Ghosts 'n Goblins completou quase quatro décadas de existência e ainda assombra pesadelos de quem ousou inserir fichas no fliperama em 1985. A Capcom mantém a franquia viva com coletâneas como Capcom Arcade Stadium e o reboot Ghosts 'n Goblins Resurrection, mas a essência continua a mesma: um cavaleiro de cueca correndo contra hordas do inferno com uma lança na mão e zero paciência para checkpoints generosos.
O que é Ghosts 'n Goblins e por que ele importa?
Ghosts 'n Goblins — conhecido no Japão como Makaimura ("Vila do Mundo Demoníaco") — é a série de run'n'gun side-scrolling que ajudou a moldar o DNA da Capcom nos arcades. Lançado originalmente em 1985, o jogo colocava o jogador na pele de arthur, um cavaleiro que viaja pelo submundo para resgatar a princesa Prin-Prin das garras do senhor demoníaco Astaroth. Diferente do clima "fofo" de Super Mario Bros. ou Pac-Land, ambos de 1984/85, a estética aqui era gótica, pesada e implacável.
Quem criou essa maldição chamada Ghosts 'n Goblins?
O pai da criatura é Tokuro Fujiwara, game designer que veio da Konami (onde trabalhou em Pooyan) e já tinha passado por Higemaru na Capcom. Depois de Ghosts 'n Goblins, ele assinou outros pilares da casa como Bionic Commando e o terror de sobrevivência Sweet Home — este último, ancestral direto de Resident Evil. Fujiwara gostava de dificuldade que beirava o sadismo, e a série carrega essa assinatura até hoje.
Quem é Arthur e por que ele luta de cueca?
Arthur é o protagonista recorrente: cavaleiro, namorado da princesa Prin-Prin e alvo preferido de zombies, corvos, demônios e da própria engine de colisão. Ele começa com uma armadura completa, mas um único hit a despedaça, deixando-o apenas com a roupa de baixo (a famosa "cueca vermelha" que virou meme). Leva outro hit? Vira pilha de ossos e volta ao checkpoint. Essa mecânica de "dois hits e game over" virou marca registrada e sinônimo de dificuldade old-school.
Qual o arsenal disponível para Arthur?
O cavaleiro não fica só na lança. Baús surgem do chão aleatoriamente e oferecem:
Adagas — rápidas, curto alcance, ideais para spam.
Tochas — arco alto, queimam inimigos no chão.
Machados — lentos, poderosos, trajetória curva.
Cruzes / escudos — a versão ocidental trocou cruzes por escudos por questões de sensibilidade religiosa da época; funcionam como projéteis boomerang.
Escolher a arma errada no momento errado é sentença de morte. A adaga costuma ser a "meta" para speedruns, mas a cruz/escudo salva a pele em chefes.
Por que a dificuldade é lendária (e meme até hoje)?
Além do sistema de dois hits, o jogo exige duas voltas completas para ver o final verdadeiro. Na primeira passada, o final é falso; só na segunda — com a arma específica (geralmente a cruz/escudo) — o final real aparece. Checkpoints são espaçados, inimigos resspawnam em padrões decoráveis, e hitboxes são... generosas com o jogador (ou seja, te matam fácil). Gerações de jogadores decoraram padrões de corvo, zumbi cuspidor e o temido red arremer (o demônio vermelho que voa e mergulha).
O que é Makaimura e como a série evoluiu?
Makaimura é o nome japonês da franquia. A linha principal inclui:
- Ghosts 'n Goblins (Arcade, 1985)
- Ghouls 'n Ghosts (Arcade, 1988) — adicionou armadura dourada, magia e tiro para cima/baixo
- Super Ghouls 'n Ghosts (SNES, 1991) — armaduras com habilidades, mapa entre fases
- Ultimate Ghosts 'n Goblins (PSP, 2006) — reboot 2.5D com dificuldade ajustável
- Ghosts 'n Goblins Resurrection (Switch/PC/PS4/Xbox, 2021) — reboot moderno com arte estilo storybook e co-op local
Como a Capcom tem mantido a série viva hoje?
A empresa apostou em preservação via Capcom Arcade Stadium (2021) e sua continuação, trazendo os títulos originais de arcade com save states, rewind e filtros CRT. O grande retorno foi Ghosts 'n Goblins Resurrection, desenvolvido pela equipe de Monster Hunter sob supervisão de Fujiwara. O jogo mantém a alma brutal, mas adiciona dificuldade "Cavaleiro" (checkpoints generosos, vida extra) e "Lenda" (o modo original). Tem co-op local onde o segundo jogador controla um espírito que atira e revive o parceiro — ótimo para casais que querem testar o relacionamento.
Vale a pena jogar em 2024?
Se você curte desafio puro, design de fase que ensina pela morte e estética pixel art impecável, sim. Resurrection é a porta de entrada mais acessível: tem modo fácil real, visuais lindos em 2.5D e a opção de jogar o original de 1985 dentro do menu. Para puristas, as versões de Capcom Arcade Stadium rodam liso no Switch, PS4, Xbox e PC. Evite as portagens antigas de NES/Game Boy se não tiver save state — a frustração passa de "desafio justo" para "controle na parede".
Por onde começar a jogar hoje
- Iniciante / quer só a experiência: Ghosts 'n Goblins Resurrection no modo "Pajem" ou "Cavaleiro" — co-op local ajuda muito.
- Quer o clássico sem trapaça: Capcom Arcade Stadium 1 ou 2 — ative rewind só se travar de raiva.
- Fã de SNES: Super Ghouls 'n Ghosts via Nintendo Switch Online ou emulação — melhor equilíbrio entre desafio e ferramentas.
- Curte lore: Jogue Gargoyle's Quest (GB/3DS VC) e Maximo (PS2/PS4) para ver o lado dos demônios.
A armadura do Arthur continua frágil, a cueca vermelha segue icônica e o riso do Red Arremer ainda ecoa nos fliperamas — ou no seu Switch, se você tiver coragem de apertar Start.


