O filme The Voices, estrelado por Ryan Reynolds, foi lançado em 2014 e arrecadou cerca de US$2 milhões. Apesar da bilheteria modesta, a produção ganhou status de cult devido ao seu humor negro e à performance incomum de Reynolds. O longa mistura horror, comédia e elementos surreais, oferecendo uma experiência que foge do padrão dos blockbusters do ator.
FATO
The Voices acompanha Jerry Hickfang – interpretado por Ryan Reynolds – um operário que sofre de esquizofrenia. Em sua mente, os animais de estimação (um gato e um cachorro) e as cabeças decapitadas de suas vítimas falam com ele, guiando‑o entre o mundo colorido das alucinações e a realidade sangrenta. O filme conta ainda com a participação de Gemma Arterton como Fiona, colega de trabalho de Jerry, e Anna Kendrick como Lisa, duas personagens que acabam vítimas da violência psicológica do protagonista. A produção foi dirigida por Marjane Satrapi e recebeu nota de 74% no Rotten Tomatoes, sendo elogiada por sua coragem em abraçar o absurdo.
Contexto: por que importa
Ryan Reynolds é amplamente reconhecido por papéis cheios de sarcasmo e ação, como Deadpool e Free Guy. Essa imagem pública – o anti‑herói irreverente – costuma ofuscar sua capacidade de interpretar personagens mais sombrios. The Voices surge como uma oportunidade rara de observar o ator fora da zona de conforto, explorando nuances de vulnerabilidade e insanidade. Além disso, o filme demonstra como produções independentes podem servir de laboratório para talentos estabelecidos, permitindo experimentações que os grandes estúdios evitam.
Do ponto de vista do gênero, horror comedy costuma ser um território arriscado, pois exige equilíbrio entre medo e riso. Poucos filmes conseguem manter esse equilíbrio sem cair no ridículo ou no puro terror. The Voices se destaca ao usar a comédia como alívio cômico dentro de cenas de violência, criando um contraste que intensifica o desconforto do espectador. Essa abordagem influenciou obras posteriores, como What We Do in the Shadows (2014) e Ready or Not (2019), que também brincam com o horror de forma satírica.
Reação dos fãs/mercado
Embora a bilheteria tenha sido baixa, o filme encontrou seu público em plataformas de streaming e em círculos de fãs de cinema cult. Comentários nas redes sociais elogiam a capacidade de Reynolds de “andar na linha tênue entre o grotesco e o hilário”. Críticos destacam a performance como uma das mais versáteis da carreira do ator, apontando que ele consegue gerar empatia por um personagem que, na prática, comete assassinatos. A crítica especializada também notou a direção de Satrapi, que traz um visual estilizado e cores vibrantes para as alucinações, contrastando com o tom sombrio da realidade.
Por outro lado, alguns espectadores se sentiram desconfortáveis com a mistura de violência e humor, acusando o filme de trivializar o sofrimento mental. Essa polarização é típica de obras que desafiam convenções, e acabou alimentando discussões sobre representações de transtornos psicológicos no cinema.
Este Ryan Reynolds Thriller Is Tense Even Though He’s the Only Actor on Screen
O que esperar
Para quem ainda não assistiu, The Voices oferece:
- Uma atuação camaleônica de Ryan Reynolds, que alterna entre humor sarcástico e momentos de genuína angústia.
- Um visual contrastante, com cenas de alucinação em cores saturadas que lembram animações infantis, contrapondo-se ao cenário sombrio da fábrica onde o personagem trabalha.
- Diálogos inusitados, onde os animais de estimação falam com sotaques diferentes, reforçando a sensação de delírio.
- Um final que deixa dúvidas sobre a realidade dos eventos, incentivando múltiplas interpretações.
O filme também serve como ponto de partida para discussões sobre como a indústria trata transtornos mentais e como o humor pode ser usado como ferramenta de crítica social. Se você curte obras que fogem do óbvio, The Voices merece um lugar na sua lista de “filmes para assistir quando quiser algo diferente”.
Para ficar no radar
Embora não tenha alcançado sucesso de bilheteria, The Voices continua a ser recomendado em listas de cult classics e é frequentemente citado em análises sobre a evolução da filmografia de Ryan Reynolds. Plataformas de streaming costumam incluir o título em seus catálogos, facilitando o acesso a novos públicos. Fique atento a possíveis lançamentos de edições especiais em blu‑ray, que podem trazer comentários do diretor Marjane Satrapi e cenas deletadas que aprofundam ainda mais o universo psicodélico do filme.
Em resumo, The Voices é uma obra que desafia expectativas, prova a versatilidade de seu protagonista e reforça a importância do cinema independente como espaço de experimentação. Se ainda não deu play, vale a pena conferir – especialmente se você gosta de histórias que misturam medo e humor de maneira inesperada.


