O destino do Profundo em The Boys: punição ou livramento?
A pergunta que ecoa nos fóruns de fãs de The Boys — a série de super-heróis satírica do Prime Video — é simples: por que o Profundo (interpretado por Chace Crawford) ainda está vivo? Enquanto personagens com arcos de redenção mais sólidos, como o Trem-Bala, encontraram seu fim, o ex-membro dos Sete continua orbitando o caos de Vought, sobrevivendo a situações onde qualquer um com um pingo de bom senso já teria sido eliminado. No entanto, o sétimo episódio da 5ª temporada sugere que o roteiro não pretende dar a ele uma saída fácil através de uma morte heroica ou violenta.
A tese aqui é clara: a morte seria um prêmio para alguém tão patético quanto o Profundo. O que o showrunner Eric Kripke está preparando para ele é um destino que condiz com sua mediocridade: o isolamento total, a humilhação pública e a perda da única coisa que o definia como um ser "especial".
Contexto: por que importa
Desde a primeira temporada, quando o Profundo chantageou Annie January (a Starlight) para manter seu posto, o personagem se tornou um símbolo de tudo que há de podre na estrutura de poder dos Sete. Ele é o reflexo do super-herói que, sem o marketing da Vought e sem o status de celebridade, não passa de um homem inseguro, incompetente e moralmente falido.
A frustração dos fãs é legítima. Ver o Profundo sobreviver enquanto outros personagens mais complexos caem gera um sentimento de injustiça. Mas, ao analisar a narrativa da série, percebemos que o objetivo de The Boys sempre foi desconstruir o mito do herói. Manter o Profundo vivo para enfrentar as consequências de suas escolhas — como o desastre do oleoduto e sua lealdade cega ao Capitão Pátria (Homelander) — é uma estratégia narrativa muito mais potente do que simplesmente eliminá-lo em uma explosão.
Reação dos fãs e o veredito da série
As redes sociais, como Reddit e Threads, fervilham com a teoria de que o personagem é um "sobrevivente acidental". Contudo, após o episódio 7, a narrativa mudou drasticamente. O Profundo foi demitido dos Sete e, em um momento de ironia brilhante, foi banido das águas por um tubarão-martelo (dublado, acredite se quiser, por Samuel L. Jackson). Ele agora é um pária tanto em terra quanto no mar.
Essa sequência de eventos é fundamental por alguns motivos:
- Perda de identidade: Sem o oceano e sem o traje dos Sete, o que sobra do Profundo? Nada além de um homem medroso.
- Consequências reais: Ele não pode mais se esconder atrás de sua imagem pública. A humilhação de ser exposto como um covarde diante das câmeras é o golpe final em seu ego.
- Justiça poética: Ele tentou ser o capacho perfeito do Capitão Pátria e, no fim, foi descartado como lixo, sem nenhum benefício ou proteção.
O que esperar
Embora a possibilidade de uma morte no último episódio ainda exista — especialmente com a ameaça dos animais marinhos pairando sobre ele —, o verdadeiro final do Profundo já aconteceu. Se ele morrer, será apenas um detalhe. O verdadeiro castigo é viver em um mundo que o despreza, sabendo que ele próprio cavou sua cova ao trocar sua moralidade por um lugar na mesa de um tirano.
O lado que ninguém está vendo é que o Profundo é o personagem mais representativo da falência moral de Vought. Ele não precisa de um final épico de super-herói; ele precisa do fim melancólico de um vilão que percebeu, tarde demais, que nunca foi um dos grandes. A aposta da redação é que ele terminará a série sozinho, irrelevante e assombrado por tudo que perdeu, o que é, sem dúvida, um destino muito pior do que qualquer morte que o Capitão Pátria pudesse lhe infligir.


