Yves Schlirf, o visionário que fundou a editora Kana em 1996, faleceu em 13 de setembro de 2026, aos 78 anos. O anúncio foi feito pelas editoras Dargaud e Kana no dia 14 de setembro, marcando o fim de uma era para o mangá francófono.
Kana vs Dargaud: catálogo de mangás e quadrinhos
Embora ambas as casas tenham raízes belgas, seus focos divergem. A Kana se especializou em trazer mangás japoneses para o público francófono, enquanto a Dargaud, antes de criar sua filial belga, focou em publicações de quadrinhos europeus e best‑sellers ocidentais.
| Aspecto | Kana (fundada 1996) | Dargaud (filial belga) |
|---|---|---|
| Principais títulos de mangá | Naruto, YuYu Hakusho, Saint Seiya, Slam Dunk, Detective Conan, Hunter X Hunter, Yu‑Gi‑Oh!, Kagurabachi, Fire Force, Assassination Classroom, Blue Spring Ride, Death Note | — (foco maior em quadrinhos europeus) |
| Best‑sellers europeus | — (concentrado em mangá) | Pin‑Up, Murena, Le Scorpion, The Lament of the Lost Moors, XIII |
| Projetos comemorativos recentes | album de aniversário de 80 anos de Blake and Mortimer (preparado por Schlirf) | — |
Kana vs Dargaud: trajetória editorial
A jornada de Yves Schlirf começou em 1972, quando abriu a Schlirfbook, uma das primeiras lojas especializadas em quadrinhos em Bruxelas. Depois de passar pelo departamento de marketing da Dupuis – a convite de Jean Van Hamme – ele fundou a filial belga da Dargaud, onde editou sucessos como Pin‑Up e XIII. Em 1996, após várias viagens ao Japão, Schlirf lançou a Kana, que rapidamente se tornou uma das maiores publicadoras de mangá da Europa.
Enquanto a Dargaud continuou a expandir seu catálogo europeu, a Kana focou em adaptar obras japonesas para o francês, consolidando títulos icônicos que hoje são referência nas livrarias francófonas. A estratégia de Schlirf de vender sua livraria em 2002 permitiu que ele se dedicasse integralmente à editora, impulsionando a produção de edições de alta qualidade e o lançamento de séries como Hunter X Hunter e Death Note.
Vereditos: o melhor pra cada perfil
Se você curte mangá e busca traduções cuidadosas, a Kana é a escolha óbvia. Seu catálogo abrangente cobre desde shōnen clássicos até séries contemporâneas, atendendo tanto aos veteranos quanto aos novatos. Por outro lado, leitores que preferem quadrinhos europeus, com arte e narrativa distintas, encontrarão na Dargaud um acervo rico em títulos premiados.
Para quem valoriza a história da publicação, a trajetória de Yves Schlirf oferece um exemplo de paixão pela nona arte. Seu legado permanece vivo nos volumes que ainda circulam nas prateleiras, lembrando que a ponte entre o oriente e o ocidente foi, em grande parte, construída por ele.
O que falta saber
Com a partida de Schlirf, a Kana e a Dargaud ainda não divulgaram quem assumirá a direção editorial das duas casas. A comunidade de fãs espera anúncios oficiais nos próximos meses, especialmente sobre o futuro do álbum comemorativo de Blake and Mortimer, que estava em fase de produção.
Enquanto isso, as obras que ele ajudou a popularizar continuam a influenciar novas gerações de leitores, mantendo viva a chama da nona arte na França e em toda a Europa.


