Em 22 de setembro de 1995, The Return of the Texas Chainsaw Massacre estreou em míseros 27 cinemas nos EUA com Renée Zellweger e Matthew McConaughey no elenco — dois anos antes de Jerry Maguire e Tempo de Matar transformá-los em estrelas. O filme arrecadou US$ 44 mil, desapareceu, voltou em 1997 com novo título e faturou US$ 185 mil no total, a pior bilheteria da franquia. Hoje roda de graça no Tubi e Plex.
O que aconteceu
Kim Henkel, co-roteirista do original de 1974, juntou entre US$ 600 mil e US$ 1 milhão, chamou atores locais desconhecidos e filmou nas noites úmidas do Texas. Zellweger tinha feito uma ponta em Dazed and Confused (no Brasil, Jovens, Loucos e Rebeldes) e McConaughey pegava comerciais e figurções. O resultado? Leatherface (Robert Jacks) gritando de batom e vestido, trocando de personalidade conforme a máscara. Vilmer (McConaughey) usa uma perna mecânica controlada por controle remoto. A família canibal para para comer pizza. Ninguém morre de serra elétrica num filme chamado Chainsaw Massacre. No final, surge Rothman num carro com "Illuminati Wrecking" escrito na lateral, revelando que a família trabalha para uma sociedade secreta milenar que acredita que o terror gera "experiência transcendental". Henkel assumiu: "é implícito que os Illuminati estavam por trás da família".
Como chegamos aqui
O teste de mercado em Atlanta, Orlando e Portland rendeu US$ 44.272. Columbia TriStar comprou os direitos de vídeo por US$ 1,3 milhão prometendo lançamento largo com 1.000 cópias e US$ 500 mil em marketing. A data pulou de julho de 1996 para janeiro de 1997 e... nada. Enquanto isso, McConaughey explodiu em Tempo de Matar e Zellweger em Jerry Maguire. O produtor Robert Kuhn achou que o estúdio segurou o filme de propósito até Jerry Maguire estrear. Os detentores dos direitos da franquia discordaram e foi parar na justiça.
Primeiro processo: começo de 1997, contra Kuhn e Henkel pelo lançamento sumido. Arquivado quando o estúdio invocou arbitragem. Segundo processo: fim de 1997, citando McConaughey e a CAA (agência dele), alegando pressão para limitar o lançamento e não lucrar com a nova fama dele. A justiça deu razão a McConaughey e à CAA — a acusação de que ele enterrou o filme nunca foi provada. Ele disse em 1996: "Não tenho vergonha nenhuma. Foi trabalho honesto e divertido quando eu tava aprendendo como filme funciona". Zellweger foi direta: "Não tenho poder pra fazer isso, mesmo se quisesse. Gosto do filme".
O lançamento finalmente saiu em 29 de agosto de 1997 como Texas Chainsaw Massacre: The Next Generation. A bilheteria combinada de US$ 185.898 continua a menor da franquia. O blu-ray de 2018 nem colocou os dois na capa.
O que vem depois
- Zellweger ganhou Oscar de Atriz Coadjuvante por Cold Mountain (2004) e Atriz por Judy (2020)
- McConaughey levou Ator por Clube de Compras Dallas (2014)
- A24 comprou os direitos da franquia em 2024 e planeja filme novo e série
- Glen Powell produz, Kim Henkel volta como produtor três décadas depois
- O filme de 1995 tá no Tubi e Plex de graça; Blu-ray de 2018 tem extras
Datas e o que fica no radar
A A24 ainda não anunciou data pro reboot nem elenco. Henkel envolvido é sinal de que a essência caótica pode voltar — ou não, já que o estúdio costuma dar liberdade total pros diretores. O que sabemos: a franquia que começou com US$ 600 mil e dois desconhecidos num Winnebago emprestado (maquiagem nos bancos da frente, cabelo na mesa do meio, Zellweger trocando de vestido de formatura no escuro) agora tem orçamento de estúdio grande e produtor de Top Gun: Maverick no comando. McConaughey contou que pegou uma colher de sopa na cozinha do teste, encostou a secretária de elenco na parede fingindo que era arma e Henkel só disse "tá bom". Zellweger definiu: "Era ridículo. Cinema kamikaze". Trinta anos depois, continua sendo a entrada mais estranha — e talvez a mais honesta — de uma saga que nunca soube o que fazer com o próprio legado.


