thatgamecompany, o estúdio por trás de journey e Sky: children of the light, acaba de anunciar sua própria editora: a thatgamepublisher. O braço de publicação será financiado integralmente pelos lucros de Sky e já assinou "alguns" projetos — ainda sem lançamentos confirmados. A grande diferença para fundos como Outersloth (da Innersloth, criadora de among us) e Evil Landfall (da Landfall, de peak) é o modelo full-service: além de capital, oferecem marketing, comunidade e estratégia.
O que é a thatgamepublisher e de onde vem o dinheiro?
A thatgamepublisher é a nova divisão de publicação da thatgamecompany, anunciada em agosto de 2026. O capital vem exclusivamente dos lucros de Sky: Children of the Light, o jogo mobile/social free-to-play que se tornou um fenômeno de receita recorrente. Jenova Chen, cofundador do estúdio, explicou ao GamesIndustry.biz que o padrão é comum: jogos indie de sucesso geram caixa excedente, mas a equipe não quer virar uma corporação de milhares de pessoas. Investir em outros jogos indie é o caminho natural.
Qual o foco editorial da nova editora?
"Jogos emocionalmente ambiciosos." É assim que SJ Xue, head da thatgamepublisher, define o mandato. Não há restrição de gênero, plataforma, tamanho de equipe ou estágio do projeto — protótipos são bem-vindos. O critério é se o jogo busca "território emocional significativo" e usa a interatividade para levar o jogador até lá. A filosofia ecoa o DNA da thatgamecompany: experiências que priorizam sentimento sobre mecânica pura.
Como o modelo difere de Outersloth e Evil Landfall?
Outersloth (Innersloth/Among Us) e Evil Landfall (Landfall/Peak) operam estritamente como fundos: aportam capital, não prometem serviços adicionais. A thatgamepublisher se posiciona como "full-service publisher": funding + marketing + community + estratégia. Para um desenvolvedor solo ou equipe pequena sem estrutura de go-to-market, isso pode valer mais que o cheque em si. O trade-off: termos de deal variam caso a caso, e a editora terá voz ativa na direção do projeto.
Quais jogos já foram assinados?
Nenhum título foi revelado. Xue disse apenas que "um par" de jogos já está sob contrato, mas nenhum lançado. Dado o critério de "território emocional significativo", espere anúncios de projetos com forte identidade autoral — possivelmente jogos narrativos, experimentais ou com multiplayer assimétrico/cooperativo, marcas registradas da casa.
Por que estúdios indie de sucesso estão virando publishers?
Chen resume: "Jogos indie de sucesso geralmente nascem com orçamento apertado. Se explodem, de repente há sobra de caixa. Mas você é uma equipe pequena fazendo jogos, não quer virar empresa de milhares de pessoas. E não dá para gastar o dinheiro em outra coisa. Investir em outros jogos indie é escolha natural." É o ciclo de Among Us, Peak, palworld e agora Sky: sucesso financeiro → capital ocioso → reinvestimento no ecossistema que os criou.
O que isso muda para desenvolvedores brasileiros?
Em tese, a thatgamepublisher está aberta a "equipes de qualquer tamanho, projetos em qualquer estágio" — o que inclui estúdios do Brasil. O desafio prático: como uma editora sediada nos EUA, com foco em "território emocional", avalia pitches de fora do eixo tradicional? Não há escritório local, nem programa dedicado. Quem quiser tentar deve preparar um pitch que fale a língua deles: protótipo jogável, visão emocional clara e prova de que a interatividade é o veículo certo para aquela experiência.
O lado que ninguém está vendo
O risco não dito: a thatgamecompany sempre fez jogos próprios, com controle total sobre ritmo, escopo e visão. Publicar terceiros exige gestão de expectativas, mediação criativa e tolerância a falhas alheias — músculos que o estúdio nunca precisou exercer em escala. Se a thatgamepublisher replicar o cuidado artesanal de Journey em cada projeto assinado, o portfólio será pequeno e lento. Se escalar para justificar o investimento de Sky, corre o risco de virar mais uma editora genérica com branding bonito. O primeiro jogo lançado sob o selo vai ditar qual das duas thatgamepublisher veremos.


