O filme You Can See Everything retrata os últimos dias de Elizabeth Holmes — fundadora da Theranos condenada a 11 anos de prisão por fraude — antes de ela se apresentar à penitenciária, mas a crítica especializada aponta que a obra dirigida por Nathan Fielder e Lance Oppenheim é superficial e não oferece insights novos sobre a ré.
O que é You Can See Everything?
You Can See Everything é um filme de 2026 co-dirigido por Nathan Fielder — conhecido por The Rehearsal e Nathan for You — e Lance Oppenheim — diretor de Some Kind of Heaven. A produção acompanha os dias finais de Elizabeth Holmes antes de ela iniciar o cumprimento de pena de 11 anos de prisão, após ter esgotado todos os recursos de apelação. O longa foi descrito como uma peça surrealista e absurda, tendo gerado entusiasmo inicial e especulações sobre premiações na temporada de prêmios.
Quem é Elizabeth Holmes e por que ela foi condenada?
Elizabeth Holmes fundou a Theranos em 2003, prometendo revolucionar exames de sangue com tecnologia que exigiria apenas algumas gotas. Em 2015, a startup foi avaliada em US$ 9 bilhões e Holmes tornou-se a bilionária mais jovem e rica a fazer fortuna sozinha no Vale do Silício. Em 2018, acusações de fraude surgiram: o dispositivo não funcionava como anunciado. Holmes foi condenada em janeiro de 2022 por quatro acusações de fraude a investidores e conspiração, recebendo sentença de 11 anos de prisão.
Por que a crítica considera o filme superficial?
Segundo a análise publicada na Ars Technica, o filme roda em círculos e rende muito pouco insight novo — nem sobre Holmes pessoalmente, nem sobre o caso Theranos. A crítica argumenta que, apesar do acesso privilegiado dos diretores, a obra se limita a mostrar Holmes repetindo os mesmos pontos de defesa e autojustificativa que usou durante o julgamento: vitimização, desvio de responsabilidade e culpa de terceiros. A ambiguidade fabricada seria o ponto proposital do filme, mas não haveria mistério real a ser explorado.
Quais são os pontos positivos mencionados?
A crítica reconhece que o filme tem seus momentos e que a segunda metade é altamente divertida. A recepção inicial foi majoritariamente entusiástica, com alguns veículos declarando-o o melhor filme do ano e prevendo sucesso na temporada de premiações. O estilo surrealista e absurdo, marca registrada de Fielder, atrai público que gosta de debater interpretações de cenas-chave após a sessão.
Que vozes contrárias surgiram após o lançamento?
Ao longo da semana de estreia, surgiram análises contrárias em veículos como Slate e STAT News, oferecendo "verificações de realidade" necessárias. Essas críticas destacam que a fundadora da Theranos continua manipulando a narrativa e que o filme, ao dar palco a essa performance, corre o risco de reabilitar a imagem de uma fraudadora condenada. Um dos textos questiona por que uma criminosa condenada ainda é considerada digna de tanta atenção cultural.
Como o filme retrata a relação de Holmes com Billy Evans?
A produção dedica espaço à dinâmica entre Holmes e seu parceiro, Billy Evans, nos dias que antecedem a prisão. A crítica aponta que essa abordagem humaniza a ré sem contrapeso jornalístico, focando em momentos íntimos e performáticos em vez de confrontar as consequências reais da fraude para pacientes, investidores e whistleblowers como Tyler Shultz.
Vale a pena assistir?
Para quem busca compreender o caso Theranos ou a psicologia de Elizabeth Holmes, o filme adiciona pouco ao que já é de domínio público: documentários como The Inventor: Out for Blood in Silicon Valley (HBO) e a série The Dropout (Hulu) oferecem contexto factual mais robusto. You Can See Everything funciona melhor como objeto de estudo sobre como a mídia contemporânea transforma criminosos de colarinho branco em personagens de entretenimento ambíguo. Quem aprecia o estilo de Fielder pode encontrar valor na execução formal, mas não deve esperar revelações ou rigor investigativo.


