TL;DR: A roteirista Ana Nogueira mudou o final de Supergirl ao interpretar erroneamente a conclusão da HQ Supergirl: Woman of Tomorrow, resultando em uma cena de morte que nunca ocorreu nos quadrinhos.
Quem é Ana Nogueira e qual foi seu papel no filme Supergirl?
Ana Nogueira é a escritora creditada por adaptar a série Supergirl ao formato cinematográfico. Seu currículo inclui trabalhos em séries de TV e projetos de streaming, mas Supergirl foi seu primeiro grande envolvimento com o universo DC. Nogueira foi responsável por transformar o arco narrativo da HQ Supergirl: Woman of Tomorrow – escrita por Tom King e ilustrada por Bilquis Evely – em roteiro de filme, tomando decisões sobre quais cenas seriam mantidas, cortadas ou reescritas.
Qual era o final original da HQ Supergirl: Woman of Tomorrow?
Na edição final da HQ, a história se concentra em duas personagens centrais: Kara Zor-El (Supergirl) e Ruthye, uma adolescente que perdeu o pai para o vilão Krem. O desfecho ocorre após um salto temporal de décadas. Ruthye, já idosa, recebe a visita de Supergirl, que pretende levar Krem à justiça. Krem, arrependido, pede perdão a Supergirl e a Ruthye. Ruthye, ainda alimentada por ódio, golpeia Krem com sua bengala, mas o ato não o mata; ele permanece vivo, segurando a cabeça, enquanto Ruthye se afasta. O ponto crucial é que Ruthye nunca mata Krem – ele sobrevive, e a cena enfatiza o tema de que a vingança não traz cura.
Por que Ana Nogueira mudou esse final no filme?
Em entrevista à Variety, Nogueira explicou que a decisão partiu de duas premissas: primeiro, o salto temporal seria complexo de adaptar visualmente; segundo, ela acreditava que o encerramento da HQ era "muito sombrio" porque, segundo sua leitura, Ruthye teria matado Krem. Nogueira disse: "Eu achei que o final era um ato de justiça brutal, onde a personagem finalmente se vingava". Essa interpretação equivocada levou a equipe a escrever uma cena em que Supergirl executa o disparo fatal contra Krem, ao contrário da intenção original da HQ.
Como a mudança afetou a narrativa do filme?
A escolha de fazer Supergirl matar Krem alterou drasticamente o arco de redenção estabelecido nos quadrinhos. Na HQ, a mensagem central é que a busca por vingança perpetua o ciclo de violência; Supergirl protege Ruthye de repetir esse erro. No filme, ao colocar Supergirl como executora, a história perde a lição de empatia e, em vez disso, reforça um final mais violento. Críticos apontam que essa alteração "destrói" o desenvolvimento de Ruthye, que, nos quadrinhos, aprende a não se tornar como seu pai assassino.
O que Tom King e Bilquis Evely disseram sobre a interpretação equivocada?
Durante o episódio de 2024 do Comic Book Couples Counseling Podcast, Tom King afirmou categoricamente que o final da HQ não era ambíguo: "Krem está vivo. Ele segura a cabeça, mas não morre. Ruthye não o perdoa, apenas o golpeia". Bilquis Evely, coautora da arte, corroborou que a intenção era mostrar a persistência da raiva de Ruthye, não sua redenção através da morte do vilão. Ambos criticaram a mudança como uma "falha de compreensão" que comprometeu a integridade da história.
Quais foram as reações do público e da crítica ao final alterado?
Após o lançamento, fãs e críticos dividiram-se em duas frentes principais:
- Descontentamento da base de fãs: Comentários em fóruns como ComicBook Forum apontaram que a cena de morte parecia forçada e contradizia o arco de crescimento de Ruthye.
- Análise de especialistas: Artigos em revistas de cultura geek destacaram que a escolha de Nogueira refletiu um padrão recorrente de adaptações que privilegiam ação sobre nuance temática.
Ambas as perspectivas convergem para a conclusão de que a falta de comunicação entre a equipe de roteiristas e os criadores da HQ resultou em uma decisão narrativa que não ressoa com o material de origem.
O que poderia ter sido feito para preservar o final original?
Uma abordagem mais fiel exigiria:
- Consultoria direta com Tom King e Bilquis Evely durante o processo de roteiro.
- Uso de flashbacks ou narração interna para explicar o salto temporal sem sobrecarregar o espectador.
- Manter a cena da bengala como um gesto simbólico, sem a necessidade de matar Krem.
- Enfatizar o diálogo entre Supergirl e Ruthye sobre justiça versus vingança, reforçando o tema central da HQ.
Essas medidas teriam permitido que o filme preservasse a mensagem original enquanto ainda entregava ação e drama visual.
Datas e o que falta saber sobre futuras adaptações de Supergirl
Até o momento, não há confirmação oficial de novos projetos de Supergirl dentro do DCU que abordem Woman of Tomorrow. A Warner Bros ainda não anunciou planos de retomar a história com ajustes que corrijam o erro de interpretação. Fãs aguardam anúncios oficiais que possam alinhar futuras adaptações com o material original, possivelmente envolvendo os próprios criadores da HQ.
Onde isso pode dar para a DC e o cinema de super-heróis?
O caso Supergirl destaca um ponto crítico para estúdios que adaptam quadrinhos: a necessidade de compreensão profunda das fontes. Falhas como essa podem gerar descontentamento e minar a confiança dos fãs. Se a DC quiser manter sua reputação, precisará investir em equipes de roteiristas que dialoguem diretamente com os autores de quadrinhos, garantindo fidelidade temática e evitando decisões precipitadas que comprometam a integridade das histórias.


