O último episódio de ThunderCats foi ao ar em 29 de setembro de 1989, encerrando a saga sem resolver muitos mistérios. Três décadas depois, duas tentativas de reboot ainda não conseguiram replicar a magia que cativou uma geração.
Original (1985‑1989): O que fez o clássico durar
O desenho original combinava fantasia de RPG, mitologia egípcia e humor leve, tudo isso com animação de qualidade da Pacific Animation Corporation. Os elementos que mais marcaram foram:
- Sword of Omens – espada que concedia visão além da visão.
- Third Earth – planeta aberto, repleto de ruínas e criaturas.
- Mumm‑Ra – vilão mumificado que personificava o medo primordial.
Apesar de o orçamento ter diminuído nos últimos episódios, o universo ainda oferecia espaço para novas histórias, o que fez o final parecer mais um corte abrupto do que um desfecho natural.
2011 Reboot: A tentativa de modernizar
Quando o Cartoon Network lançou a versão de 2011, trouxe uma estética mais fluida e um roteiro serializado. A produção foi confiada à Studio 4°C, que entregou animação de alto nível, mas alterou drasticamente o tom:
- Personagens foram reconfigurados como adolescentes em crise de identidade.
- O conflito entre os Thundercats e os Lizards virou uma metáfora política, com os felinos como um império opressor.
- O humor foi substituído por drama de crescimento, afastando quem buscava a aventura épica.
Embora tenha conquistado um público que apreciava narrativas mais densas, a série perdeu a leveza que definia o original.
ThunderCats Roar (2020): O salto para a comédia
Em 2020, a franquia recebeu ThunderCats Roar, que apostou em humor exagerado e design cartunesco. A mudança de estilo foi ainda mais radical:
- Personagens ganharam traços simplificados e expressões hiper‑cômicas.
- As tramas passaram a girar em torno de piadas rápidas, quase abandonando a mitologia.
- Um triângulo amoroso entre Lion‑O, Tygra e Cheetara virou ponto de discórdia entre os fãs.
O resultado foi uma série polarizadora: alguns apreciaram a leveza, mas a maioria sentiu que a essência da aventura foi sacrificada.
Comparativo rápido
| Aspecto | Original (85‑89) | 2011 Reboot | Roar (2020) |
|---|---|---|---|
| Estilo visual | Hand‑shaded, realista | Animação fluida, estilo anime | Cartoon simplificado, cores vibrantes |
| Tom narrativo | Aventura épica com humor leve | Drama teen + política | Comédia slapstick |
| Fidelidade ao lore | Alto | Reinterpretado | Reduzido |
| Recepção crítica | Clássico cult | Dividido, elogiado pela animação | Polêmica, maioria negativa |
Vereditos: o melhor pra cada perfil
Fãs nostálgicos que buscam reviver a sensação de sábado‑de manhã devem revisitar a série original. Ela ainda oferece a combinação única de mitologia, ação e humor que deu origem ao culto.
Entusiastas de animação moderna podem achar o reboot de 2011 interessante, sobretudo pela qualidade visual da Studio 4°C. Contudo, prepare‑se para um tom mais sério.
Jovens que preferem comédia rápida podem se divertir com ThunderCats Roar, mas não esperem profundidade ou continuidade com o cânone clássico.
Em última análise, nenhum dos reboots substituiu o original; eles apenas mostraram que mudar a fórmula pode alienar a base que fez a série icônica.
Onde isso pode dar
Com a crescente demanda por projetos nostálgicos em plataformas de streaming, a chance de um novo reboot que respeite o cânone ainda existe. Uma abordagem equilibrada — manter a estética dos anos 80, mas atualizar a narrativa para o público adulto‑jovem — poderia finalmente fechar as portas que foram deixadas abertas em 1989. Enquanto isso, o fandom continua a alimentar discussões, colecionar figuras e esperar por um filme que realmente honre a lenda.


