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The Last Kingdom supera Game of Thrones em política

· · 5 min de leitura
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TL;DR: the last kingdom entrega uma narrativa de política e guerra medieval mais densa que game of thrones, focando em alianças reais, disputas de sucessão e a administração de territórios conquistados.

O que aconteceu

Quando Game of Thrones estreou em 2011, trouxe à tona disputas de poder complexas que rapidamente se tornaram referência. Poucos perceberam, porém, que a série The Last Kingdom, lançada em 2015 pela netflix, já apresentava um retrato ainda mais detalhado da política e da guerra da Idade Média. Baseada na série de livros The saxon stories de Bernard Cornwell, a trama acompanha Uhtred de Bebbanburg — um saxão criado pelos vikings — enquanto ele navega entre lealdades conflitantes, tenta reconquistar seu berço natal e auxilia o rei Alfredo, o Grande, na unificação da Inglaterra.

A série se destaca por evitar o clichê de “batalhas épicas por um bem maior”. Cada vitória militar abre uma nova série de desafios administrativos: legitimação do poder, manutenção de exércitos, negociações de alianças e a constante ameaça de revoltas locais. Ao contrário de Game of Thrones, onde a política frequentemente serve como pano de fundo para grandes reviravoltas, em The Last Kingdom a política é o motor que impulsiona a narrativa.

Como chegamos aqui

O sucesso de Game of Thrones criou uma expectativa de que toda série de fantasia deveria investir pesado em intrigas palacianas. Contudo, a maioria dos projetos posteriores optou por enfatizar ação e romance, relegando a política a segundo plano. The Last Kingdom rompeu esse padrão ao:

  • Apresentar personagens cujas lealdades são fluidas — Uhtred, por exemplo, luta tanto ao lado dos saxões quanto dos daneses, refletindo a realidade de um mundo onde identidade nacional era ainda incipiente.
  • Mostrar a administração de territórios conquistados como parte integrante da trama, destacando a necessidade de legitimar governantes perante populações locais.
  • Explorar a diplomacia religiosa, como o conflito entre cristãos saxões e pagãos daneses, que influencia decisões de guerra.
  • Manter a consistência de qualidade ao longo de cinco temporadas, evitando a queda de padrão que afetou a última temporada de Game of Thrones.

Além disso, a série se beneficia de um cenário histórico real. Embora tome liberdades narrativas — como a compressão de eventos e a reinterpretação de personagens históricos —, ela ainda preserva a essência das disputas de sucessão e das alianças matrimoniais que marcaram a formação da Inglaterra. O relacionamento entre Uhtred e Alfredo ilustra bem isso: ambos precisam um do outro, mas a desconfiança persiste, criando uma tensão constante que alimenta o drama.

Enquanto Game of Thrones prioriza momentos de grande impacto — assassinatos inesperados, casamentos sangrentos —, The Last Kingdom foca na continuidade dos problemas pós-conquista. Cada vitória gera um novo conflito: quem governará a terra recém-conquistada? Como garantir a lealdade dos nobres? Como lidar com reivindicações rivais? Essa abordagem faz com que a série pareça mais um estudo de caso de governança que um mero espetáculo de fantasia.

O que vem depois

Com o encerramento da quinta temporada, a série lançou o filme The Last Kingdom: Seven Kings Must Die, que funciona como epílogo e tenta fechar as pontas soltas da saga. Apesar de o filme oferecer um desfecho satisfatório para a maioria dos fãs, ainda há um desejo latente por spin‑offs ou novas produções que explorem outras facções ou períodos da história britânica. A comunidade de fãs costuma discutir a possibilidade de uma série focada nos vikings puros ou nos reinos vizinhos, como Mercia ou Northumbria.

No Brasil, a série ainda não recebeu a atenção devida, talvez por estar associada a um universo de “séries de época” que não costuma atrair o público de fantasia. Contudo, o crescente interesse por narrativas históricas — impulsionado por podcasts e canais de youtube que analisam a Idade Média — pode mudar esse cenário. A disponibilidade na Netflix facilita o acesso, e a alta pontuação no rotten tomatoes (95% de aprovação) comprova a qualidade da produção.

Para quem já assistiu Game of Thrones e procura algo que combine drama político com realismo histórico, The Last Kingdom representa uma alternativa sólida. A série demonstra que é possível criar uma trama épica sem recorrer a dragões ou magia, bastando focar em estratégias militares, negociações diplomáticas e nas consequências de cada decisão de poder.

Para ficar no radar

Embora não tenha alcançado o mesmo nível de notoriedade que Game of Thrones, The Last Kingdom merece um lugar de destaque na lista de séries que abordam política e guerra de forma inteligente. Se você ainda não assistiu, vale a pena começar a maratonar a partir da primeira temporada, observando como a história evolui de confrontos sangrentos para questões de governança e legitimidade. A série também serve como ponto de partida para quem deseja aprofundar o conhecimento sobre a formação da Inglaterra, pois cada episódio traz referências a eventos reais que podem ser pesquisados em livros de história ou podcasts especializados.

Além disso, fique atento a possíveis novidades da Netflix relacionadas ao universo dos vikings e saxões. A demanda dos fãs por conteúdo adicional — seja em forma de spin‑offs, documentários ou mesmo jogos — pode impulsionar novos projetos nos próximos anos.

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Perguntas frequentes

Qual a diferença principal entre The Last Kingdom e Game of Thrones?
The Last Kingdom foca na administração de territórios conquistados e nas alianças reais da Idade Média, enquanto Game of Thrones prioriza grandes reviravoltas e momentos de choque.
A série The Last Kingdom está disponível no Brasil?
Sim, todas as temporadas de The Last Kingdom podem ser assistidas na Netflix Brasil.
Existe algum spin‑off de The Last Kingdom em produção?
Até o momento não há confirmação oficial de spin‑offs, mas a comunidade de fãs tem especulado sobre possíveis projetos que explorem outros reinos da época.
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