TL;DR: O teleplay The Cube, criado por Jim Henson em 1969, antecipa o estilo de black mirror ao colocar um objeto tecnológico inquietante no centro de uma trama sobre identidade e controle.
Fato: The Cube foi produzido para a antologia "Experiment in Television" da NBC
Em 1969, a NBC lançou a série experimental Experiment in Television, que reunia curtas de ficção, documentários e ensaios visuais. Foi nesse ambiente que Jim Henson – mais conhecido pelos Muppets – apresentou The Cube, um teleplay sem marionetes, ambientado em um futuro próximo onde um cubo metálico controla a percepção dos personagens.
O episódio, dirigido por John C. Jones (não confundir com o diretor de cinema), traz um elenco de atores desconhecidos que, ao tocar o cubo, passam a experimentar alucinações e perder a noção de realidade. A narrativa se desenrola como um thriller psicológico, onde o objeto serve tanto como metáfora quanto como vilão literal.
Contexto: por que importa
Embora Henson seja lembrado por Dark Crystal e The Muppets, The Cube revela um lado mais sombrio e experimental do criador. O teleplay se alinha a duas tendências que só ganharam força décadas depois:
- Crítica à tecnologia: O cubo funciona como precursor dos dispositivos inteligentes que, na ficção contemporânea, revelam o lado obscuro da conectividade.
- Formato antológico: Assim como Black Mirror (Netflix, 2011), The Cube conta uma história fechada, permitindo que o público reflita sem necessidade de continuidade.
Além disso, a própria série Experiment in Television já havia apresentado Marshall McLuhan explicando que "o meio é a mensagem", reforçando a ideia de que o formato televisivo já era parte da crítica.
Reação dos fãs/mercado
O episódio foi praticamente esquecido até a redescoberta de arquivos da NBC nos anos 2000. Desde então, colecionadores de mídia vintage e fãs de Henson começaram a discutir sua relevância. No Reddit, por exemplo, usuários compararam The Cube a episódios de Black Mirror como "White Bear" e "Playtest", apontando a similaridade de temas: vigilância, manipulação da mente e a perda de autonomia.
Do ponto de vista comercial, a falta de direitos claros impede um relançamento oficial, mas serviços de streaming especializados em conteúdo retro têm buscado licenciar a obra. Enquanto isso, o mercado de memorabilia – posters, scripts e até réplicas do cubo – tem apresentado leilões com preços que variam de US$ 150 a US$ 800, dependendo da condição.
O que esperar
Se a tendência de revisitar obras "pré-Black Mirror" continuar, The Cube pode ganhar nova vida em formatos como:
- Restauro 4K para plataformas de streaming niche.
- Adaptação em curta-metragem de animação, aproveitando o legado visual de Henson.
- Inclusão em curtas antológicos de canais como Adult Swim, que adoram experimentos de mídia.
Além disso, a discussão acadêmica sobre a influência de Henson na narrativa de ficção científica ainda está em fase inicial. Artigos recentes sugerem que The Cube pode ser citado como antecedente de obras como Westworld (HBO) e Devs (FX), reforçando seu papel como ponte entre a TV experimental dos anos 60 e a era do streaming.
Onde isso pode dar
O impacto potencial de The Cube vai além de uma curiosidade histórica. Ele demonstra que a crítica à tecnologia já estava no imaginário cultural muito antes da explosão das redes sociais. Se a obra for devidamente restaurada e divulgada, pode inspirar novos criadores a explorar formatos curtos e provocativos, reforçando a ideia de que a televisão ainda tem espaço para experimentação ousada.
Para a comunidade geek, a redescoberta de The Cube representa um convite: revisitar o passado pode revelar ideias que ainda não foram totalmente exploradas. E, quem sabe, o próximo episódio de Black Mirror pode nascer diretamente da influência de um cubo de 1969.

