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Cultura Geek

Vocal fry: estudo revela que homens usam mais o recurso do que mulheres

· · 4 min de leitura
Microfone de estúdio posicionado próximo a uma pessoa falando, com ondas sonoras estilizadas em destaque na tela
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O que aconteceu

O mito de que o vocal fry — aquele som característico de voz crepitante, áspera ou "estalada" ao final das frases — é um vício de linguagem exclusivo de mulheres jovens acaba de ser confrontado por dados científicos. Jeanne Brown, pesquisadora da McGill University (instituição de ensino superior canadense), apresentou descobertas surpreendentes durante a reunião da Acoustical Society of America, na Filadélfia. Contrariando a crença popular que permeia redes sociais e fóruns de internet, os resultados apontam que homens utilizam o registro vocal grave com muito mais frequência do que o público feminino.

O vocal fry, tecnicamente conhecido como registro de pulso, ocorre quando as cordas vocais relaxam a ponto de vibrarem de forma irregular, criando um som de "chiado" ou "estalo" em frequências fundamentalmente baixas, girando em torno de 70 Hz. Enquanto o senso comum insiste em apontar o dedo para figuras como Britney Spears ou influenciadoras digitais, a realidade acústica captada pela pesquisa mostra que o fenômeno é um traço humano muito mais democrático — e masculino — do que imaginávamos.

Como chegamos aqui

A associação do vocal fry com mulheres jovens não surgiu do nada; ela foi construída por uma mistura de sexismo linguístico e percepção seletiva. Durante anos, o uso desse recurso por celebridades pop foi alvo de críticas ácidas, sendo rotulado como uma forma de fala "desleixada", "pouco profissional" ou "artificial". A cultura pop, através de figuras como Britney Spears em seu hit de estreia, consolidou a imagem de que aquele som era um marcador de gênero.

No entanto, a ciência da voz já havia dado pistas de que o buraco era mais embaixo. Há uma década, especialistas como John Nix, professor de voz na University of Texas, San Antonio, já defendiam que o fry funciona como uma ferramenta expressiva. Em gêneros musicais amplificados, o recurso é utilizado para transmitir crueza, intimidade e emoção. Não é, portanto, uma questão de gênero, mas de intenção comunicativa.

A lista de usuários de vocal fry que ignoram o estereótipo é vasta e inclui nomes de peso:

  • Justin Bieber: O astro pop utiliza o recurso para conferir uma textura mais madura e emocional em suas baladas.
  • Tim Storms: Detentor do recorde mundial de nota mais grave já produzida por um ser humano, utiliza o registro de forma técnica e deliberada.
  • Mike Holcomb: Baixos do gospel frequentemente recorrem ao fry para atingir frequências que o registro modal comum não alcançaria.

O problema é que, socialmente, quando um homem usa o vocal fry, ele é frequentemente lido como alguém com uma voz "profunda" ou "autoritária". Quando uma mulher faz o mesmo, a crítica social a rotula como "fútil". A pesquisa de Brown apenas coloca números em algo que linguistas já suspeitavam: o preconceito auditivo é muito mais forte do que a própria realidade acústica.

O que vem depois

Onde isso pode dar? A revelação de que homens utilizam mais o vocal fry deve forçar uma revisão sobre como julgamos a fala alheia. Se o recurso é uma característica biológica do aparelho fonador humano, por que continuamos a policiar a forma como as mulheres se expressam? A tendência é que, com a popularização desses dados, o estigma perca força, transformando o vocal fry de um "erro de fala" em apenas mais um elemento da paleta sonora humana.

Para o futuro, resta saber se a indústria do entretenimento e os críticos de plantão mudarão a forma como analisam o comportamento vocal. O vocal fry, longe de ser um sinal de decadência da linguagem, é apenas a prova de que estamos usando nossos corpos para explorar novas texturas sonoras. A aposta da redação é que, em breve, o debate deixará de ser sobre "quem fala errado" e passará a ser sobre como a tecnologia e a música continuam a moldar a nossa percepção do que é uma voz "boa" ou "ruim".

Perguntas frequentes

O que é vocal fry?
O vocal fry é o registro vocal mais baixo do ser humano, causado pelo relaxamento das cordas vocais. Isso gera uma vibração irregular que resulta em um som característico de estalo ou chiado grave.
Por que o vocal fry é associado a mulheres?
Existe um forte estereótipo social e sexista que associa o vocal fry a mulheres jovens, rotulando-o pejorativamente como um vício de linguagem. A cultura pop ajudou a popularizar essa visão ao destacar o uso do recurso por cantoras famosas.
Homens usam mais vocal fry que mulheres?
Sim, segundo pesquisas recentes da McGill University, o uso do vocal fry é estatisticamente mais comum em homens. A percepção de que ele é um fenômeno feminino é, em grande parte, um viés de percepção social.
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