O anime "The Little Mermaid" de 1975, dirigido por Tomoharu Katsumata, ainda é pouco conhecido fora do Japão, mas oferece uma leitura direta do conto de Hans Christian Andersen, contrastando fortemente com a versão musical da Disney lançada em 1989.
Qual a diferença entre o anime de 1975 e o filme da Disney de 1989?
| Aspecto | anime 1975 (Japão) | Disney 1989 (EUA) |
|---|---|---|
| Ano de lançamento | 1975 | 1989 |
| Direção | Tomoharu Katsumata | Ron Clements & John Musker |
| Formato | longa-metragem animado tradicional (cel animation) | Longa-metragem animado tradicional, com forte ênfase musical |
| Fidelidade ao conto original | Alta – mantém o final trágico e a temática de sacrifício | Baixa – transforma o final em romance feliz e adiciona personagens cômicos |
| trilha sonora | Composta por Takekuni Hirayoshi, estilo clássico japonês | Canções de Alan Menken e Howard Ashman, estilo Broadway |
| Design de personagens | Desenhos de Reiko Okuyama, linhas finas e estética dos anos 70 | Estilo Disney, cores vibrantes e formas arredondadas |
| Disponibilidade atual | dvd fora de impressão; streaming apenas com dub em inglês de qualidade limitada | Amplamente disponível em blu‑ray, streaming 4K e versões dubladas |
| Avaliação crítica (segundo ANN) | Overall B, Story B+, Animation B, Art B+, Music A- | Generally positive, Academy Award for Best Original Score |
Como o Faerie Tale Theatre (1987) se posiciona entre as duas versões?
O programa de TV americano "Faerie Tale Theatre", apresentado por Shelley Duvall, produziu um episódio de "The Little Mermaid" em 1987. Embora fosse uma produção live‑action de baixo orçamento, o roteiro seguiu de perto a narrativa de Andersen, incluindo o desfecho melancólico em que a sereia não sobrevive. Essa adaptação, porém, carece da qualidade visual dos dois longas‑metragem e não possui a mesma repercussão cultural que a Disney alcançou.
Vereditos: o melhor pra cada perfil
Com base nos critérios de fidelidade ao texto original, qualidade de animação e acessibilidade, podemos apontar o público‑alvo de cada versão:
- Para puristas da literatura: o anime de 1975 oferece a experiência mais próxima do conto de Andersen, incluindo o final trágico e a atmosfera sombria que o autor pretendia.
- Para fãs de musical e família: a Disney de 1989 entrega canções memoráveis, personagens carismáticos e um final otimista, ideal para crianças e espectadores que buscam entretenimento leve.
- Para curiosos de adaptações televisivas dos anos 80: o episódio de "Faerie Tale Theatre" funciona como um documento histórico de como a narrativa foi tratada na TV americana antes da explosão da Disney.
Se a prioridade for qualidade de imagem e áudio, a Disney domina graças aos lançamentos em alta definição. Caso a prioridade seja a integridade da história original, o anime de 1975, apesar das limitações técnicas nas versões de streaming, ainda se destaca.
Aspectos técnicos e artísticos do anime de 1975
O filme conta com um roteiro de Mieko Osanai e Ikuko Oyabu, que buscaram preservar a linguagem poética de Andersen. A direção de arte, liderada por Mitsunari Makino e Mataji Urata, cria cenários subaquáticos com uso cuidadoso de luz e sombra, apesar das restrições de orçamento da década de 70. O design da bruxa do mar, inspirado em arraias‑manta, é um dos pontos altos da produção, permanecendo impactante mesmo quando a qualidade de transmissão apresenta falhas de cor e linhas verdes.
Musicalmente, Takekuni Hirayoshi compôs uma trilha que combina instrumentos tradicionais japoneses com orquestração ocidental, reforçando a sensação de um conto atemporal. As canções inseridas, embora simples, funcionam como pontes narrativas que reforçam o estado emocional de Marina, a protagonista.
Desafios de acesso e preservação
Até a data de publicação da review, o blu‑ray do anime ainda não havia sido lançado, e o DVD está fora de impressão. As opções de streaming disponíveis apresentam apenas o dub em inglês, cuja qualidade de dublagem é considerada mediana. Além disso, a transmissão exibe artefatos visuais, como linhas verdes que atravessam a tela, dificultando a apreciação plena dos detalhes de arte e animação. Esse cenário evidencia a necessidade de um esforço de restauração por parte de distribuidores como a Discotek Media, que detém os direitos de licenciamento.
Impacto cultural e legado
Embora o anime de 1975 não tenha alcançado a popularidade global da Disney, ele influenciou diretamente a estética de algumas cenas do clássico de 1989, como os eels que a bruxa do mar controla e a amizade da sereia com um animal marinho (no caso, o golfinho Fritz). Essa intertextualidade demonstra como adaptações anteriores podem servir de referência para obras posteriores, mesmo que de forma sutil.
Em termos de legado, o filme representa um marco na história da animação japonesa ao abordar um conto europeu clássico com seriedade temática, antecipando a tendência de adaptações mais sombrias que surgiriam nas décadas seguintes, como "Princess Mononoke" (1997) e "Spirited Away" (2001).
Para ficar no radar
Os interessados em explorar a história completa das adaptações de "The Little Mermaid" devem acompanhar as próximas restaurações de obras clássicas da Discotek Media. Enquanto isso, a versão Disney continua sendo a escolha padrão para novos públicos, mas o anime de 1975 merece atenção de estudiosos e fãs que buscam compreender a evolução da narrativa ao longo das décadas.
FAQ
- Qual adaptação de "The Little Mermaid" é mais fiel ao conto de Andersen? O anime japonês de 1975 mantém o final trágico e a temática de sacrifício, alinhando‑se mais estreitamente ao texto original.
- Onde posso assistir ao anime de 1975? Atualmente, ele está disponível apenas em plataformas de streaming que oferecem a versão em dub inglês, porém com qualidade de imagem comprometida.
- Qual a principal diferença entre a Disney de 1989 e o anime de 1975? A Disney aposta em musicalidade, personagens cômicos e final feliz, enquanto o anime prioriza a atmosfera sombria e a fidelidade literária.


