TL;DR: O filme Venom chegou aos cinemas em 5 de outubro de 2018, inaugurou a Sony Spider-Man Universe e, oito anos depois, serve como marco final de um experimento cinematográfico que nunca se sustentou.
FATO: Venom (2018) completou 8 anos de estreia
Em 5 de outubro de 2018, Venom estreou nos cinemas, trazendo Tom Hardy no papel de Eddie Brock e apresentando o simbionte alienígena como protagonista heroico. O longa arrecadou cerca de US$ 856,1 milhões com um orçamento de US$ 116 milhões, provando que, mesmo sem a presença do Homem-Aranha, o vilão podia atrair público em massa.
O filme descartou a tradicional relação simbiótica entre Venom e o Aranha, focando em uma narrativa própria onde o anti‑herói enfrenta outro simbionte chamado Riot. Essa escolha criativa, embora criticada por alguns puristas, abriu caminho para que a Sony criasse um universo próprio, desvinculado do MCU.
Contexto: por que importa
A parceria entre Sony e Marvel Studios sempre foi delicada. Enquanto a Sony detinha os direitos de Spider-Man, a Marvel controlava o restante do Universo Cinematográfico (MCU). Quando o filme Captain America: Civil War (2016) trouxe o Homem-Aranha ao MCU, a Sony viu uma oportunidade de capitalizar o hype, mas decidiu lançar um spin‑off independente focado em um vilão.
O sucesso de Venom deu à Sony a confiança de expandir seu próprio “Spider‑Man Universe” (SSU). A estratégia parecia simples: criar filmes de vilões que, embora reconhecíveis, poderiam viver sem o herói titular. No entanto, a falta de um núcleo narrativo coerente e a tentativa de conectar os títulos ao MCU de forma forçada criaram um efeito dominó de projetos mal‑planejados.
Além disso, o timing foi crucial. O filme chegou ao fim da década de 2010, quando o MCU já dominava a cultura pop. O público, ainda apaixonado por Peter Parker, acabou associando Venom a um universo paralelo, o que acabou por limitar a aceitação de futuras produções da Sony.
Reação dos fãs/mercado
O público recebeu Venom com entusiasmo misto. Enquanto a crítica apontou falhas de roteiro e ritmo, a bilheteria provou que a marca era forte. Nas redes, os fãs celebraram a performance de Tom Hardy, mas também questionaram a ausência do Homem‑Aranha.
Os lançamentos subsequentes – Venom: Let There Be Carnage (2021), Morbius (2022), Madame Web (2024) e Kraven the Hunter (2024) – tiveram respostas divergentes:
- Venom: Let There Be Carnage: recebeu boa bilheteria e conectou levemente ao MCU, mas não conseguiu superar o original.
- Morbius: virou meme, foi um flop de bilheteria e críticas.
- Madame Web: piorou ainda mais a reputação da franquia.
- Kraven the Hunter: considerado um dos maiores fracassos da Sony.
Esses resultados geraram um ceticismo crescente entre os fãs, que passaram a duvidar da viabilidade de um universo centrado em vilões sem o apoio direto da Marvel.
O que esperar
Com o fracasso de Kraven the Hunter, a Sony parece estar encerrando sua tentativa de um SSU tradicional. A empresa já sinalizou foco em projetos animados, como a premiada série Spider‑Verse e a nova produção Spider‑Noir para a Amazon. Essa mudança indica que a Sony reconheceu que o modelo de filmes live‑action baseados apenas em vilões não funciona sem um herói central.
Entretanto, ainda há espaço para surpresas. A propriedade de Venom permanece lucrativa, e a Sony pode explorar spin‑offs menores, séries de TV ou até mesmo um reboot que una o simbionte ao MCU de forma mais orgânica. Enquanto isso, os fãs que ainda amam o anti‑herói podem esperar um retorno mais cuidadoso, talvez em parceria direta com a Marvel.
Onde isso pode dar
O fim da Sony Spider‑Man Universe não significa o fim de Venom. O personagem tem força de marca suficiente para sobreviver em formatos diferentes. Se a Sony conseguir alinhar Venom com o MCU – como já fez com o cameo de Spider‑Man: No Way Home – podemos ver um futuro onde o simbionte aparece em crossovers mais relevantes, sem precisar sustentar um universo próprio.
Por outro lado, se a Sony insistir em projetos isolados, corre o risco de transformar Venom em um “franquia de nicho”, limitada a fãs hardcore e a lançamentos de streaming. A aposta mais segura, porém, parece ser a integração de Venom ao universo Marvel, aproveitando o reconhecimento do personagem e a sinergia de marketing que o MCU oferece.
Em resumo, o legado de Venom é ambíguo: ele provou que um vilão pode ser protagonista, mas também mostrou que um universo inteiro pode desmoronar sem uma bússola narrativa sólida. O próximo passo da Sony será crucial para definir se Venom será lembrado como um herói de sucesso ou como o ponto de partida de um experimento que acabou em fracasso.


