TL;DR: A sitcom "Topper" (1953), que mistura humor e fantasmas, está disponível gratuitamente no tubi. Apesar de quase ter sido apagada da memória coletiva, a série reúne nomes que ainda ecoam na cultura geek.
O que aconteceu
O ponto de partida da história é o romance de Thorne Smith, publicado em 1926, que apresenta Cosmo Topper, um bancário conservador que passa a conviver com os fantasmas casados Marion e George Kerby. O livro gerou uma sequência em 1932 e, em 1937, virou filme estrelado por Roland Young, Constance Bennett e Cary Grant — este último como um dos fantasmas. O sucesso da obra levou a CBS a produzir, em 1953, uma adaptação televisiva que se tornou um dos poucos exemplos de sitcom de fantasia da época.
No programa, Leo G. Carroll interpreta Topper, enquanto o casal real de Robert Sterling e Anne Jeffreys dá vida aos espíritos dos Kerbys. A esposa de Topper, Henrietta (Lee Patrick), e o cão fantasma St. Bernard chamado Neil (voz de Buck) completam o elenco. O formato da série era simples: apenas Topper via os fantasmas, gerando confusões cômicas e situações de “casa assombrada” que terminavam em risadas e, às vezes, em lições sobre viver o presente.
A produção contou com 78 episódios distribuídos em duas temporadas, encerrando sua exibição original em 1955. Hoje, 11 episódios da primeira temporada podem ser assistidos gratuitamente no Tubi, ainda que a qualidade de imagem apresente um leve “scratch” que, curiosamente, reforça o charme da época.
Como chegamos aqui
Vários fatores contribuíram para que "Topper" fosse mais que um simples programa de entretenimento leve:
- Talentos emergentes: onze episódios da primeira temporada foram escritos por um jovem Stephen Sondheim, antes de sua fama no teatro musical. O mesmo período marcou a estreia de Leslie H. Martinson como diretor, que mais tarde comandaria o clássico filme "Batman" (1966).
- Roteiristas de peso: George Oppenheimer, crítico teatral e roteirista, também assinou diversos scripts, conferindo à série um humor refinado que ainda ressoa com quem aprecia diálogos bem construídos.
- Patrocínio da época: a série era veiculada com anúncios da Camel cigarettes, o que hoje gera cenas curiosas – os fantasmas fumam cigarros na tela, exigindo cortes cuidadosos nas reprises modernas.
- Reruns duradouros: apesar da cancelamento em 1955, "Topper" continuou no ar em reprises por quase uma década, mantendo a série viva na memória de gerações que cresceram com a TV em preto‑e‑branco.
Com o tempo, a série acabou desaparecendo dos catálogos de streaming, mas o Tubi trouxe de volta um pedaço dessa história. Embora apenas parte da primeira temporada esteja disponível, a plataforma permite que fãs de cultura geek explorem um exemplo raro de narrativa sobrenatural combinada com comédia de situação.
O que vem depois
O legado de "Topper" vai além das suas 78 histórias curtas. A premissa de um humano que interage com fantasmas inspirou obras posteriores, como a icônica série "Bewitched" (1964) – que tem raízes no romance de Smith "The Passionate Witch" – e até mesmo o filme "Freaky Friday" (2025), que tem paralelos temáticos com "Turnabout", outro livro de Smith adaptado para TV.
Para o público brasileiro, a redescoberta de "Topper" oferece uma oportunidade de compreender como a ficção de fantasmas evoluiu nas telas americanas e de perceber influências que chegaram ao Brasil através de reprises nos anos 60 e 70. Além disso, a presença de nomes como Sondheim pode despertar o interesse de fãs de musical que ainda não conhecem sua fase televisiva.
Embora ainda não haja planos anunciados para uma restauração completa ou para a inclusão de todas as temporadas em serviços de streaming maiores, a disponibilidade gratuita no Tubi já cria um ponto de partida para maratonas nostálgicas e discussões em fóruns de cultura geek. A série pode ainda ser encontrada em dvds de segunda mão, caso alguém queira colecionar o material original.
Para ficar no radar
Se você é fã de sitcoms clássicas, de histórias que misturam o cotidiano com o sobrenatural ou simplesmente curte descobrir tesouros esquecidos, "Topper" merece um lugar na sua lista de maratonas. A série oferece:
- Um vislumbre da produção televisiva dos anos 50, com humor que ainda faz sentido.
- Participação de criadores que se tornariam lendas (Sondheim, Martinson).
- Um cenário de casas assombradas que antecede séries modernas como "The Haunting of Hill House".
- Referências culturais que ajudam a entender a evolução de narrativas fantásticas na TV.
Portanto, ao abrir o Tubi e clicar em "Topper", você não está apenas assistindo a um programa antigo; está revisitando um ponto de convergência de talentos que moldaram a cultura pop. E, quem sabe, pode ser o gatilho para redescobrir outras obras esquecidas de Thorne Smith que ainda influenciam a ficção contemporânea.


