A FromSoftware confirmou que The Duskbloods chega em 2026 exclusivamente ao nintendo switch 2. Em entrevista coletiva antes do teste de rede, Hidetaka Miyazaki — presidente e diretor do estúdio — corrigiu o rótulo de "PvPvE" dado no anúncio: o jogo não é um extraction shooter. A partida gira em torno de "virtudes" (pontos de vitória) que podem ser obtidas por combate, posicionamento ou eventos de role-playing, reduzindo o peso da habilidade pura no resultado final.
O que aconteceu
A AUTOMATON participou de uma entrevista conjunta com Miyazaki dias antes do network test programado. O diretor abriu o jogo sobre a estrutura das partidas: até oito jogadores controlam bloodsworn — uma raça vampírica com inteligência, filosofia e cultura próprias, não meros monstros — em quatro fases eliminatórias. Quem acumula poucas Virtudes cai fora. Os três finalistas decidem o vencedor em duelo PvP ou unindo forças contra um chefe PvE, opção que o build de teste não inclui.
Miyazaki foi direto ao ponto sobre o termo PvPvE: "usado simplesmente para descrever que o jogo contém tanto PvP quanto PvE". A comparação com extraction shooters, segundo ele, vem da associação atual do rótulo, mas a jogabilidade difere radicalmente. O sistema de Virtudes, inspirado em jogos de tabuleiro — a equipe apelidou internamente uma mecânica de "Longest Road", referência a catan —, permite vitórias via estratégia, não só reflexos.
Três pilares sustentam a acessibilidade: o próprio sistema de Virtudes, o role-playing com "papéis" (roles) que geram diálogos únicos e fragmentos de história, e a progressão no hub — segundo andar habitado por NPCs, customização de habilidades, máscaras, tatuagens e destino do personagem. Nada disso exige vencer partidas online.
Como chegamos aqui
A origem do projeto antecede elden ring nightreign. Miyazaki revelou que a coincidência de cronogramas gerou perguntas sobre mudança de estratégia do estúdio, mas negou: "não é como se nossa estratégia tivesse mudado e agora vamos focar principalmente em jogos online". A ideia nasceu de um acúmulo de conceitos desde Demon's Souls e Dark Souls, especialmente os Pactos (Covenants), sistemas online difíceis de encaixar em jogos majoritariamente single-player.
A estética gótica vitoriana do primeiro mapa reflete o motivo vampírico dos Bloodsworn. Porém, o jogo abrange três mapas no lançamento, cada um em um "crepúsculo" diferente — eras e locais onde a humanidade enfrenta declínio. A roda, motivo visual recorrente, simboliza a invocação que transcende espaço-tempo conectando esses campos de batalha.
No design de personagens, Miyazaki admite preferências pessoais: rostos ocultos, figuras misteriosas, "um garoto do tipo que você descreveu" aparecerá. Ainda assim, The Duskbloods mostra mais rostos visíveis que títulos anteriores, aproximando-se de Sekiro e Déraciné na expressividade. Todos os personagens portam arma branca e arma de fogo como padrão, decisão ditada pela mobilidade tridimensional — pulos altos, dashes aéreos — que exige engajamento à distância.
- Mais de dez tipos base de Bloodsworn no lançamento, cada um com arma única e duas linhas de habilidades customizáveis.
- Sistema de "Papéis" (roles) passivos e ativos, alguns desbloqueados por combinações específicas, gerando falas e lore exclusivos.
- Modo single-player mínimo: treino, customização e simulações de 8 jogadores — só para não deixar o jogador sem nada durante manutenção.
- Ranked, leaderboards e temporadas confirmados; detalhes de operação ainda em definição.
O que vem depois
O network test será o termômetro para ajustes de equilíbrio, especialmente o "peso do PvP" — importância e tempo de combate direto entre jogadores. Miyazaki antecipa atualizações frequentes pós-lançamento, tanto de balanceamento quanto de conteúdo, aproveitando a estrutura modular do jogo. A Nintendo tem papel ativo: aponta o que o estúdio considera óbvio mas não é para novatos, área onde a FromSoftware historicamente tropeça.
Para evitar a fragmentação da base por nível de habilidade, dois caminhos: a curva de aprendizado via história e sistemas alternativos de diversão, e — em fase conceitual — mecânicas onde veteranos beneficiam novatos (aliados especiais, inimigos poderosos, eventos raros). O sistema de "Papéis" também deve expandir: versões mais complexas virão quando a comunidade dominar as regras atuais.
Recursos exclusivos do Switch 2 existem, mas Miyazaki não detalhou. Tecnologia e know-how são compartilhados com Elden Ring Nightreign por serem projetos online simultâneos no mesmo estúdio. O estilo de direção não mudou, mas o peso de sistemas e regras aumentou a dependência de playtests e ajustes baseados em feedback — experiência nova e "agradável" para o diretor.
Datas e o que vem depois
O lançamento segue marcado para 2026 no Nintendo Switch 2. O network test antecede o release e ditará o ritmo dos últimos ajustes. Faltam confirmar: data exata do teste, preço, detalhes das temporadas ranqueadas, funcionalidades exclusivas do hardware e o cronograma de atualizações pós-lançamento. A página oficial da Nintendo já lista o jogo. Para quem acompanha a FromSoftware, The Duskbloods representa a aposta mais radical em multiplayer competitivo com DNA de RPG — e o teste de fogo será ver se o sistema de Virtudes entrega a promessa de "diversão além da habilidade pura" quando a base de jogadores real assumir o controle.


