e a ausência delas pode explicar boa parte das críticas negativas.
ruthye como narradora: por que mudar a perspectiva poderia ter sido revolucionário?
No quadrinho, a história é contada pelos olhos de Ruthye Marye Knoll, uma adolescente que testemunha a violência do seu planeta natal. Essa escolha cria um contraste potente entre a inocência de Ruthye e a experiência de Kara (Supergirl). No filme, Ruthye aparece como coadjuvante, mas a narrativa volta a ser centrada em Kara, perdendo a oportunidade de explorar o impacto emocional da heroína sobre a jovem sobrevivente.
Uma estrutura em que Ruthye narra o passado, refletindo sobre o presente, teria trazido:
- Um ponto de vista mais humano e vulnerável, alinhado ao gosto brasileiro por histórias que mesclam ação e drama pessoal.
- Uma justificativa para cenas de flashback sem parecer forçado, já que a própria Ruthye os recontaria.
- Um potencial para aprofundar temas como trauma, vingança e redenção, tópicos que ressoam bem com o público de séries como "The Last of Us".
Embora a mudança de foco pudesse gerar controvérsia – o filme ainda seria "Supergirl" – a camada extra de empatia teria enriquecido a experiência, especialmente para fãs que buscam narrativas mais complexas.
paleta de cores vibrante: como o visual poderia ter contrastado com o tom sombrio da trama?
Um dos pontos mais criticados foi a estética cinzenta e monótona do longa. Enquanto o roteiro aborda temas pesados como tráfico infantil, a cinematografia não oferece alívio visual. Nos quadrinhos, a paleta é deliberadamente brilhante, usando cores saturadas para criar um contraste entre a esperança da heroína e a escuridão do universo ao seu redor.
Adotar essa abordagem visual teria trazido benefícios claros:
- Destacar momentos de esperança e resistência, algo que o público brasileiro costuma valorizar em produções de super-heróis.
- Aliviar a carga emocional das cenas mais sombrias, evitando que o filme se torne visualmente opressivo.
- Explorar a diversidade de planetas visitados por Kara, oferecendo um espetáculo visual que poderia se tornar marca registrada da franquia.
Além de ser esteticamente mais atraente, a escolha de cores vibrantes poderia ter sido um recurso narrativo para equilibrar o peso temático, algo que críticos apontaram como faltante.
krem: a decisão de vida ou morte que mudou o rumo da história
No quadrinho, Kara tem a opção de poupar a vida de Krem, um vilão que representa o lado mais sombrio da guerra intergaláctica. Essa escolha demonstra a maturidade de Kara, que prefere não perpetuar o ciclo de violência. No filme, a decisão foi invertida: Kara mata Krem enquanto Ruthye acredita que ele foi poupado, gerando uma reviravolta que muitos consideraram forçada.
Manter a decisão original teria trazido:
- Um arco de personagem mais coerente, reforçando a mensagem de que a força de uma heroína está em sua capacidade de perdoar.
- Um conflito interno mais profundo para Ruthye, que teria que lidar com a própria sede de vingança.
- Um final menos violento, alinhado ao tom otimista que a DC costuma adotar em suas histórias de super-heroínas.
Ao escolher a solução mais violenta, o filme acabou por simplificar um dilema moral complexo, perdendo a oportunidade de gerar discussões mais maduras entre o público.
Vereditos: o melhor pra cada perfil
Para quem acompanha a DC com afinco, a ausência desses três conceitos deixa o filme aquém do potencial. Contudo, a recepção varia conforme o tipo de fã:
- Fã de narrativa profunda: a perspectiva de Ruthye seria o ponto alto, oferecendo uma história que vai além da típica batalha de poderes.
- Entusiasta visual: a paleta de cores vibrante teria transformado o filme em um espetáculo visual, rivalizando com produções como "guardians of the galaxy".
- Defensor da moral heroica: a decisão de poupar Krem reforçaria a mensagem de que a verdadeira força está em escolher a compaixão.
Infelizmente, o filme optou por caminhos mais convencionais, o que pode explicar a divisão entre críticos e fãs.
O que falta saber
Até o momento, os produtores não confirmaram se haverá algum tipo de edição especial ou sequência que recupere esses elementos abandonados. A comunidade de fãs já pede que futuros projetos da DC considerem essas falhas como lições, especialmente para o mercado brasileiro, que valoriza histórias bem estruturadas e visualmente marcantes.
Enquanto isso, a discussão continua nos fóruns e nas redes sociais, alimentando a esperança de que a próxima fase do DCU traga uma Supergirl mais alinhada com as raízes dos quadrinhos.


