Phantom Blade Zero entrega combates velozes e visualmente impactantes, mas a dificuldade Hellwalker não oferece desafio suficiente para quem já domina jogos de ação, e o modo 66 Days não resolve essa lacuna.
O que aconteceu
Desde o seu lançamento, Phantom Blade Zero tem sido elogiado pela fluidez dos duelos de espada, que lembram cenas de filmes de artes marciais. O sistema de combate permite cancelamentos de ataque, bloqueios e parries quase instantâneos, além de ataques supremos com longos frames de invencibilidade. Essa liberdade cria uma sensação de poder, mas também reduz a penalidade por erros.
A dificuldade mais alta, chamada Hellwalker, foi apresentada como o maior obstáculo para jogadores casuais. Na prática, veteranos de títulos como Devil May Cry ou Nier: Automata conseguem desmontar a maioria dos encontros sem grande esforço, graças à abundância de ferramentas defensivas.
Para tentar suprir a demanda por um teste mais rigoroso, o desenvolvedor S-Game Studio adicionou o modo 66 Days, que limita o número total de mortes em uma nova playthrough. Embora a pressão de não ultrapassar esse limite aumente a tensão, o modo não altera a mecânica subjacente do combate, deixando a sensação de dificuldade essencialmente a mesma.
Como chegamos aqui
O design de Phantom Blade Zero privilegia a expressão livre do jogador. Equipamentos e acessórios podem ser aprimorados para elevar significativamente o poder de ataque e a resistência, enquanto habilidades especiais concedem invencibilidade temporária. Essa estrutura encoraja experimentação, mas também cria um “cushion” de segurança que absorve boa parte da agressividade do adversário.
Alguns pontos críticos que tornam o combate mais indulgente:
- Cancelamento de ataques: o jogador pode interromper uma sequência ofensiva para bloquear ou parry, evitando a maioria dos contra-ataques.
- Frames de invencibilidade extensos: ataques supremos e certos acessórios fornecem períodos de imunidade que podem ser acionados sem preparação.
- Progressão de equipamento: upgrades de armas e armaduras aumentam drasticamente a margem de erro, permitindo que até builds menos otimizados sobrevivam a encontros difíceis.
- Variedade de defesas passivas: acessórios que regeneram vida ou reduzem dano tornam as lutas menos punitivas.
Esses elementos, combinados, criam um ciclo onde o jogador rapidamente aprende a neutralizar a ameaça antes que ela se torne realmente perigosa. O resultado é um combate que parece desafiador à primeira vista, mas que, após algum tempo, se torna previsível para quem já domina o ritmo.
O modo 66 Days, por sua vez, impõe um limite de mortes, mas não altera a natureza dos inimigos. Jogadores que já consideram Hellwalker “gerenciável” ainda encontrarão o mesmo nível de risco, apenas com a ansiedade de não exceder o contador de mortes. Essa mudança de foco – de dificuldade de combate para gerenciamento de recursos – não preenche a lacuna deixada pela falta de um verdadeiro modo “hardcore”.
O que vem depois
Para atender à comunidade de jogadores veteranos, seria necessário introduzir uma dificuldade que realmente teste as habilidades adquiridas. Algumas sugestões plausíveis incluem:
- Inimigos com IA mais agressiva: ataques mais rápidos, padrões menos previsíveis e menos janelas de bloqueio.
- Redução de frames de invencibilidade: tornar os ataques supremos mais arriscados, exigindo timing preciso.
- Limitação de recursos defensivos: reduzir a quantidade de acessórios que concedem cura automática ou escudos.
- Chefe com fases distintas: cada fase exigindo uma estratégia diferente, sem possibilidade de “spam” de parries.
Implementar um modo “Soulslike” ou “Hardcore” poderia revitalizar o interesse dos jogadores que buscam um verdadeiro teste de maestria. Enquanto isso, o modo 66 Days pode continuar a servir como um desafio de consistência, mas não deve ser apresentado como a solução final para a falta de dificuldade.
Os desenvolvedores ainda não anunciaram planos concretos para uma nova dificuldade, portanto, a comunidade permanece à espera de atualizações que realmente elevem o nível de exigência. Enquanto isso, os fãs podem continuar a explorar diferentes builds e a aproveitar a estética cinematográfica que Phantom Blade Zero oferece.
Para ficar no radar
Os próximos passos para quem acompanha o título são simples: continue acompanhando os canais oficiais da S-Game Studio e os fóruns da comunidade para notícias sobre patches de dificuldade. Se você já completou Hellwalker e sente que o jogo perdeu o brilho, experimente limitar-se a builds minimalistas ou jogar sem usar ataques supremos, forçando-se a depender mais da leitura de padrões.
Outra estratégia é participar de desafios de speedrun ou de “no death runs” que a comunidade costuma organizar. Essas corridas criam um ambiente competitivo que pode suprir, em parte, a falta de um modo oficial mais exigente.
Em resumo, Phantom Blade Zero tem tudo para ser um marco nos jogos de ação, mas ainda precisa de ajustes de dificuldade para satisfazer os veteranos. Até que isso aconteça, a melhor forma de extrair o máximo da experiência é auto‑impor restrições que aumentem a tensão e a necessidade de domínio técnico.
Perguntas Frequentes
- Por que a dificuldade Hellwalker não desafia jogadores experientes? Porque o combate oferece muitas ferramentas de defesa (cancelamentos, frames de invencibilidade e equipamentos poderosos) que reduzem a penalidade por erro, permitindo que veteranos neutralizem a maioria das ameaças sem grande esforço.
- O modo 66 Days aumenta a dificuldade do jogo? Ele apenas impõe um limite de mortes, mas não altera a mecânica dos inimigos. Assim, a sensação de desafio não muda significativamente para quem já acha Hellwalker fácil.
- Existe alguma forma de tornar o jogo mais difícil sem patches? Sim: jogue sem usar ataques supremos, limite-se a builds simples e evite upgrades excessivos. Isso força o jogador a confiar mais em timing e leitura de padrões.


