Um exemplar do famicom de Zelda no Densetsu: The Hyrule Fantasy foi arrematado por US$ 32.500 após ser classificado como CGC 9.2 A+.
O que aconteceu
A Heritage Auctions leiloou uma cópia do primeiro The Legend of Zelda lançada no Japão em 1986 para o Famicom. O diferencial que disparou o preço foi a presença da inscrição "disk system" em fonte amarela na embalagem – um detalhe que indica uma produção inicial, antes da mudança para a cor branca nas versões posteriores. Além do texto, o cartucho recebeu a nota CGC 9.2 A+, o que significa que está em estado quase impecável para um item com quatro décadas de idade.
O leilão atraiu colecionadores de todo o mundo, que reconhecem a peça como uma espécie de "Grail" para fãs da série. O valor de US$ 32.500 coloca esse item entre os mais caros já negociados de Zelda, superando até algumas edições limitadas de jogos modernos.
- Texto amarelo na caixa – indica produção precoce;
- Classificação CGC 9.2 A+ – estado de conservação excepcional;
- Famicom – console japonês raro fora do Japão;
- Primeiro título da franquia – importância histórica.
Como chegamos aqui
Quando Shigeru Miyamoto decidiu criar The Legend of Zelda, ele buscava oferecer ao jogador uma liberdade de exploração jamais vista nos jogos 2D da época. O título estreou no Famicom, console que, embora tecnicamente idêntico ao NES, possuía um design exclusivo e um mercado restrito ao Japão. A Nintendo manteve a distinção entre Famicom e NES por anos, dificultando a importação de jogos japoneses para o ocidente.
O pacote original apresentava o nome completo "Zelda no Densetsu: The Hyrule Fantasy" e, nos primeiros lotes, a frase "Disk System" era impressa em amarelo. Essa escolha de cor era apenas uma decisão de design temporária; poucos meses depois, a mesma frase passou a ser impressa em branco. Como resultado, as primeiras caixas amarelas se tornaram extremamente escassas.
O mercado de colecionáveis de videogames sempre valorizou itens em estado original, mas a combinação de três fatores – raridade da cor, importância histórica da obra e a classificação CGC – cria um efeito multiplicador. A CGC, empresa americana especializada em avaliação de colecionáveis, tem se tornado referência para estabelecer preços justos, pois sua escala de 1 a 10 permite comparações objetivas entre itens de diferentes gerações.
Além disso, o hype em torno de Zelda não é novidade. Jogos como A Link to the Past, Ocarina of Time e Breath of the Wild consolidaram a série como um pilar da Nintendo. Cada nova geração traz um renovado interesse pelos primórdios, impulsionando a demanda por versões originais.
O que vem depois
O sucesso desse leilão pode desencadear uma nova onda de buscas por outras edições japonesas do Famicom, especialmente aquelas com detalhes de produção únicos. Colecionadores poderão começar a rastrear lotes ainda não catalogados, aumentando a pressão sobre o mercado de itens raros.
Por outro lado, o preço elevado também levanta questões sobre a sustentabilidade da especulação. Se mais leilões atingirem cifras semelhantes, o risco é criar uma bolha onde apenas investidores com profundo bolso participam, afastando fãs que buscam apenas a preservação histórica.
Em termos de futuro, espera‑se que a CGC continue a expandir seu escopo para consoles e jogos de outras plataformas, oferecendo um padrão de avaliação que pode estabilizar os preços a longo prazo. Enquanto isso, a Nintendo ainda não comentou oficialmente sobre o impacto desses leilões em sua estratégia de preservação de legado.
O lado que ninguém está vendo
É fácil celebrar a venda como prova de que a nostalgia ainda tem valor, mas há um ponto obscuro: o preço de US$ 32.500 reflete mais a psicologia de escassez do que a qualidade intrínseca do jogo. O fato de a caixa ter texto amarelo é, em essência, um acidente de produção que se transformou em moeda de troca. Se a Nintendo tivesse mantido a cor branca desde o início, provavelmente não haveria esse pico de valorização.
Além disso, a classificação CGC, embora respeitada, pode inflacionar o preço ao criar um selo de aprovação que muitos compradores aceitam sem questionar. Em um mercado onde a autenticidade é crucial, a confiança cega nas notas pode levar a avaliações exageradas, desviando recursos que poderiam ser investidos em restaurações ou em projetos de preservação digital.
Portanto, enquanto o leilão demonstra o apetite dos colecionadores por raridades, ele também serve como alerta: a valorização de um detalhe estético não deve eclipsar a importância de preservar a história dos jogos de forma acessível e educativa.


