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Cinema e Series

The Loner: a serie de faroeste de Rod Serling que a TV matou em 1 temporada

· · 5 min de leitura
Homem musculoso vestindo chapéu de cowboy faz agachamento com kettlebell ao lado de pistola de brinquedo
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Rod Serling — o criador de the twilight zone — estreou em 1965 uma serie de faroeste chamada the loner que durou apenas uma temporada na CBS. A producao contava com Lloyd Bridges como William Colton, um ex-capitao do Exercito da Uniao que percorre o Velho Oeste apos a Guerra Civil Americana, e tinha uma premissa simples e incomoda para a epoca: mostrar o faroeste como drama humano, sem moralina facil nem violencia estilizada. Foi justamente essa recusa em seguir o formato tradicional que custou a sobrevivencia do programa.

De onde veio The Loner

Para entender The Loner (tambem conhecido como The Loner — ou "O Solitario", em traducao livre), vale voltar ao contexto. The Twilight Zone foi tirada do ar em 1962 para dar lugar a sitcom Fair Exchange, voltou depois por mais duas temporadas e acabou em 1964. Serling ja tinha experiencia com o genero: escreveu o filme Saddle the Wind (1958) e episodios de faroeste em The Twilight Zone, incluindo a sátira Showdown with Rance McGrew. Foi nesse intervalo entre o fim da Zone e o inicio de Night Gallery que ele resolveu encarar o faroeste de TV — e escolheu um caminho diferente do que estava no ar.

Em 1965, os faroeses dominavam a grade americana com gigantes como bonanza e gunsmoke, enquanto Clint Eastwood virava astro em rawhide e James Drury segurava as pontas em The Virginian. Todas compartilias, porem, a mesma premissa: herois limpos, licoes de moral e finais arrumados. The Loner propos o oposto.

The Loner vs. o faroeste classico da TV

AspectoFaroeste classico (anos 1960)The Loner
Tom geralAventura limpa, heroi exemplarDrama humano, ambiguo
ViolenciaEstilizada, catarticaContida, recusa do excesso
Resolucao dos episodiosMoral final, conclusao satisfatoriaEm aberto, sem licao pronta
Publico-alvoFamiliar, inclusive criancasAdulto, reflexivo
ProtagonistaVaqueiro exemplarEx-capitao traumatizado pela Guerra Civil
Por que ficou no arFormulas testadas e aprovadasCancelada apos 1 temporada

Por que Serling recusou violencia — e o que isso custou

Alem de The Loner, vale comparar com o unico precedente direto: The Westerner, de Sam Peckinpah, estreada em 1960 pela NBC. Assim como Serling depois, Peckinpah queria um faroeste adulto sobre um vaqueiro itinerante — e tambem durou uma unica temporada. Os dois casos mostram que a industria televisiva do inicio dos anos 1960 nao tinha espaco real para o genero fora do formato estabelecido.

O ponto de virada aconteceu em setembro de 1963, quando a producao de The Loner foi interrompida apos 15 episodios. Segundo reportagem do Corpus Christi Caller-Times, Serling teria se recusado a inserir mais violencia na serie. Michael H. Dann, vice-presidente de programacao da CBS, negou publicamente que violencia tivesse sido o motivo da pausa e afirmou que Serling fora convocado para discutir o tom do programa. Serling, por outro lado, foi direto: disse que se a emissora quisesse um faroeste convencional, deveria ter contratado um roteirista convencional. Para ele, a serie era um "drama significativo e provocador com sabor de faroeste".

Por que The Loner nao emplacou — e por que isso nao foi culpa so dela

Quando finalmente foi ao ar, The Loner chegou a completar 26 episodios entre 1965 e 1969, com Serling creditado como roteirista em 15 deles. Bridges interpretou um protagonista que cruzava com veteranos da guerra, desertores do Exercito, fora-da-lei tradicionais e ate uma seita pacifista menonita — tudo sem abandonar o trauma da Guerra Civil. A serie alternava momentos de humor leve com dramas mais densos, mostrando que Serling nao queria um show soturno: queria um show honesto.

O publico, porem, nao acompanhou. The Loner caiu na zona classica do produto deslocado: era adulta demais para criancas e estranha demais para adultos acostumados com Bonanza. Analisando a frio, a serie antecipou o faroeste revisionista que so virou moda nos anos 1970, com a revolucao de Peckinpah no cinema e o tom melancolico que dominaria o genero na decada seguinte. Em outras palavras: The Loner nao era ruim — era cedo demais.

Vereditos: o melhor pra cada perfil

Faroestes revisionistas mais faceis de achar hoje

  • deadwood (HBO, 2004-2006) — o faroeste mais cru e verborragico do streaming; se The Loner te interessa, esse e o destino natural.
  • hell on wheels (AMC, 2011-2016) — um anti-heroi ex-soldado confederado atravessando o Oeste; guarda a mesma energia de protagonista traumatizado.
  • The Assassination of jesse james by the Coward Robert Ford (filme, 2007) — slow-burn, mitologia do faroeste desmontada peca por peca.
  • The Loner (CBS, 1965) — exatamente a ponte entre o faroeste classico e o revisionista; raro de encontrar, mas existe em acervos de TV classica americana.

Onde comecar, dependendo do que voce procura

  • Se quer ver o melhor Serling de ficcao cientifica: va direto para The Twilight Zone, em qualquer ranking.
  • Se quer ver o Serling mais pessoal e politicamente engajado: Night Gallery (1969-1973) e o caminho mais natural.
  • Se quer ver a raiz do faroeste revisionista na TV: The Loner e The Westerner sao as pedras angulares que Hollywood prefere esquecer.

O lado que ninguem ta vendo

Hoje, olhar para The Loner e entender por que ela durou so uma temporada e quase um exercicio de arqueologia televisiva. Serling apostou em um faroeste que tratava o Oeste como espelho das feridas da Guerra Civil, nao como parque de diversoes de bangue-bangue — e a emissora simplesmente nao deixou ele terminar o experimento. Quando o faroeste revisionista virou moda dez anos depois, a serie pioneira de Serling ja era apenas uma curiosidade de acervos.

Para quem descobre hoje The Loner atraves de artigos e clipes, a pergunta que fica nao e se a serie era boa — pelos roteiros de Serling e pela presenca carismatica de Bridges, era. A pergunta real e quanto do faroeste sombrio que a gente consome em Deadwood e afins nasceu de ideias que a TV dos anos 1960 descartou por serem "estranhas demais". As vezes, o cancelamento de uma serie diz mais sobre a epoca do que sobre o show.

Perguntas frequentes

O que era The Loner, a serie de Rod Serling?
The Loner foi uma serie de faroeste criada por Rod Serling e exibida pela CBS entre 1965 e 1966, estrelada por Lloyd Bridges como William Colton, um ex-capitao da Guerra Civil Americana que viaja pelo Velho Oeste. A serie tinha apenas 26 episodios e pretendia oferecer um faroeste mais realista e humanista do que os classicos da epoca, como Bonanza e Gunsmoke.
Por que The Loner foi cancelada apos uma temporada?
A serie foi efetivamente interrompida em 1963, ainda em producao, depois de 15 episodios, porque Rod Serling se recusou a inserir mais violencia no programa, segundo reportagem do Corpus Christi Caller-Times. A CBS alegou que o motivo foi apenas uma discussao de tom, mas Serling sempre manteve que a emissora queria um faroeste convencional. Quando voltou ao ar, completou 26 episodios em uma unica temporada.
The Loner pode ser considerada um faroeste revisionista?
Sim. A serie antecipou varios elementos do faroeste revisionista que se tornaria popular nos anos 1970: protagonista traumatizado pela Guerra Civil, tom ambiguo, recusa de finais moralizantes e ausencia de violencia estilizada. Isso a coloca como um dos primeiros experimentos serios do genero na TV americana.
Qual a diferenca entre The Loner e The Westerner, de Sam Peckinpah?
As duas series partiram da mesma intuicao: oferecer um faroeste adulto e sem formulas na TV. The Westerner (NBC, 1960) foi a tentativa pioneira de Sam Peckinpah e durou uma temporada. The Loner (CBS, 1965) foi a versao de Rod Serling, com o mesmo proposito e o mesmo destino. Sao frequentemente citadas juntas como os dois grandes faroestes cancelados da TV classica americana.
Onde assistir The Loner hoje?
A serie nao esta em plataformas de streaming populares no Brasil. O acesso costuma ser limitado a acervos de televisao classica americana, vendas em midia fisica importada e ocasionalmente exibicoes em canais especializados em TV classica dos Estados Unidos.
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