A Disney+ jogou no lixo uma temporada inteira já gravada de the spiderwick chronicles — adaptação dos livros de Tony DiTerlizzi e Holly Black — e o roku channel transformou o "lixo" no maior lançamento da história da plataforma. Três anos depois, o caso virou case de escola de como marketing e janela certa valem mais que orçamento de gigante.
O que aconteceu
No fim de 2023, a Disney+ confirmou que The Spiderwick Chronicles não estrearia no serviço. A série — produzida pela paramount television studios em parceria com a 20th television — já tinha oito episódios no pote (o pedido inicial era de seis, ninguém explicou o aumento). Elenco principal: Lyon Daniels e Noah Cottrell como os gêmeos Jared e Simon Grace, Mychala Lee como a irmã Mallory, Albert Jones como o ancestral Arthur Spiderwick e Christian Slater vivendo o ogro Mulgarath. Jack Dylan Grazer dubla o boggart thimbletack.
A decisão caiu como bomba porque não foi por audiência ruim — a série nem chegou a ter audiência. Foi corte de custo puro: a Disney anunciou write-off de US$ 1,5 a 1,8 bilhão em conteúdo e entrou numa reestruturação agressiva. Willow, The Mighty Ducks: Game Changers, The Mysterious Benedict Society e outras levaram o mesmo golpe. A Paramount Television Studios ficou com o produto pronto na mão e saiu procurando comprador.
Como chegamos aqui
A história começa lá em 2008, com o filme live-action que foi bem recebido mas não explodiu nas bilheterias. Zero conexão com a série: são apenas duas adaptações do mesmo material. No fim de 2021, a produção da série foi anunciada e correu sem sobressaltos até o fim das filmagens da primeira temporada. Daí a Disney virou a mesa.
O Roku Channel entrou no jogo no fim de 2023, comprou os direitos exclusivos e marcou a estreia para 2024. A diferença? O Roku tratou a série como evento: destaque na tela inicial, experiência para fãs, até a "Roku City" vestida com a identidade visual da produção. Todos os episódios caíram de uma vez. A Disney+, por outro lado, costuma enterrar originais que não são franquia ou animação de peso — marketing zero, descoberta por acaso.
- Livros de Tony DiTerlizzi e Holly Black já tinham base de fãs consolidada.
- Filme de 2008 mantinha a propriedade viva na memória do público.
- Elenco com nomes conhecidos (Christian Slater, Jack Dylan Grazer) ajudava no buzz.
- Roku apostou pesado em home screen takeover e lançamento binge.
O que vem depois
No fim de semana de estreia, The Spiderwick Chronicles virou o título número 1 em alcance e engajamento do Roku Channel e quebrou o recorde de título on-demand mais assistido da história do serviço — tanto em espectadores únicos quanto em horas assistidas. A plataforma divulgou que "milhões" assistiram na abertura. Números exatos? Não saíram. Mas o recado está dado: a série tinha público, só faltava quem mostrasse ela.
Hoje, três anos depois do cancelamento, dá pra dizer que a Disney errou o cálculo? Difícil cravar — o custo de oportunidade de manter a série no catálogo vs. o write-off fiscal é conta que só a contabilidade da casa sabe. Mas o Roku provou que, com vitrine certa, o produto entrega. A lição fica: conteúdo pronto não se engaveta, se distribui. E quem duvidou do boggart, agora engole o Thimbletack.
Para ficar no radar
Não há confirmação oficial de segunda temporada — nem pelo Roku, nem pela Paramount Television Studios. O que se sabe: a primeira temporada adapta a saga completa dos livros, então uma continuação exigiria material original ou expansão autorizada. Enquanto isso, a série segue disponível no Roku Channel (gratuito, com anúncios) e virou referência em painéis de mercado sobre content rescue. Se você pulou na época, vale o binge — é fantasia leve, bem feita e com Christian Slater se divertindo como vilão de CGI. Melhor que muito "prestígio" vazio por aí.


